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Livros no Ecrã | A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

Quinta-feira, 20.04.17

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Sobre o livro...DSCF2947.JPG

 

 

Esta é um obra incrível. Adorei este livro, é daqueles que quando acaba apetece logo começar outra vez. Comecei-o com as expetativas elevadas e não me desiludi.

Como pano de fundo temos uma pequena cidade alemã, Molching, em plena 2ª Guerra Mundial. A nossa protagonista, a pequena Liesel Meminger, foi adotada por dois alemães - Hans e Rosa Hubermann - e desenvolve um grande gosto pelos livros e pelas palavras mesmo antes de saber ler. A narradora é a Morte. É a Morte que nos conta a história de Liesel, da sua família e amigos, enquanto se caracteriza a si própria como a que mais trabalhou naquela época.

Enquanto a história de Liesel é construída, são-nos também apresentadas uma série de personagens secundárias muito bem inseridas e contextualizadas no ambiente que se vivia na altura. O medo, a opressão e as dificuldades que muita gente passou naquela altura é constantemente relembrado.

Nestas mesmas pessoas, vemos que nem todos eram iguais, nem todos admiravam e seguiam os passos do Führer. Vários recusavam-se a aceitar perder a sua humanidade, fazendo o mínimo possível de forma a evitar represálias. Todas as personagens são extremamente ricas e bem constituídas.

A pequena Liesel, com a sua inocência e a sua paixão pelas palavras. Os pais adotivos que pareciam tão diferentes um do outro mas que afinal mantêm as mesmas crenças e o mesmo coração e que se tornaram em duas personagens tão importantes, tão bondosos e tão humanos no meio dos nazis de quem querem distancia. O pequeno Rudy com o cabelo cor de limão, vizinho e melhor amigo de Liesel, que quer ser igual a um atleta negro. Max, um judeu considerado como lixo, mas das melhores pessoas que encontramos neste livro.

Enfim, a necessidade de nos mantermos humanos mesmo nas piores condições, o poder curativo dos livros e das histórias que eles trazem, as diferenças existentes na altura entre a classa baixa e alta. Temas fortes e difíceis, momentos que nos apertam o peito, é disto que este livro é feito! Dos melhores livros que li nos últimos tempo,

 

...e o filme

 

 

No filme está tudo muito mais resumido, embora este também seja muito bom. Várias cenas foram cortadas e outras tantas agrupadas numa só. Tinha de ser, ou daria um filme enorme. No entanto, a relação de Liesel com Max poderia ter sido muito melhorada, vários capítulos importantes foram cortados.

Também o papel dos livros foi menos desenvolvido no filme. No livro, Liesel tem especial carinho por cada um e agarra-se a um de cada vez saboreando-o vezes sem contas, sem se importar pela quantidade de livros que tem.

 

A atriz Sophie Nélisse desempenhou muito bem o seu papel, conseguindo transmitir todas as emoções da pequena Liesel. A narração efetuada pela Morte também foi muito bem conseguida. O final também foi muito emocionante e das melhores partes do filme.

 

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O Disco de Jade - Os Cavalos Celestes, de José Frèches

Quarta-feira, 01.03.17

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Terminei de ler o primeiro livro da trilogia O Disco de Jade. É um romance histórico passado no séc. III a.C. que nos traz a história dos reinos combatentes que posteriomente formaram a China.

Esta história passa-se maioritariamente no estado de Qin, embora também sejamos levados a Chu ou ao Zhao. É um livro dividido em duas partes, sendo separadas pelos reinados de dois reis diferentes.

Foi uma leitura lenta, devido ao facto de ser talvez um livro de introdução, para conhecer-mos bem cada personagem, a história pessoal de cada um que inicialmente se isola das outras, até chegarmos ao ponto de todas as histórias e personagens fazerem sentido e estarem ligadas umas às outras.

Os costumes e os hábitos da época estão bastante presentes, a religião praticada e as práticas de adivinhação muito utilizadas naquela altura. Houve pelo menos um momento que me fez muita confusão e que mete impressão, o destino dado à aia da princesa Xia quando a sua dama morreu.

O papel dado às mulheres é bastante interessante de analisar, são elas que têm sempre a palavra final nas decisões políticas, embora estas sejam dedicadas aos homens, conseguindo sempre dar a volta e que as coisas aconteçam tal como querem, embora envolva alguma manipulação e principalmente a sedução.

