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1Q84 #1, Haruki Murakami

por Daniela, em 05.11.17

"O ano de 1984, como eu o conhecia, já não existe. Estamos em 1Q84. A atmosfera mudou, mudou a paisagem. Tenho de me adaptar quanto antes a este mundo com um ponto de interrogação. Tal como acontece com os animais, quando os deixam em liberdade numa floresta desconhecida. Para minha salvaguarda, para continuar viva, devo aprender as regras deste lugar, o mais depressa possível, e adaptar-me a elas."

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Haruki Murakami é um escritor e tradutor japonês, bastante conhecido pela sua trilogia 1Q84 ou pelo seu livro Kafka à beira-mar, e já referenciado como candidato ao Nobel da Literatura. Li este livro para a oitava etapa de A Volta ao Mundo em Livros, que consistia em ler livros de escritores japoneses.

 

Este livro traz-nos duas histórias paralelas, centradas em duas personagens distintas.

Aomame é uma mulher de 30 anos que ensina artes marciais. Secretamente, é uma assassina profissional e treinada, com muito sangue frio e que trabalha sem deixar rasto para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica.

Tengo é um homem da mesma idade, professor de matemática e aspirante a escritor. É convidado a reescrever um romance previamente escrito por Fuka-Eri, uma rapariga disléxica e calada, que tanto tem para contar. Acaba por enfrentar um grande dilema: sabe que não é ético reescrever aquela história mas o fascínio que esta lhe provoca não o deixa recusar a proposta.

 

Os capítulos são divididos alternadamente entre estas duas personagens e as duas histórias vão-se desenrolando lentamente. Estas duas perspetivas nunca se cruzam ao longo de todo o livro, pelo que só posso esperar que tal venha a acontecer nos próximos volumes.

 

A escrita do autor é extremamente detalhista, repetitiva e morosa. Foi sem dúvida a pior parte do livro, mas poderá agradar a outros. Muitas vezes são introduzidos temas que não são relevantes e que ocupam páginas e páginas. Uma descrição pormenorizada de uma música, das notas do início, dos locais onde a personagem a ouviu ou o motivo de saber os primeiros acordes. Uma descrição de todos os componentes de uma refeição. 

 

Para escrever este livro o autor inspirou-se no clássico distópico de Orwell, 1984. A figura do Grande Irmão é aqui substituída pelo Povo Pequeno, uma personagem coletiva que não chegamos a conhecer inteiramente e que será certamente mais explorada nos restantes livros. O Povo Pequeno foi o que mais me intrigou, com um toque de fantasia que me leva a querer conhecer mais pormenores sobre quem são e o que fazem exatamente. 

 

O final do livro é abrupto e muitas questões são deixadas sem resposta. Sim, eu sei que é uma trilogia, mas mesmo assim parece que falta qualquer coisa ao primeiro livro. Dá a entender que foi escrito apenas um livro e depois dividido em três para diminuir o número de páginas.

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