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Jane Eyre | Charlotte Brontë

por Daniela, em 27.02.18

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Charlotte Brontë foi uma escritora e poetisa inglesa, a mais velha das irmãs Brontë. Publicou Jane Eyre sob o pseudónimo Currer Bell em 1847. Frequentou uma escola de filhas do clero em Cowan Bridge e descreveu-a em detalhe neste romance autobiográfico, disfarçada com o nome Lowood School.

 

Jane Eyre é órfã e em pequena foi deixada ao cuidado de uma tia por afinidade, que não lhe tem afeto. Neste livro, é contada a história de Jane, na primeira pessoa, desde a infância até à vida adulta. Nunca teve uma vida fácil e para conseguir chegar onde chegou teve de lutar contra a pobreza, sempre sozinha e com um temperamento considerado a causa de tudo o que lhe acontece.

 

Não se considera inferior nem superior a ninguém, só por ser pobre, mulher ou pessoa com menos conhecimentos do mundo. Para ela todos são iguais, pois a igualdade reside no espírito e na alma, e ela exige ser tratada de acordo com aquilo que defende.

 

" – Não me parece, senhor, que o mero facto de ser mais velho que eu ou de conhecer melhor o mundo que eu lhe dê o direito de me dar ordens."

 

Na altura da sua primeira publicação, atraiu a atenção do público e dividiu a crítica devido ao carácter impresso na personagem principal, uma mulher que, embora se reja pelo que era considerado normal nas mulheres daquela época, deixa transparecer uma declaração de independência e emancipação da mulher muito fortes.

 

"Espera-se que, em geral, as mulheres sejam calmas, mas a verdade é que as mulheres sentem na mesma medida dos homens; a exemplo dos seus irmãos, elas necessitam de exercitar as suas faculdades e duma actividade em que se empenhar; tal qual como os homens, sofrem com restrições demasiado rígidas, com estagnação excessiva; e é uma prova de estreiteza de vistas da parte dos seus semelhantes mais privilegiados afirmar que elas se deviam contentar em fazer pudins e em tricotar meias, em tocar piano e em bordar sacos. É uma falta de consideração condená-las ou ridicularizá-las quando se empenham em fazer mais ou em aprender mais que aquilo que os costumes decretaram ser necessário para o seu sexo."

 

Fiquei encantada desde as primeiras páginas, tanto que de cada vez que decidia ler só um capítulo, dava por mim perdida na história durante muito mais tempo. Adorei a personagem Jane Eyre, o facto de a história ser contada sob a sua perspetiva une-nos de forma mais estreita a ela, levando-nos a simpatizar desde o início.

 

A crítica à sociedade da época é também muito pronunciada, vemos as diferenças entre ricos e pobres e distinguimos os poderosos dos pouco influentes.

 

A religião também está presente em vários excertos do livro, o que neste caso não foi uma coisa má. Não me considero religiosa nem partilho a fé das personagens desta trama, mas estes excertos chegam a ser inspiradores.

 

A cultura literária também é palpável, vários excertos de obras de outros autores podem ser encontrados ao longo do livro.

 

A escrita é simples e cativante, o enredo e as personagens são bem construídas.

 

 

Depois de ler o livro, vi o filme de 2011 dirigido por Cary Fukunaga. Apesar dos cortes normais que são feitos nas adaptações, achei-o bastante fiel ao livro. Neste caso, foram comprimidas 594 páginas em cerca duas horas de filme.

 

Michael Fassbender foi o ator que protagonizou Edward Rochester, e apesar do seu muito bom trabalho, levou a que a personagem ficasse diferente da do livro, onde é descrito como um homem feio mas com mais genica.

 

A atriz Mia Wasikowska representou muito bem o seu papel de Jane Eyre, embora também não se possa dizer que seja feia como no livro.

 

O início do filme foi feito "in media res", ou seja, começou a meio da trama e foi alternando entre este presente e o passado. As cenas foram trabalhadas ao pormenor e com detalhe. 

 

O final também não é igual, faltam as últimas páginas do livro, embora seja fácil para o espetador imaginar aquilo que falta.

 

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10 excertos de Jane Eyre

por Daniela, em 18.02.18

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"Eu acho que a vida é demasiado curta para ser passada a alimentar animosidades ou a recordar injustiças."

 

"Mesmo que o mundo inteiro te odiasse e te julgasse uma mã pessoa, desde que a tua consciência aprovasse a tua conduta e te libertasse de qualquer culpa, terias sempre uma amiga."

 

"(...) o tempo mitiga os desejos de vingança e aquieta os impulsos de fúria ou repulsa."

 

"(...) não há felicidade que se compare a sentirmos que somos amados pelos nossos semelhantes e que a nossa presença é para eles uma fonte de conforto."

 

"É como se eu tivesse um cordel algures debaixo das costelas do lado esquerdo, apertado com um nó tão cego ao ponto de ser impossível de desatar a um cordel semelhante situado na zona correspondente do seu corpo franzino. E se aquele canal tempestuoso mais cerca de trezentos quilómetros de terra se interpusesse entre nós dois, tenho medo de que esse cordel de ligação se parta, e depois há qualquer coisa dentro de mim que me diz que eu ficaria a sangrar por dentro."

 

"Porventura acha que sou algum autómato? Uma máquina destituída de sentimentos? E que estou disposta a deixar que me arranquem o naco de pão da boca e me despejem da taça a gota de água que me é indispensável à vida? Porventura acha que, lá por eu ser pobre, feira, apagada e baixa, não tenho alma e coração? Pois olhe que está muito enganado... Tenho uma alma tão grande quanto a sua e um coração tão forte quanto o seu! E, tivesse-me Deus dotado dalguma beleza e de muito dinheiro, e pode ter a certeza de que o senhor teria tanta dificuldade em deixar-me como eu tenho em deixá-lo neste momento. Não lhe estou a falar com a linguagem dos costumes, das convenções nem sequer da carne mortal... É o meu espírito a dirigir-se ao seu espírito, como se ambos já tivéssemos pela sepultura e nos encontrássemos agora aos pés de Deus, como iguais que somos!"

 

"Eu não sou pássaro nenhum, e não há rede capaz de me prender. Sou um ser humano livre, dotado de vontade própria, (...)"

 

"(...) que necessidade há de viver no Passado quando o Presente se nos apresenta muito mais seguro... e o Futuro, muito mais radioso?"

 

"Os preconceitos, como é bem sabido, são mais difíceis de erradicar de um solo que nunca foi arado ou fertilizado por meio da educação, ficam tão enraizados como ervas daninhas entre as pedras."

 

"Eu não sou pessoa de grande orgulho em circunstâncias destas: prefiro sempre a alegria à dignidade."

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