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Frankenstein | Mary Shelley

por Daniela, em 25.04.18

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"Porque se vangloriará o Homem de possuir uma sensabilidade superior à aparentada pelos irracionais?"

 

Inseri este livro numa série de projetos. Foi o escolhido para o Clube dos Clássicos Vivos, para ler em Março e Abril. Comecei a lê-lo em Março, no âmbito do Março Feminino. Faz parte da lista do projeto 101 Livros de Fantasia e Ficção Científica. Por fim, em Abril, inseri-o no meu projeto Livros no Ecrã.

 

Foi publicado em 1818, pela escritora, dramaturga, biógrafa e ensaísta Mary Shelley, e completa agora duzentos anos. Nascida em Londres em 1797, Mary Shelley ficou conhecida exatamente por este seu romance, Frankenstein ou O Moderno Prometeu. Filha de um filósofo e de uma das fundadoras do feminismo, Shelley acabou por falecer aos 53 anos, em 1851, do que se suspeita ter sido um tumor cerebral.

 

Considerada a primeira obra de ficção científica da história, Frankenstein foi inicialmente criado como um conto, depois de várias horas de conversa à lareira, onde quatro amigos combinaram escrever um conto fantástico cada um. Mary Shelley foi a única que concluiu o seu conto, tendo este sido posteriormente tornado num romance.

 

Contrariamente ao que é normalmente assumido, o mostro que encontramos neste livro não lhe dá o título, aliás a este em sequer lhe é dado qualquer nome.

 

Este livro relata a história de Victor Frankenstein, um jovem curioso com um desejo ansioso de aprender, estudante de filosofia natural. Frankenstein sonha alto e deseja conseguir criar aquilo que ainda ninguém teve coragem de criar.

 

Gostei bastante deste livro, apesar de ter adiado a sua leitura com medo que se tornasse aborrecido. Começa por ser contada uma história através de uma série de cartas, mas nunca o considerei chato, queria sempre continuar a ler mais.

 

É um romance atual, que nos mostra que até a ciência tem certos limites que não devem ser ultrapassados. Estes limites do conhecimento, a necessidade que o Homem tem de se libertar das correntes da ignorância, os testes e experiências que nem sempre correm bem, a solidão e as formas de lidar com o fracasso são os principais temas que Shelley abordou na sua obra.

 

"Acredita-me Frankenstein, eu era bom, a minha alma transbordava amor e humanidade. Mas não estou só, desgraçadamente só?"

 

 

Sobre a adaptação

 

Vi o filme de 1994, li em vários sítios que é o mais fiel ao livro. Dirigido por Kenneth Branagh e estrelado pelo próprio Branagh, juntamente com atores como Helen Bonham Carter e Robert de Niro nos papéis principais.

 

Apesar de considerado o mais fiel ao livro, as diferenças ainda são algumas e enormes. No entanto, a alma do livro está lá, o filme capta muito bem a sua essência.

 

O início é bastante aborrecido e demora até chegar "ao que interessa". Minutos a mais desperdiçados no que nem conta assim tanto para a história e poderia ter passado mais depressa. Dá a sensação de ser muito pouco real para que possa ser levado a sério.

 

É o filme de um homem ambicioso que tinha uma grande obsessão. O processo de criação do monstro é muito mais explorado no filme, no livro não temos grande informação quanto a este aspeto.

 

As cenas que gostei mais foram aquelas onde entrava o monstro, Robert de Niro fez um bom trabalho.

 

Apesar de ser um filme de horror, não o vejam a pensar em sustos e momentos de grande suspense. Tem os seus elementos de horror, mas é muito mais dramático que outra coisa.

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Jane Eyre | Charlotte Brontë

por Daniela, em 27.02.18

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Charlotte Brontë foi uma escritora e poetisa inglesa, a mais velha das irmãs Brontë. Publicou Jane Eyre sob o pseudónimo Currer Bell em 1847. Frequentou uma escola de filhas do clero em Cowan Bridge e descreveu-a em detalhe neste romance autobiográfico, disfarçada com o nome Lowood School.

