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5 Contos | Projeto Grimm

Sexta-feira, 29.12.17

Os primeiros cinco contos já foram lidos. Gostei mais de uns do que de outros, alguns têm finais felizes e outros têm finais tristes, mas todos têm uma certa dose de magia. No final de cada conto, existem notas que enumeram as alterações que cada um foi sofrendo e as variações de cada tradução.

 

O Rei dos Sapos, ou Henrique-de-Ferro

Conta a história de uma princesa mimada que brincava perto de um rio atirando uma bola de ouro ao ar. Um dia a bola cai na água e afunda-se, o que deixa a princesa muito triste. Aparece um sapo que se oferece para a ir buscar em troca de uma série de favores.

 

Neste caso, e ao contrário do que estamos habituados, não é necessário praticar apenas boas ações para atingir o tão famoso "e viveram felizes para sempre".

 

A União do Gato e do Rato

Fala-nos de um gato e de um rato que decidiram viver juntos. Para se precaverem contra o inverno, arranjam um pote de banha que escondem na igreja para utilizarem quando acabarem as restantes provisões. No entanto, nem tudo corre como planeado.

 

Talvez existam animais que não nasceram para se relacionar. Nas notas do final do conto, ficamos a saber que existem variações das personagens deste, como por exemplo a raposa e o galo, entre outros.

 

A Filha de Maria

Traz-nos a história de uma menina que nasceu no seio de uma família pobre. Um dia, para ajudar esta família, a Virgem Maria desce do céu e oferece-se para tomar conta da menina. Lá em cima, a criança depara-se com várias portas e é prevenida de que existe uma que não pode abrir em situação alguma.

 

Figurativamente, "a curiosidade matou o gato" aplica-se. Afinal, quando dizemos às crianças para não fazerem alguma coisa, já se sabe o que elas fazem. Fala também de pecado e de como quem mente é castigado e quem se arrepende pode ser perdoado.

 

Conto do Rapaz que Fugiu para Aprender a Ter Medo

Este conto traz-nos a história do conhecido João Sem-Medo. Eu confesso que já tinha ouvido falar da personagem, mas não conhecia a sua história.

 

João é um rapaz que não sabe o que é ter medo. Ao longo do conto são-lhe apresentados vários testes de coragem com o intuito de lho causar.

 

O conto tem várias versões e estes testes de coragem também podem variar consoante as traduções.

 

O Lobo e os Sete Cabritinhos

Sete cabritinhos ficam sozinhos em casa enquanto a velha cabra sai para a floresta à procura de comida. Antes de sair, avisa os cabritinhos para terem cuidado com o lobo e ensina-lhes algumas formas de o reconhecer caso ele se tente disfarçar.

 

Este já conhecia superficialmente. Fala da aflição maternal perante o perigo que ameaça os filhos e de como uma mãe sempre fará tudo para os proteger. 

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Memória das minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez

Sábado, 23.12.17

"No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem"

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Memórias das Minhas Putas Tristes é o segundo livro que leio deste autor. Gabriel García Márquez foi um escritor e jornalista Columbiano que faleceu em 2014 com 87 anos, no México. Ganhou o prémio Nobel da Literatura em 1982 e é um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo. A sua obra mais popular é Cem Anos de Solidão.

 

Este livro traz-nos as vivências de um cronista e crítico musical que acaba de fazer noventa anos e decide contar as suas histórias num pequeno livro. Diz-nos que nunca fez sexo sem pagar e quer ter uma noite de amor com uma adolescente virgem para comemorar o seu aniversário.

 

O autor transmite-nos reflexões sobre vários temas. Prostituição e Pedofilia. Solidão. Velhice, Amor e Morte. Um dos temas mais abordados será o amor platónico.

 

Narrado na primeira pessoa, mostrou-me um estilo de escrita que não encontrei no livro que li anteriormente a este, O Amor nos Tempos de Cólera. Ficamos dentro da cabeça do protagonista, tão próximos dele que sabemos na perfeição tudo o que ele está a sentir.

 

Senti no início alguma resistência em aceitar o facto de que uma menina de apenas catorze anos podesse eventualmente querer perder a virgindade com um velho de noventa. No entanto, há medida que o tempo passa e a história avança, dei por mim a torcer para que eles ficassem juntos.