O final ficou em aberto, mais haverá para descobrir nos próximos volumes, que vou deixar para daqui a algum tempo.

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Retrato a Sépia, de Isabel Allende

Terça-feira, 03.01.17

Cada qual escolhe o tom para contar a sua própria história. Vivo entre matizes difusos, esbatidos misteriosos, incertezas; o tom para contar a minha vida ajusta-se mais ao de um retrato a sépia…

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Este é o último livro da trilogia escrita por Isabel Allende, passada entre o Chile e a Califórnia. Aqui reencontramos personagens dos dois livros anteriores, apesar de cada livro se focar em uma família diferente e numa diferente época.

Este é um romance histórico que retrata o Chile nos finais do séc. XIX, entre 1880 e 1920, o papel das mulheres e a forma como eram tratadas e o ínicio da sua emancipação, ainda associada a muita censura.

Uma história contada pela voz de Aurora del Valle, tentando preencher as lacunas existentes no seu passado, na sua infância, quando foi separada do que conhecia e mudada para onde nunca tinha estado. Ela vai-nos envolvendo na história da sua família, revelando detalhes e segredos dos seus ente-queridos, principalmente das mulheres.

É ainda retrada a Guerra do Pacífico, em que a autora nos dá alguns factos reais ao enquadrar um dos seus personagens nesta.

Este livro tem lugar após Filha da Fortuna e antes de A Casa dos Espíritos, pelo que a ordem cronológica da história é diferente da ordem de publicação dos livros.

 

Personagens preferidas: Aurora del Valle

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Filha da Fortuna, de Isabel Allende

Terça-feira, 27.12.16

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Pontuação: 4 estrelas

 

Começo por dizer que esta foi uma das melhores autoras que conheci este ano, quero ler mais livros dela!

O Filha da Fortuna conta a história de Eliza, uma menina abandonada à porta da família Sommers, que a acolheu como se fosse da família. No entanto, Isabel Allende traz-nos uma muito maior quantidade de personagens, cada uma mais forte que a anterior, sempre muito bem construídas, a partilhar e vivenciar com Eliza as suas experiências de vida.

Passa-se entre o Chile e a Califórnia, principalmente durante os anos 1848 e 1849, quando se deu a febre do ouro e a Califórnia se tornou num dos estados mais habitados dos EUA.

Devido a um romance mal terminado, Eliza passa por várias aventuras e vários desgostos e provações, que a levam a conhecer Tao Chi'en.

Tao é um chinês que pratica a medicina oriental e que, vendido para a escravatura com apenas 10 anos, teve a sorte de ser revendido a um médico para se tornar no seu aprendiz. É dos melhores personagens do livro, acabando por gastar o pouco dinheiro que consegue juntar a ajudar as pequenas sing song girls, meninas chinesas traficadas e leiloadas para prostituição infantil.

É um livro que retrata muito bem a época da febre do ouro na Califórnia, em que a violência e o racismo eram recorrentes. Mostra como os nativos foram expulsos da sua própria terra e como as pessoas de nacionalidade chinesa ou mexicana eram desprezadas e muitas vezes linchadas sem qualquer motivo aparente.

Mostra também que os mais espertos estabeleceram negócio naquele país onde cada coisa valia uma fortuna, em vez de perderem tempo nas minas, enriquecendo tanto ou mais como os que o faziam, e retrata ainda a aparição dos barcos a vapor, aqui utilizados para levar mercadorias até à Califórnia muito mais rapidamente.

O papel das mulheres da altura também é bastante descrito, na Califórnia havia apenas as prostitutas e é desenvolvido o como é viver numa terra de homens, as diferenças entre as várias raças, destacando-se a submissão imediatamente atribuída às mulheres e esposas chinesas, compradas por catálogo.

O final quase nos obriga e ler o próximo livro, Retrato a Sépia, em busca de mais informação, se bem que se pode ler apenas o segundo sem necessidade do primeiro para perceber a história.

 

Personagem preferida: Tao Chi'en

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O Último Conjurado, de Isabel Ricardo

Terça-feira, 22.11.16

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Pontuação: 4*

 

Este foi o terceio livro que li no âmbito do projeto Ler os Nossos, organizado pela Cláudia do blog a mulher que ama livros. Escolhi este livro de entre os três que tenho da coleção A História de Portugal em Romances, guiada pela sua classificação, mais elevada em relação aos outros dois, no Goodreads.