 

Jane Eyre é órfã e em pequena foi deixada ao cuidado de uma tia por afinidade, que não lhe tem afeto. Neste livro, é contada a história de Jane, na primeira pessoa, desde a infância até à vida adulta. Nunca teve uma vida fácil e para conseguir chegar onde chegou teve de lutar contra a pobreza, sempre sozinha e com um temperamento considerado a causa de tudo o que lhe acontece.

 

Não se considera inferior nem superior a ninguém, só por ser pobre, mulher ou pessoa com menos conhecimentos do mundo. Para ela todos são iguais, pois a igualdade reside no espírito e na alma, e ela exige ser tratada de acordo com aquilo que defende.

 

" – Não me parece, senhor, que o mero facto de ser mais velho que eu ou de conhecer melhor o mundo que eu lhe dê o direito de me dar ordens."

 

Na altura da sua primeira publicação, atraiu a atenção do público e dividiu a crítica devido ao carácter impresso na personagem principal, uma mulher que, embora se reja pelo que era considerado normal nas mulheres daquela época, deixa transparecer uma declaração de independência e emancipação da mulher muito fortes.

 

"Espera-se que, em geral, as mulheres sejam calmas, mas a verdade é que as mulheres sentem na mesma medida dos homens; a exemplo dos seus irmãos, elas necessitam de exercitar as suas faculdades e duma actividade em que se empenhar; tal qual como os homens, sofrem com restrições demasiado rígidas, com estagnação excessiva; e é uma prova de estreiteza de vistas da parte dos seus semelhantes mais privilegiados afirmar que elas se deviam contentar em fazer pudins e em tricotar meias, em tocar piano e em bordar sacos. É uma falta de consideração condená-las ou ridicularizá-las quando se empenham em fazer mais ou em aprender mais que aquilo que os costumes decretaram ser necessário para o seu sexo."

 

Fiquei encantada desde as primeiras páginas, tanto que de cada vez que decidia ler só um capítulo, dava por mim perdida na história durante muito mais tempo. Adorei a personagem Jane Eyre, o facto de a história ser contada sob a sua perspetiva une-nos de forma mais estreita a ela, levando-nos a simpatizar desde o início.

 

A crítica à sociedade da época é também muito pronunciada, vemos as diferenças entre ricos e pobres e distinguimos os poderosos dos pouco influentes.

 

A religião também está presente em vários excertos do livro, o que neste caso não foi uma coisa má. Não me considero religiosa nem partilho a fé das personagens desta trama, mas estes excertos chegam a ser inspiradores.

 

A cultura literária também é palpável, vários excertos de obras de outros autores podem ser encontrados ao longo do livro.

 

A escrita é simples e cativante, o enredo e as personagens são bem construídas.

 

 

Depois de ler o livro, vi o filme de 2011 dirigido por Cary Fukunaga. Apesar dos cortes normais que são feitos nas adaptações, achei-o bastante fiel ao livro. Neste caso, foram comprimidas 594 páginas em cerca duas horas de filme.

 

Michael Fassbender foi o ator que protagonizou Edward Rochester, e apesar do seu muito bom trabalho, levou a que a personagem ficasse diferente da do livro, onde é descrito como um homem feio mas com mais genica.

 

A atriz Mia Wasikowska representou muito bem o seu papel de Jane Eyre, embora também não se possa dizer que seja feia como no livro.

 

O início do filme foi feito "in media res", ou seja, começou a meio da trama e foi alternando entre este presente e o passado. As cenas foram trabalhadas ao pormenor e com detalhe. 

 

O final também não é igual, faltam as últimas páginas do livro, embora seja fácil para o espetador imaginar aquilo que falta.

 

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Eça de Queirós é um dos mais importantes e conhecidos nomes da literatura portuguesa. A sua obra mais conhecida e aclamada é Os Maias, publicada em 1888.

 

Do escritor, apenas tinha lido O Crime do Padre Amaro e gostei da crítica que encontrei. A Ilustre Casa de Ramires é então o segundo livro que leio do autor e não gostei tanto. Publicada em 1900. Foi escrito de forma paralela, ou seja, existem várias histórias a decorrer ao mesmo tempo.

 

Temos por um lado a história de Gonçalo Mendes Ramires, um fidalgo pertencente a uma das linhagens mais antigas, uma família nobre e cheia de tradições, que ambiciona entrar na política e fazer carreira, passada no século XIX. À medida que vai conseguindo atingir este objetivo, vê-se envolto numa série de dúvidas acerca da sua honra e honestidade, que poderão pôr em causa tudo aquilo que a sua família sempre defendeu.