 

É uma história de amor e está muito bem escrita. Recomendo a todos este livro que tem pouco mais de cem páginas. Lê-se muito bem e entrei na história muito facilmente.

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Dezanove Minutos, de Jodi Picoult

Sexta-feira, 15.12.17

"Quando você não se encaixa, se torna super-humano. Consegue sentir os olhos de todo mundo em você, grudados como velcro. Consegue ouvir um sussurro sobre você a um quilómetro de distância. Até consegue desaparecer, mesmo quando parece que ainda está no mesmo lugar. Consegue gritar e ninguém escuta nada. Você se torna o mutante que caiu no barril de ácido,o Coringa que não consegue tirar a máscara, o homem biônico que não tem membros, mas tem o coração intacto. Você é a coisa que costumava ser normal, mas isso faz tanto tempo que você não consegue lembrar nem como era."

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Jodi Picoult é uma escritora norte-americana, autora de vários livros que vendem por todo o mundo. Tem-me conquistado ao longo deste ano, através do projeto Um ano com a Jodi. As capas dos livros enganam, não são romances cor-de-rosa. São histórias que podem ser reais e que abordam temas atuais e que, na sua maioria, entram em conflito com a ética.

 

Este livro traz-nos a história de Peter Houghton, um rapaz como tantos outros, com o seu próprio jeito de ser. Um rapaz que usa óculos, sem grandes aptidões para o desporto e com uma mãe protetora. Um rapaz que é intimado, gozado e posto de parte diariamente, apenas por ser quem é.

 

"Dá para sentir as pessoas olhando fixamente; é como o calor que sobe do asfalto durante o verão, como uma cutucada nas costelas. Você não precisa ouvir um sussurro para saber que é sobre você. Eu costumava parar em frente ao espelho do banheiro para ver o que eles ficavam olhando. Queria saber o que fazia a cabeça das pessoas se virar, o que eu tinha que era tão incrivelmente diferente. A princípio, não consegui identificar. Quer dizer, era apenas eu. Mas aí, um dia, quando me olhei no espelho, eu entendi. Olhei em meus próprios olhos e me odiei, talvez tanto quanto todos eles. Foi o dia em que comecei a acreditar que talvez eles estivessem certos."

 

Peter decide vingar-se e leva para a escola armas que tem escondidas em casa há vários meses. Neste ponto, acontece algo parecido com o massacre de Columbine.

 

 

Ler este livro aperta o coração. Os abusos sofridos por Peter mexeram muito comigo. Simpatizei com ele e revi-me em algumas das situações, voltei ao tempo em que o bullying era frequente na adolescência. Nunca vi ninguém ser espancado, trancado em armários ou preso com a cabeça na sanita. Por outro lado, insultos, empurrões e cuspidelas eram frequentes.

 

Nesta história, Peter arranjou uma forma de acabar com os abusos, mas qual será o impacto na vida dos habitantes de Sterling? Várias outras questões são levantadas durante a leitura. O que implica ser diferente no mundo dos adolescentes? O que acontece se uma vítima tentar ripostar? Alguém tem o direito de julgar outra pessoa? Como lidar com um filho que já não conhecemos? Alguém que conhecemos desde sempre pode tornar-se um estranho em dezanove minutos?

 

Os capítulos são divididos em várias alturas, tendo títulos como Um mês depois ou Dezassete anos antes que se referem à ação principal do livro. Com estas viagens no tempo, Jodi Picoult consegue levar-nos de um passado feliz para um presente caótico em poucos minutos. Acompanhamos a vida de Peter e a forma como esta se foi deteriorando ao longo do tempo.

 

Apesar de o tema principal ser o Bullying, vários outros são abordados. A gravidez na adolescência. O adultério e o não assumir as consequências. A violência no namoro. 

 

As personagens são todas importantes e fulcrais para o desenvolvimento da história. Bem construídas, representam adolescentes que se encontram em qualquer escola e pais que se encontram em qualquer casa.

 

O final é muito bom e leva-nos a pensar em tudo o que se passou ao longo do livro. Revivemos aquilo que lemos nos outros capítulos e conseguimos arranjar motivos. Não foi uma completa surpresa, mas mesmo assim foi bom.