Confesso que iniciei o livro sem grandes espetativas e, logo nas primeiras páginas, pensei que seria uma leitura aborrecida, com conteúdo histórico escrito de forma condensada. No entanto, enganei-me.

- Um dia, D.Sebastião há-de voltar no seu cavalo branco para arrancar o país desta escória que nos governa!

Esta é uma das primeiras falas deste livro, que tem lugar sessenta anos após a batalha de Alcácer-Quibir, onde o jovem rei de Portugal D.Sebastião desapareceu. O trono acabou por cair nas mãos do então rei de Espanha, D. Filipe IV de Espanha, D. Filipe I de Portugal, dando inicio à dinastia Filipina.

D. Pedro de Castro, D. Diogo de Vasconcelos e D. Afonso de Menezes são três personagens fictícias que integram um grupo de conjurados que tentam arranjar soluções para que Portugal volte a ser o que era antes. Juntos, integram grande parte do livro, embora tenham também as suas aventuras individuais, levando-nos assim a conhecer esta parte da nossa História, numa leitura mais leve e cheia de momentos descontraídos.

O capitão Gualdim é um dos principais personagens, um justiceiro que desempenha um papel semelhante ao dos conhecidos Zorro ou Robin dos Bosques, tentando defender os mais fracos dos ataques dos mais fortes, sempre escondendo a sua identidade com a sua máscara. É a pedra no sapato dos terríveis espanhóis e um empecilho nos planos dos seus servidores.

Existem ainda as belas donzelas do reino, como é o caso de D. Laura de Noronha, também ela uma parte importante do livro, ou D.Teresa, uma personagem que desempanha cenários bastante desesperantes.

No decorrer da história a miséria de Portugal na altura é muito bem representada, tal como o domínio espanhol cada vez mais agressivo. Os conjurados retratados no livro representam o grupo clandestino formado no final da dinastia filipina, responsável pela restauração da independência de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640.

Eu gostei muito de ler este livro, apesar de ser um tradicional romance em que os bons são mesmo bons e ficam com as donzelas e os maus são mesmo maus e acabam derrotados e sem nada, aprendi imenso sobre esta época que o nosso país atravessou e levou-me até a pesquisar mais sobre o assunto, enriquecendo o meu conhecimento da nossa História.

 

Personagens preferidas: D. Pedro de Castro; D. Laura de Noronha

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Curiosidade: A expressão popular "Ficar a ver navios" deriva da atitude dos portugueses que, na altura, ficavam a ver chegar os navios a partir dos pontos mais altos da cidade, sempre à espera que D.Sebastião retornasse no seu cavalo branco para salvar Portugal dos espanhóis.

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A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende

Quinta-feira, 03.11.16

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Pontuação: 4*

 

Este é um livro que acompanha a família Trueba, interligada com a história do Chile, pano de fundo desta obra. Tentei escrever sem spoilers, mas foi impossível, embora sejam poucos e, na sua maioria, contextualizados na história do país e de conhecimento geral. Se não leram o livro, não leiam por favor o excerto que coloquei mais abaixo.

As três personagens principais são femininas e cada uma representa uma geração - Clara, Blanca e Alba, três nomes diferentes mas que se tornam no mesmo, numa alusão à pureza que sempre é associada à cor branca. Clara é a primeira delas, é a Clara clarividente que move objetos com a mente. É uma personagem muito interessante, das melhores do livro, e é maravilhoso ir acompanhando o seu desenvolvimento e a sua vida. Blanca e Alba são, respetivamente, filha e neta de Clara e continuaram a história nas gerações seguintes.

Logo nas primeiras páginas sabemos como foi construído este texto, baseado nos livros onde Clara registava a vida, e com vários detalhes acrescentados pelo patriarca Esteban Trueba.

A história começa décadas antes do golpe de estado do Chile, mas é a um terço do fim, que este livro nos traz o melhor de si quando, na década de 70, o partido socialista vence as eleições do Chile. Aqui começa um conceito histórico e muito interessante narrado através das memórias da própria Isabel Allende, filha do primo do presidente Salvador Allende.

O nome de Salvador Allende nunca nos é referido no livro, sendo representado apenas como Presidente, embora o tempo e o contexto histórico desta obra nos leve até ele.

Em 1973 dá-se o golpe militar, descrito neste livro com vários detalhes do que aconteceu na época, uma vez que Isabel Allende vivenciou este acontecimento.