 

Por outro lado, temos uma história escrita pelo nosso protagonista Gonçalinho, acerca dos seus antepassados, passada no século XIII. O protagonista aqui é Tructesindo Ramires, um homem que procura vingança pela morte do seu filho morto em uma emboscada por um suposto amigo da família.

 

As personagens são personificações reais e adequadas à altura. Atuais, ainda nos dias de hoje.

O Gonçalinho, o fidalgo empobrecido que quer ser superior mas por outro lado mostra-se fraco e de caráter muito débil.

A Gracinha, pequenina e frágil, pele clara e cabelos negros compridos. Frágil e passiva, deixa-se seduzir facilmente.

André Cavaleiro, o Dom Juan da zona. Bem educado, de cabelos ondulados e bigodes fartos. Seduz Gracinha, já depois de casada.

As irmãs Lousadas, a personificação de duas coscuvilheiras da aldeia, como todos certamente conhecem.

"Secas, escuras e gariulas como cigarras, desde longos anos, em Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as tecedeiras de todas as intrigas."

 

O início do livro é bastante aborrecido, fala das conquistas dos antigos Ramires e é difícil de passar. Depois a história começa a fluir melhor. Álem destas primeiras partes, a história de Tructesindo também é difícil de passar e, no meu entender, não acrecenta grande coisa ao livro. Sempre que Gonçalo começa a narrar a história dos seus antepassados, é necessário estar muito atento à leitura para perceber a diferença, caso contrário acabamos por nos baralhar e ter de voltar atrás, como me aconteceu várias vezes.

 

Não seria a minha primeira recomendação para primeira leitura de Eça, gostei mais de O Crime do Padre Amaro. Mas para quem quer completar a obra de Eça, avancem sem medos. Já sabem, as primeiras páginas custam a passar, por isso nada de desistir.

 

Deixo algumas fotografias do encontro do Clube dos Clássicos Vivos que aconteceu em Leiria no dia 13 de Janeiro, para discutir esta obra:

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TAG | Clube dos Clássicos Vivos

por Daniela, em 28.11.17

A Cláudia e a Carolina, moderadoras do Clube dos Clássicos Vivos, criaram esta TAG para os membros do clube. Aqui ficam as minhas respostas.

 

1. Há quanto tempo estás no Clube dos Clássicos Vivos?

Estou no grupo do Goodreads desde Outubro de 2015. No entanto, a primeira leitura que fiz em conjunto com o grupo foi apenas em Abril de 2016 com O Monte dos Vendavais. Entretanto a partir de Agosto de 2016 o Clube entrou numa pausa e voltou apenas em 2017. Desde aí, tenho participado em todas as leituras.

 

2. O que mais gostas no Clube e o que menos gostas?

Adoro a interação e a troca de ideias à medida que as leituras acontecem. Gosto muito dos encontros, embora não consiga ir a todos. O que menos gosto, que pode ser apenas falta de jeito da minha parte, é o facto de ser muito difícil encontrar as discussões ou polls que quero. Aparece-me tudo desorganizado, em vez de aparecer certinho por data.

 

3.Tens alguma sugestão para o clube? Qual?

A ideia do passaporte é muito gira. Poderia existir um tópico no grupo para os membros sugerirem futuras leituras. Os segundos lugares irem a votação também é uma oportunidade para ser escolhido um deles.

 

4. De todos os clássicos lidos no Clube qual foi a leitura mais surpreendente e a aquela que mais te desiludiu?

A leitura que mais me surpreendeu foi logo a primeira. O Monte dos Vendavais. Emily Brontë. Adorei esta leitura, adorei as personagens, tudo.

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A leitura que mais me desiludiu foi uma que fiz não li em conjunto com os restantes membros, pois não tinha o livro na altura, mas li mais tarde quando o comprei. Orlando. Virginia Woolf. Estava à espera de gostar bastante. Mas não gostei nada. A escrita da autora não é para mim, chatinha e aborrecida. Não penso pegar em nenhum livro dela em breve.

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5. Houve algum clássico que te fez mudar a percepção de clássico? Qual? 