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O Barão de Lavos, de Abel Botelho

Domingo, 03.12.17

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Abel Botelho não é um escritor muito conhecido. Português, viveu entre finais do séc. XIX e início do séc. XX. Escreveu vários livros de poesia, peças de teatro e romances, onde se insere O Barão de Lavos.

 

Ouvi falar deste livro recentemente, neste vídeo do Hugo, no canal O Aprendiz de Leitor.

 

Em conjunto com outros quatro, O Barão de Lavos pertence a uma série escrita por Abel Botelho e denominada Patologia Social, a parte da sua obra que representa o Neo-realismo, ou seja, a observação fiel da realidade e caracterização de fenómenos sociais que eram comuns na época. Neste caso, o pano de fundo será Lisboa, a capital de Portugal e cidade de maior prestígio. Os temas predominantes neste conjunto de livros são a homossexualidade, a prostituição, luta da classe proletária, o adultério e a política.

 

Centra-se na história de Sebastião de Castro e Noronha, o nosso protagonista e Barão de Lavos. Excêntrico, nobre e descendente de duas das famílias mais influentes do país, tem a obsessão de encontrar o corpo perfeito e de o desenhar, procurando em zonas apinhadas de gente, como é o caso do circo.

 

"Dezenas de rapazes, de mulheres, de rapariguitas mesmo, tinham vindo àquela casa poisar perante a sua obstinação doentia. Perscrutinava ele na rua uma mulher fácil ou um garoto complacente que lhe parecesse deviam ter aquele desvio anatómico? ... Não os largava enquanto não conseguisse, a impulso de astúcia e de dinheiro, conduzi-los à Rua da Rosa e analisar-lhes a nudez."

 

Assim, encontra Eugénio, um efebo de 15 anos e desprezado pelos pais que dorme em qualquer esquina, com quem inicia uma relação e ao qual arranja uma das suas casas para viver. À medida que o tempo passa, o Barão vai ficando cada vez mais à mercê de Eugénio, que o explora financeiramente e o vai deixando mais pobre a cada dia.

 

Publicado em 1891, este é o primeiro livro da série que referi acima e retrata a homossexualidade e apresenta cenas de pedofilia, embora eu pense que na altura o objetivo do autor era apenas apresentar o primeiro tema, uma vez que os dois eram dissociáveis no séc. XIX. A homossexualidade não é apresentada como sendo natural, mas como uma doença, causada pela situação familiar ou pelas vivências sociais, e que não pode ter outro desfecho além da degeneração e destruição de quem a pratica.

 

Imagino que a publicação desta obra tenha causado grande escândalo no seio da sociedade conservadora da altura, tendo em conta os temas tabu que aborda.

 

Não é um livro recomendado para aqueles que fogem de descrições longas e detalhadas. Muitas aparecem neste volume. No entanto, a história vale a pena, o tom de crítica social encontra-se em cada capítulo. Além disso, é um livro que se encontra facilmente em formato digital, pelo que vale sempre a pena tentar conhecê-lo.

 

Ler os Nossos: um projeto da Cláudia, do blog e canal a mulher que ama livros.

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As Intermitências da Morte, de José Saramago

Quinta-feira, 30.11.17

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José Saramago foi o único escritor português galardoado com o Nobel da Literatura, em 1998. Foi merecido. Escreveu vários romances, crónicas, contos e até alguns livros de poesia e contos infantis.

 

As Intermitências da Morte foi o terceiro livro que li do autor, tendo lido já há alguns anos Caim e, mais recentemente, Ensaio Sobre a Cegeira.

 

Este livro fala da morte.

 

"No dia seguinte ninguém morreu."

 

A frase inicial desta obra é um ponto de partida que nos deixa desde logo intrigados. A partir daqui Saramago relata-nos, no seu estilo carregado de ironia e sarcasmo, as reações da sociedade e de quem a governa, da igreja e do clero, dos hospitais, das agencias funerárias e até das seguradoras ao súbito desaparecimento da morte.

 

Várias reflexões podem ser feitas ao longo desta leitura, onde Saramago vai divagando acerca da importância da vida e da morte e da forma como as duas se conjugam.