Uma personagem assumidamente da direita e que defende o seu partido durante a maior parte do livro é Esteban Trueba. Em várias ocasiões cego pela riqueza e em outras incapaz de ver o que se apresenta mesmo à sua frente, tendo ainda apoiado a tirania da ditadura de Pinochet, ele representa as pessoas enganadas pela ilusão de poder.

Existe ainda um outro personagem importante e designado como Poeta, que através da sua história, presente no livro, descobrimos ser Pablo Neruda. O excerto seguinte representa um episódio muito triste da história, logo após o golpe militar. 

O Poeta agonizou na sua casa junto ao mar. Estava doente e os acontecimentos dos últimos tempos esgotaram-lhe o desejo de viver. A tropa revolveu-lhe a casa, deram voltas às sua coleções de búzios, conchas, borboletas, às suas garrafas e máscaras de proa resgatadas de tantos mares, aos seus livros, quadros, versos inacabados, à procura de armas subversivas e comunistas escondidos, até o seu velho coração de bardo começar a falhar. Levaram-no para a capital. Morreu quatro dias depois e as últimas palavras do homem que cantou a vida, foram: «Vão fuzilá-los! Vão fuzilá-los!». Nenhum dos seus amigos se pôde aproximar na hora da morte, porque estavam na clandestinidade, fugitivos, exilados ou mortos. A sua casa azul do cerro estava meio em ruinas, o piso queimado e os vidros partidos, não se sabia se era obra dos militares, como diziam os vizinhos, ou dos vizinhos, como diziam os militares. Ali o velaram os poucos que se atreveram a aparecer (...)

As pessoas iam em silêncio. De repente, alguém gritou roucamente o nome do Poeta e uma única voz em todas as gargantas respondeu «Presente! Agora e sempre!». Foi como se tivessem aberto uma válvula e toda a dor, medo e raiva desses dias saísse do peito e percorresse a rua, subindo como um clamor terrível até às negras nuvens do céu. Outro gritou «Companheiro Presidente!». E todos responderam num só lamento, pranto de homem: «Presente!». A pouco e pouco o funeral do Poeta transformou-se no ato simbólico de enterrar a liberdade.

Super bem escrito e que vale bastante a pena pelos acontecimentos aqui descritos e retirados das recordações da própria Isabel Allende, num livro que nos agarra desde as primeiras páginas.

O final é maravilhoso, a destruição e o renascimento unidos na procura de novos e melhores tempos. Sem dúvida um livro a reler.

 

Personagens preferidas: Clara Del Valle

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Nunca me Esqueças - Lesley Pearse

Sexta-feira, 24.04.15

(Apenas contem revelações sobre o enredo que podem ser encontradas na sinopse)

 

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Título: Nunca me Esqueças

Autora: Lesley Pearse

Editora: Edições ASA

Edição/Reimpressão: 2008

Nº de Páginas: 432

 

 

 

 

 

"Até onde iria por amor?

Num dia…

Com um gesto apenas…

A vida de Mary mudou para sempre."

 

"Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary – filha de humildes pescadores da Cornualha – traçou o seu destino ao roubar um chapéu."

De uma das escritoras mais acarinhadas pelo público português, Nunca me Esqueças é um romance histórico, baseado numa história verídica, que retrata as condições desumanas em que viviam os prisioneiros em finais do século XVIII.

Mary é uma mulher inglesa cuja luta vai ficar para sempre escrita na História. Numa viagem para uma colónia de condenados, na Austrália, vê-se entre o sonho de poder começar de novo e o medo de não sobreviver a uma viagem tão dura. No novo continente tudo é desconhecido e Mary acaba por se apaixonar por quem lhe quer bem, batendo-se pelos seus sonhos sem qualquer tipo de reserva.

É um livro caracterizado como romance, mas não é, ao contrário do que a própria capa do livro sugere, uma história "cor-de-rosa". É uma história contada num tom muito realista, com descrições bem conseguidas da personagem principal e dos seus verdadeiros sentimentos, das condições miseráveis em que se vivia na altura e de todos os locais pelos quais Mary passou durante a sua pena.

É um livro bastante emocionante e que nos marca pelas lições de vida que transmite e que tanto nos fazem refletir até ao final.

Pessoalmente fiquei muito comovida e também imensamente chocada com algumas das cenas descritas que fizeram parte da vida real desta heroína que é uma mulher tão lutadora.

É um livro facilmente devorável, que recomendo.

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