Sim. Lolita, de Vladimir Nabokov. Também não li em conjunto com o clube, mas pus a leitura em dia assim que arranjei o livro. Não sei se não foi o primeiro clássico que li. Talvez tenha sido. E gostei muito, apesar de esperar aquela leitura chata associada aos clássicos.

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6. Que clássico recomendariam a alguém para começar a ler clássicos?

Vou recomendar Dom Casmurro, de Machado de Assis. Uma leitura que flui muito rapidamente, uma história que encanta e uma escrita que cativa. Penso ser impossível achá-lo aborrecido.

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7.Qual foi a personagem mais interessante e a personagem mais irritante que conheceste nas leituras do clube?

A personagem mais interessante que conheci com as leituras do clube foi sem dúvida a Holly Golightly. Criada por Truman Capote, em A Boneca de Luxo, é uma personagem tão bem construída e cheia de adjetivos que a caracterizam. A personagem faz o livro e torna-o tão especial.

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Uma das personagens mais irritantes foi a Daisy Buchanan, em O Grande Gatsby. A personagem mais mesquinha e irritante que Fitgerald criou neste livro. Fútil e superficial. Egoísta. Nociva. Não merece o amor do nosso querido Jay.

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8. Indica dois Clássicos que gostavas de ver no Clube 

Gostava de ver no clube O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Também seria interessante ver O Conde de Monte Cristo, preciso de um incentivo para este calhamaço.

 

9. Indica dois dos teus Clássicos preferidos de sempre. 

Não tenho uma bagagem muito grande de clássicos lidos. Portanto, vou ter de voltar a mencionar livros de que já falei acima. Vou indicar O Monte dos Vendavais e Lolita.

 

10. Onde gostavas que houvesse um encontro? 

Em Leiria, claro. Talvez seja em breve, vamos ver. Se for, espero que corra muito bem e que puxe as meninas de Lisboa aqui mais para o centro! Por outro lado, também seria interessante visitar outros locais espalhados pelo país, ligados de alguma forma à literatura ou a autores que lemos.

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Dom Casmurro, de Machado de Assis

por Daniela, em 22.11.17

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Machado de Assis foi um escritor brasileiro, considerado por muitos um dos maiores nomes da literatura brasileira. Dom Casmurro é um dos seus muitos títulos, publicado em 1899. Nunca tinha lido nada do autor, sendo portanto este o primeiro contacto que tive com a sua escrita. Foi o clássico escolhido para o Clube dos Clássicos Vivos, nos meses de Setembro e Outubro.

 

Traz-nos a história de Bentinho, apenas sob a sua perspetiva, que se apaixona por Capitu durante a adolescência. A sua mãe prometeu que ele iria para o seminário e Bentinho inicialmente aceitou bem a ideia, mas este amor pela sua amiga de infância vem colocar uma série de dúvidas na sua cabeça.

 

Fala-nos de ciúme e tem nuances não conclusivas de traição, que criam várias discussões entre os amantes deste clássico. A narração na primeira pessoa torna a história parcial e subjetiva, podendo levar a diferentes interpretações.

 

Este livro é dividido em capítulos muito curtos, o que nos proporciona um ritmo de leitura rápido. A história é envolvente e a escrita do autor cativante.

 

O título do livro é desvendado logo no primeiro capítulo.

 

"Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando!"

 

As personagens são na sua maioria interessantes e importantes para a história. Bento Santiago, ou Bentinho, é um homem solitário, ingénuo e sensível, criado apenas pela sua mãe extremamente protetora. Capitolina, ou Capitu, é dona de uma personalidade forte, muito inteligente e extrovertida, o completo oposto de Bentinho.

 

Os locais assinalados são narrados detalhadamente, levando-nos a imaginar o cenário com bastante pormenor.

 

Apesar de todas as dúvidas, divergências e opiniões diversas, Dom Casmurro é um clássico da literatura brasileira que merece ser lido.

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O Vermelho e o Negro, de Stendahl

por Daniela, em 23.10.17

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Stendhal é um pseudónimo de Henri-Marie Beyle, que escreveu no século XIX sob a capa de vários outros e que publicou apenas um livro com o seu nome verdadeiro. Louis Alexandre Bombet ou Anastasius Serpière são alguns dos pseudónimos que utilizou antes de Stendhal.