 

Os moribundos, ou seja, aqueles que não podem morrer mas estão em tal estado que também não têm condições para viver, são constantemente focados. As discussões e problemas que criam para a família e as soluções que acabam por se encontrar são bastante escrutinadas, num tom de crítica social acentuado a cada palavra.

 

Em páginas mais avançadas, as personagens deixam de ser tão subjetivas e passam a ser bem definidas, apesar de nunca termos acesso a um nome próprio. O autor foca aqui a morte e o violoncelista, um personagem fulcral na história.

 

A morte acaba por ser humanizada e igualada a todos nós. Todas nós, pois aqui a morte é representada como uma personagem feminina.

 

A escrita do autor já me era familiar e não passei por aquele característico período de adaptação. A forma como ele escrevia, apenas usando como pontuação alguns pontos finais e muitas vírgulas, poderá não ser adaptada a todos mas, como ele próprio disse uma vez, é a forma como as pessoas falam, a forma como as histórias são contadas.

 

O final do livro é maravilhoso. Se tinha dúvidas entre as quatro e as cinco estrelas, este final dissipou-as de vez.

 

Leiam este livro. Leiam Saramago. Leiam os nossos.

 

Ler os Nossos: um projeto da Cláudia, do blog e canal a mulher que ama livros.

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Uma Melodia Inesperada, de Jodi Picoult

Sábado, 25.11.17

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Esta foi mais uma leitura para o projeto "Um ano com a Jodi".

 

Zoe Baxter tem apenas um sonho: ser mãe. Os seus problemas de infertilidade, aliados aos dos seu marido, Max Baxter, tornam este sonho difícil de realizar. Após várias tentativas falhadas de fertilização in vitro e vários abortos, Zoe sofre várias desilusões e a tragédia acaba com a pouca felicidade que tinha.

 

Vanessa é psicóloga numa escola. A certa altura, propõe a Zoe trabalhar com uma das alunas, Lucy, que se encontra com uma depressão, após várias tentativas de suicídio.

 

Os temas deste livro são fortes. A moralidade e a ética estão, como sempre, presentes. Temos por um lado a Igreja da Glória Eterna, extremamente conservadora. Por outro lado, temos temas como a homossexualidade e a depressão.

 

A terapia musical também é um tema muito interessante presente neste livro. A utilização da música em contexto clínico, que tem como objetivo ajudar pacientes com problemas de saúde mental.

 

O final é previsível. Algumas pontas foram deixadas soltas, o que me deixou aborrecida. No geral, é uma leitura agradável.

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Dom Casmurro, de Machado de Assis

Quarta-feira, 22.11.17

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Machado de Assis foi um escritor brasileiro, considerado por muitos um dos maiores nomes da literatura brasileira. Dom Casmurro é um dos seus muitos títulos, publicado em 1899. Nunca tinha lido nada do autor, sendo portanto este o primeiro contacto que tive com a sua escrita. Foi o clássico escolhido para o Clube dos Clássicos Vivos, nos meses de Setembro e Outubro.

 

Traz-nos a história de Bentinho, apenas sob a sua perspetiva, que se apaixona por Capitu durante a adolescência. A sua mãe prometeu que ele iria para o seminário e Bentinho inicialmente aceitou bem a ideia, mas este amor pela sua amiga de infância vem colocar uma série de dúvidas na sua cabeça.

 

Fala-nos de ciúme e tem nuances não conclusivas de traição, que criam várias discussões entre os amantes deste clássico. A narração na primeira pessoa torna a história parcial e subjetiva, podendo levar a diferentes interpretações.

 

Este livro é dividido em capítulos muito curtos, o que nos proporciona um ritmo de leitura rápido. A história é envolvente e a escrita do autor cativante.

 

O título do livro é desvendado logo no primeiro capítulo.

 

"Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando!"

 

As personagens são na sua maioria interessantes e importantes para a história. Bento Santiago, ou Bentinho, é um homem solitário, ingénuo e sensível, criado apenas pela sua mãe extremamente protetora. Capitolina, ou Capitu, é dona de uma personalidade forte, muito inteligente e extrovertida, o completo oposto de Bentinho.

 

Os locais assinalados são narrados detalhadamente, levando-nos a imaginar o cenário com bastante pormenor.

 

Apesar de todas as dúvidas, divergências e opiniões diversas, Dom Casmurro é um clássico da literatura brasileira que merece ser lido.

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Harry Potter e os Talismãs da Morte, de J. K. Rowling

Domingo, 19.11.17

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E finalmente, chegou a opinião do último livro desta maravilhosa série que tantos marcou na minha geração, incluindo eu própria.

 

Começamos por nos despedir dos Dursley, que viajam para a segurança de uma casa protegida pela Ordem, muito perto da data em que Harry completará os 17 anos, atingindo assim a maioridade e quebrando o encantamento criado pela sua mãe, quando se sacrificou para o salvar, e continuado pela sua tia, de cada vez que o aceitava em sua casa para passar os Verões.

 

Duas mortes dolorosas são anunciadas logo nas primeiras páginas, deixando-nos desde o início com o coração nas mãos. O clima de perigo continua e mantêm-se praticamente durante todo o livro. Várias outras mortes serão anunciadas ao longo das restantes páginas.

 

A profecia que conhecemos no quinto livro paira agora sobre a cabeça de Harry e guia todos os seus passos. Afinal "nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver".

 

A jornada começada por Dumbledore é agora continuada por Harry, sempre na companhia dos seus grandes amigos Ron e Hermione. No entanto, a procura por Horcruxes vai-se tornando cada vez mais difícil e as formas de os destruir são escassas. Quem poderá ajudá-los?

 

As amizades são postas à prova, a luta está cada vez mais próxima. A morte aparece, uma e outra vez. J. K. Rowling, porquê?

 

E os Talismãs da morte, que dão o título ao livro? Aquele que os reunir será o Senhor da Morte, mas será que são reais ou apenas um conto para crianças?

 

Muitos são os mistérios que vão aparecendo ao longo da história, muitas as revelações que são feitas. Várias pontas soltas são unidas. Percebemos coisas que antes não entendíamos.

 

A pior parte é ser o fim. O fim desta história mágica que cresceu comigo e com tantos outros e que me acompanhou durante toda a minha adolescência.

 

 

 

Nos filmes, apesar de serem dois, várias cenas foram cortadas. Senti falta de conhecer a sala comum dos Ravenclaw, com o seu complicado enigma para resolver à entrada. Também faltaram os elfos domésticos, liderados por Kreacher, a lutar contra os devoradores da morte na Batalha de Hogwarts, sem que ninguém lhe ordenasse. Faltou a história de Dumbledore.

Mas enfim, não se pode negar a qualidade óbvia destas adaptações.

 

"Era uma vez três irmãos que caminhavam por uma estrada solitária e sinuosa ao crepúsculo.

A certa altura, os irmãos chegaram a um rio demasiado fundo para passar a pé e demasiado perigoso para atravessar a nado. Contudo, esses irmãos eram exímios em artes mágicas, por isso limitaram-se a agitar as varinhas e fizeram aparecer uma ponte sobre as aguas traiçoeiras. Iam a meio desta quando encontraram o caminho bloqueado por uma figura encapuzada.

E a Morte falou-lhes. Estava zangada por ter sido defraudada em três novas vítimas, pois normalmente os viajantes afogavam-se no rio. Mas a Morte era astuta. Fingiu felicitar os três irmãos pela sua magia e disse que cada um deles havia ganho um prémio por ter sido suficientemente esperto para a evitar.