 

Este livro passa-se em França, no período da Restauração antes da Revolução de 1830, e traz-nos a história de Julien Sorel. O nosso protagonista é um jovem inteligente e ambicioso, nascido em Verrières no ceio de uma família pobre. Filho de um carpinteiro e desprezado por estes e pelos seus irmãos devido à sua tendência para os livros, a paixão por Napoleão Bonaparte, e falta de jeito nos trabalhos árduos.

 

"Nada podia ser mais antipático ao velho Sorel; talvez tivesse perdoado a Julien a sua compleição franzina, pouco adequada aos trabalhos que exigem força e tão diferente da corpulência dos filhos mais velhos; mas aquela mania de ler era-lhe odiosa, tanto mais que ele próprio não sabia ler."

 

Apesar destes fatores, ele tem no entanto pretensões de subir na vida. Ele sonha integrar-se na alta sociedade e tenta-o de duas formas; através do serviço a casas de famílias importantes e através da sua entrada no seminário. Apesar de deixar o seu rasto por onde passa e conquistar jovens em qualquer lado, ele não se contenta com as raparigas que servem a mesma família que ele. Pensa mais alto e quer a atenção da senhora para quem trabalha. Será que consegue? Será que sobe realmente na vida? E a que custo? São questões que vamos vendo respondidas ao longo da narrativa.

 

O ritmo de leitura começa por ser bastante rápido e fluido, queremos saber sempre o que Julien fará de seguida. No entanto, começou a tornar-se aborrecido antes de chegar a meio e comecei a deixá-lo de lado. As descrições são imensas e a ação cai drasticamente. Mais perto do fim voltou ao ritmo inicial.

Senti falta de algumas notas de tradução na minha edição, sei por certo que várias referências me passaram ao lado.

 

O nome que o autor escolheu para o livro não foi completamente compreendido. A maioria pensa que o negro é a cor da batina e representa o clero. Quanto ao vermelho, muitos pensam ser a cor dos antigos uniformes militares franceses; outros pensam ser a cor da paixão que move o nosso protagonista.

 

Julien Sorel é sem dúvida uma grande personagem e o melhor do livro. É extremamente bem construído e cheio de camadas que descobrimos a cada nova peripécia. Talento e ambição natos, recorrendo a tanta hipocrisia sobre uns e enganando tantos outros.

 

A escrita do autor é primorosa. Neste livro, é um narrador presente que quase se torna numa personagem, comentado os acontecimentos à medida que estes se vão desenrolando. Conseguiu contruir um personagem extremamente complexo, mas dos melhores que podemos encontrar, com grande mestria.

 

O final é fabuloso. Vale a pena passar por todas as partes aborrecidas e encontrar aquele final. Talvez não seja o que esperámos durante todo o livro, mas ao chegar lá percebemos que não poderia ser de outra forma.

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Esta foi uma leitura para o Clube dos Clássicos Vivos. Foi um livro falado e debatido num encontro na feira do livro, mas infelizmente não consegui acompanhar a maior parte da discussão.

Tomar o pequeno-almoço na famosa Tiffany & Co era um dos sonhos da nossa protagonista, Holly Golightly, uma jovem atriz com um passado sofrido que foge para Nova Iorque e passa a viver uma vida de luxo.

 

"Nunca me vou habituar a nada, e quem se habituar mais vale estar morto."

 

Louca, ingénua, sedutora, vulnerável ou inconsequente são alguns dos adjetivos que caracterizam Holly, uma mulher que vive rodeada de gente mas que foge das verdadeiras amizades. Joe, o dono de um bar onde Holly costumava ir, e nosso narrador são os únicos que parecem preocupar-se com a jovem, ao contrário de todos os outros nova-iorquinos que apenas querem relações fúteis e curtas.

Holly é um "animal selvagem" que não se prende a ninguém e que anda continuamente "em viagem" à procura do seu sítio, da sua casa, que provavelmente nunca irá encontrar.

 

"Mas não podemos confiar o coração a um animall selvagem: quanto mais lhe damos, mais forte fica até ter força suficiente para largar a correr para a floresta. Ou voar para uma árvore. E depois para uma árvore mais alta. E depois para o céu."