E assim, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu uma varinha mais poderosa que todas as que existissem: uma varinha que vencesse sempre os duelos, uma varinha digna de um feiticeiro que vencera a Morte! Portanto a Morte foi até um velho sabugueiro na margem do rio, moldou uma varinha de um ramo tombado e deu-a ao irmão mais velho.
Depois, o segundo irmão, que era um homem arrogante, decidiu que queria humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de trazer outros de volta da Morte. Então a Morte pegou numa pedra da margem do rio e deu-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra teria o poder de fazer regressar os mortos.
E depois a Morte perguntou ao terceiro irmão, o mais jovem, do que gostaria ele. O irmão mais novo era o mais humilde e também o mais sensato dos irmãos, e não confiava na Morte. Por isso, pediu qualquer coisa que lhe permitisse sair daquele local sem ser seguido pela Morte. E esta, muito contrariada, entregou-lhe o seu próprio Manto de Invisibilidade.
Depois a Morte afastou-se e permitiu que os três irmãos prosseguissem o seu caminho, e eles assim fizeram, falando com espanto a aventura que tinham vivido, e admirando os presentes da Morte.
A seu tempo, os irmãos separaram-se, seguindo cada um o seu destino.
O primeiro irmão continuou a viajar durante uma semana ou mais e, ao chegar a uma vila distante, foi procurar um outro feiticeiro com quem tinha desavenças. Naturalmente, com a Varinha do Sabugueiro como arma, não podia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Abandonando o inimigo morto estendido no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem onde se gabou, alto e bom som, da poderosa varinha que arrancara à própria Morte, e que o tornava invencível.
Nessa mesma noite, outro feiticeiro aproximou-se silenciosamente do irmão mais velho, que se achava estendido na sua cama, encharcando em vinho. O ladrão roubou a varinha e, à cautela, cortou o pescoço ao irmão mais velho.
E assim a Morte levou consigo o irmão mais velho.
Entretanto, o segundo irmão viajara para sua casa, onde vivia sozinho. Aí, pegou na pedra que tinha o poder de fazer regressar os mortos, e fê-la girar três vezes na mão. Para seu espanto e satisfação, a figura da rapariga que em tempos esperava desposar, antes da sua morte prematura, apareceu imediatamente diante dele.
No entanto, ela estava triste e fria, separada dele como que por um véu. Embora tivesse voltado ao mundo mortal, não pertencia verdadeiramente ali, e sofria. Por fim, o segundo irmão, louco de saudades não mitigadas, suicidou-se para se juntar verdadeiramente com ela.
E assim a Morte levou consigo o segundo irmão.
Mas embora procurasse durante muitos anos o terceiro irmão, a Morte nunca conseguiu encontra-lo. Só ao atingir uma idade provecta é que o irmão mais novo tirou finalmente o Manto de Invisibilidade e o deu ao seu filho. E então acolheu a Morte como uma velha amiga, e foi com ela satisfeito e, como iguais, abandonaram esta vida."

 

 

 

Opiniões anteriores:

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, de J. K. Rowling

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, de J.K.Rowling

Harry Potter e o Cálice de Fogo, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling

Harry Potter e o Príncipe Misterioso, de J. K. Rowling

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Harry Potter e o Príncipe Misterioso, de J. K. Rowling

Quinta-feira, 16.11.17

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Chegámos à sexta leitura da saga Harry Potter. Voldemort voltou mesmo e já não há especulações sobre o seu regresso. Já nem o Ministério da Magia o pode negar.

Harry volta à escola para o seu sexto ano a aprender magia, onde pensa não conseguir prosseguir o seu sonho de se tornar Auror, uma vez que teve apenas um Excede as Expetativas no seu exame do ano anterior e o professor Snape não aceita menos que Brilhantes nas suas turmas do sexto ano. No entanto, o novo professor Horace Slughorn aceita alunos que tenham tirado EE nos seus NPF's.

 

Snape, o antigo professor de Poções, encontra-se agora com outro cargo na escola de magia de Hogwarts, mas será isto um bom presságio?

 

De entre os muitos mistérios que vão aparecendo ao longo do ano, Harry encontra-se na posse de um livro revelador de poderosos e perigosos feitiços. Na parte inferior da contracapa apenas se lê "Este Livro é Pertença do Príncipe Meio-Sangue". Mas quem será realmente este príncipe? E por que motivo escreveu todos aqueles feitiços num livro de estudo?

 

Várias revelações são feitas, o passado de Lord Voldemort é descortinado, desde o tempo em que era ainda conhecido por Tom Riddle.

 

A relação de Harry e Ginny evolui, torna-se mais forte. Nada disto aparece no filme.

 

Novas referências são adicionadas a este já tão vasto mundo mágico. O Juramento Inquebrável, um encantamento que sela uma promessa de um feiticeiro a outro, sendo que se a mesma não for cumprida, quem falhou morre.

 

Encontramos a Amortencia, a poção de amor mais forte do mundo, que tem um cheiro diferente para cada um conforme aquilo que mais nos atrai.