 

Todos os seus pertences estão arrumados em caixas espalhadas pela casa, criando uma sensação de solidão permanente em torno da personagem.

 

"Eu não quero ter nada até saber que encontrei um sítio onde eu e as coisas nos completamos. Ainda não sei muito bem quando é que isso será. Mas sei como vai ser. (...) Como o Tiffany´s."

 

Muita gente viu representado neste livro, através da personagem Holly, a prostituição no século XIX, embora eu não possa dizer que tenha sentido isso. 

Este livro não tem uma história marcante, mas sim personagens marcantes. O que nos prende a atenção e o que nos faz querer continuar a ler é esta personagem maravilhosa criada por Capote com grande mestria. Holly Golighly é o livro. Um livro curtinho, e que no final nos deixa a querer ler mais, mas um ótimo livro. 

A escrita é muito limpa, objetiva e fácil de acompanhar. Muito simples, mas de uma forma que nos encadeia e prende.

Depois de ler o livro, decidi ver o filme. Não esperem que seja como o livro, porque não é. É baseado no livro sim, mas as diferenças são enormes. Gostei do filme também, embora tenha de ser visto fora do contexto do livro para se poder aproveitar. A personagem principal é mais doce e deixa-se levar mais facilmente pelas pessoas do que no livro. O nosso narrador ganha nome: Paul. É diferente, mas é bom e gostei da atriz Audrey no papel de Holly.

 

 

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Foi ontem, na Feira do Livro de Lisboa, logo de manhã.

Começámos por falar da nossa última leitura para o Clube, A Boneca de Luxo. Não cheguei a tempo de ouvir a discussão toda mas mesmo assim foi ótimo. Muitas pessoas compareceram e foi muito bom ver tanta gente com este interesse pelos clássicos.

Houve um sorteio de três livrinhos e um deles veio parar às minhas mãos, fiquei muito contente, ainda por cima era um livro que já andava para comprar há algum tempo.

Depois da conversa fomos passear pela Feira e acabei por comprar mais dois livros. Foi um ótimo dia, passado em boa companhia, que venham mais encontros destes.

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Foi ontem, em Óbidos, houve muita conversa sobre livros e fizemos uma troca de livros também. Foi muito bom e apesar de eu não ser muito faladora gostei muito de conhecer aquelas pessoas, conviver com pessoas que gostam tanto de ler quanto eu.

Conhecemos um hotel lindo e cheio de livros, o The Literary Man.

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 Trouxe para casa 3 livrinhos novos e fiquei muito contente!

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Haverá novo encontro na Feira do Livro de Lisboa, e vou tentar ir novamente!

 

Beijinhos da Daniela*

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Paris é uma Festa, de Ernest Hemingway

por Daniela, em 07.04.17

“Se, na juventude, você teve a sorte de viver na cidade de Paris, ela o acompanhará sempre até ao fim da sua vida, vá você para onde for, porque Paris é uma festa móvel.”

 

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Surgido 3 anos após a morte do autor, Paris é uma Festa é um romance autobiográfico que retrata as memórias parisienses do escritor Ernest Hemingway quando decidido a deixar a jornalismo se dedicou a uma carreira de escritor, numa altura que considera ter sido a melhor da sua vida. 

O livro leva-nos até às muitas ruas de Paris dos anos 20, uma cidade no seu ponto máximo literário onde encontramos pessoas da época como Gertrude Stein, Ezra Pround, James Joyce ou F. Scott Fitzgerald. Passeamos com o autor por cafés e chegamos à livraria de Sylvia Beach, Shakespeare and Company, onde se encontravam os principais escritores da altura.

Hemingway não nos apresenta Paris como a icónica cidade romântica, mas como uma cidade igual a tantas outras, com os seus recantos bonitos e as pessoas que a compõem, tornando-a num palco de inspiração e numa "festa" ou seja, um divertimento para todos os que têm a sorte de a frequentar.

Em suma, Paris é uma Festa mostra-nos uma história de memórias, que poderemos considerar reais ou fictícias como o autor nos diz numa nota logo nas primeiras páginas.

Para quem gosta de livros do género será com certeza uma ótima leitura, outros podem não a achar nada de especial ou nem a conseguir terminar, eu terminei e, não adorando, gostei.

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