 

Horcrux. Um objeto criado por magia negra, que guarda um pedaço da alma do feiticeiro que o criou. Para conseguir criar um, é necessário cometer um crime que vai contra a Natureza e que mutila a alma: matar um ser humano. Quando um Horcrux é feito, o feiticeiro que o criou fica protegido contra a morte, e mesmo que o seu corpo seja destruído, a sua alma permanecerá viva.

 

O clima pesado e negro iniciado nos livros anteriores continua e torna-se cada vez pior. 

 

 

O filme. Bem, nem sei o que dizer. É sem dúvida o pior de todos, em questões de adaptação. Vários episódios importantes foram cortados, enquanto muitas cenas desnecessárias foram adicionadas.

 

Opiniões anteriores:

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, de J. K. Rowling

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, de J.K.Rowling

Harry Potter e o Cálice de Fogo, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling

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Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling

Segunda-feira, 13.11.17

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O final do livro anterior veio mudar forçosamente a linha desta história. Afinal, Lord Voldemort voltou a erguer-se, agora em carne e osso, tal como Harry testemunhou. No entanto, o Ministério da Magia não acreditou nele e nega o regresso do feiticeiro negro. 

 

A narrativa começa em Privet Drive, onde Harry passa a maior parte dos seus Verões, na casa dos tios Petúnia e Vernon. Longe de tudo e todos, não sabe o que anda Voldemort a tramar ou o que está a ser feito para o travar. O seu primo, Dudley, e o próprio Harry, são emboscados num beco por dois Dementors, e Harry vê-se obrigado a quebrar as regras da escola e usar magia para se defender. 

 

Do outro lado, Voldemort e os seus fiéis seguidores encontram-se a reunir forças e a preparar o seu regresso ao poder, mesmo debaixo das barbas do Ministério, onde já se infiltraram.

 

Apesar da recusa do Ministro da Magia em aceitar o regresso do feiticeiro mais temido de todos os tempos, uma sociedade secreta, conhecida por Ordem da Fénix e criada por Dumbledore nos tempos da primeira guerra, voltou a juntar-se e luta agora nas sombras contra os estragos dos Devoradores da Morte, protegendo aqueles que precisam de proteção e ajudando aqueles que precisam de ser ajudados.

 

O regresso à escola é marcado pela presença de uma nova professora de Defesa contra as Artes Negras, Dolores Umbridge. Uma mulherzinha pequena e atarracada, enviada pelo Ministério, sádica e desprezível, que não permite o uso de magia nas suas aulas, insistindo que não existe nenhum perigo a ser combatido. No entanto, os alunos que querem realmente aprender não ficam quietos e treinam magia às escondidas.

 

Neste que é o maior volume de toda a série, J. K. Rowling mostra-nos o papel da política no mundo dos feiticeiros, muito falada ao longo da história.

 

A narrativa é ligeiramente mais morosa, mas nunca aborrecida ou maçadora. Apenas existem pormenores mágicos que precisam de atenção e de descrições mais detalhadas.

 

As personagens continuam a ser fenomenais. Sempre bem construídas e sempre a surpreender, crescem e mostram mais das suas muitas camadas. Neville Longbotton foi uma agradável surpresa. Luna Lovegood é uma nova personagem encantadora, que vive com a imaginação a trabalhar ao máximo. Bellatrix Lestrange, uma das mais fiéis devoradoras da morte, é-nos também apresentada, deixando o caos à sua passagem.

 

A morte também é representada. J. K. Rowling deixa-nos com o coração apertado quando nos leva uma das personagens preferidas deste mundo mágico, que ainda tinha tanto para mostrar. Mas a vida não é justa, nem aqui no mundo dos Muggles, nem lá no mundo dos feiticeiros.

 

 

O filme tem muitas diferenças. Várias personagens foram cortadas e várias cenas também. Neville assume também o papel de Dobby, fazendo as falas que deveriam pertencer ao elfo. A amiga de Cho, Marietta, que no livro também pertence ao exército de Dumbledore, é cortada. Cho assume as suas falas e ações, adaptadas à sua personagem. Não sei se este não é o filme com mais diferenças.

 

Opiniões anteriores:

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, de J. K. Rowling

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, de J.K.Rowling

Harry Potter e o Cálice de Fogo, de J. K. Rowling

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