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BEDA #17: O Luto de Elias Gro

Quinta-feira, 17.08.17

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"As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largarmos. Esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentarmos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causámos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa."

 

Este é o oitavo romance de João Tordo e o primeiro da minha lista de leituras do autor. É também o primeiro dos três livros pertencentes à Trilogia dos Lugares sem Nome.

O nosso narrador e protagonista, do qual não conhecemos o nome, encontra-se completamente entregue ao álcool depois da perda de uma filha e de uma separação dolorosa. Refugia-se num farol de uma pequena ilha perdida no atlântico, da qual também não sabemos o nome, mas onde "viviam menos de cem pessoas e que, na época balnear, os turistas a visitavam em grupos muito pequenos"

Aqui encontra personagens inesperadas que o levam a descobrir mais sobre aquela ilha perdida. A sua busca pela solidão é interrompida por um pastor que decide trazer à tona uma casa perdida no fundo do mar, uma criança curiosa de onze anos que sabe de cor os nomes de todos os ossos do corpo humano ou um escritor dinamarquês que já faleceu mas deixou para trás os seus diários.

Solidão, luto, isolamento, dor ou perda são alguns dos temas tão bem retratados neste livro.

É um dos livros mais filosóficos que já li e penso ainda não ter crescido o suficiente para entender toda a mensagem que este tenta passar.

Talvez por ser tão poderosa, custou-me entrar e habituar-me à escrita do autor. Muitíssimo rica, digna de um bom escritor português. Ora vejam:

 

"Mais tarde, durante os meus passeios, repararia nas plantações imensas de girassóis que se abriam à luz e se fechavam quando a noite se punha; repararia nas nuvens brancas que, por vezes, voavam tão baixo que pareciam servir de chapéu àquele pedaço de terra; repararia que, do lado ocidental, numa encosta que conduzia aos casebres e esquifes dos pescadores, havia um cemitério onde os habitantes enterravam os seus; e repararia na igreja, embora essa fosse uma visão difícil, com a qual lutei durante muito tempo.

Demorámos muito a atravessar a ilha. O carro morria a cada duzentos ou trezentos metros, e Heinrich tornava a rodar a chave na ignição e o motor ressuscitava. A certa altura, apontou para o lado direito. À distância, assentes num vale, aglomeravam-se vinte e cinco ou trinta casas azuis e vermelhas, algumas brancas, de telhados em tesoura, dispostas num misterioso ordenamento que parecia não contemplar um centro. Algumas casas estavam voltadas para o mar; outras na direcção da estrada que conduzia à vila; outras ainda, de aspecto mais antigo, encarrilavam a norte, apontadas ao afunilamento da terra, onde o verde ia cedendo lugar à areia, e esta, por sua vez, conduzia a uma fileira de rochas que eram engolidas pelas águas."

 

Quero um dia reler, com mais maturidade, e perceber tudo o que este livro pode transmitir.

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BEDA #13: Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult

Domingo, 13.08.17

"Nasci porque um cientista conseguiu ligar os óvulos da minha mãe e os espermatozóides do meu pai para criar uma combinação específica de material genético precioso."

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Este foi mais um livro para o projeto Um Ano com a Jodi.

Brian e Sara têm uma família feliz e equilibrada com os seus dois filhos: Jesse e Kate. Aos três anos de idade, Kate é diagnosticada com LPA - Leucemia Promielocítica Aguda - uma variação rara da Leucemia com muitas complicações e probabilidade de sobrevivência muito baixa.

Para salvar a sua filha Kate, os seus pais decidem criar um bebé geneticamente compatível com ela para poderem utilizar as células do cordão umbilical e assim ajudar a Kate, o que dá origem ao nascimento da Anna.

O que começou por ser apenas uma doação de células do cordão umbilical sem qualquer interferência com a qualidade de vida da Anna, depressa se tornou em transfusões, transplantes e cirurgias frequentes. Aos treze anos de idade, Anna já tem um historial médico bem recheado sem nunca ter precisado ela própria de cuidados médicos.

Quando Kate é diagnosticada desta vez com insuficiencia renal, os pais dizem a Anna que esta terá de doar um rim à irmã. E é então que Anna decide dizer não, e instaura um processo legal contra os pais pelo direito do seu próprio corpo.

É um livro emocionante que nos mostra a história de uma família que vive diariamente com um problema sem solução. São-nos ainda revelados vários detalhes sobre esta doença e sobre as suas complicações, nota-se que foi feito um estudo prévio à escrita do livro.

Levanta várias questões complexas e aborda os já habituais temas controversos da ética e da moral que várias vezes se encontram nos livros desta autora - pelo menos naqueles que já li. Se por um lado a vida de Kate está em risco e só a irmã a pode salvar, por outro lado temos a Anna a enfrentar uma luta que não é sua, arriscando também ela a sua própria vida.

Os capítulos são divididos por pontos de vista dos personagem. Cada capítulo vai sendo contado da perspetiva de uma pessoa apenas, e essa pessoa vai variando. A escrita é simples e direta.

O final é surpreendente e imprevisível; trágico, tal como aconteceu no primeiro livro que li dela.

Recomendo.

 

 

Vi o filme recentemente. Achei que foi uma boa adaptação, embora várias partes do livro tenham sido alteradas. Senti falta do Jesse rebelde e perturbado do livro. A dor daquela família também considero melhor representada no livro. O final também foi alterado, é mais esperado e não é tão trágico.

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BEDA #9: O Enígma das Cartas Anónimas, de Agatha Christie

Quarta-feira, 09.08.17

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Este é o quarto livro que leio da Agatha Christie e continua sem me desiludir.

Neste livro conhecemos Jerry Burton, um homem que após um acidente grave é aconselhado pelo seu médico a refugiar-se num local sossegado, sem as distrações habituais da família ou dos amigos. E é isso que ele faz, ou pensa fazer, quando decide ir para a aldeia de Lymstock, na companhia da sua irmã Joana. A paz e sossego que ele esperava evaporam-se nos primeiros dias, quando recebe uma estranha carta com algumas acusações sobre ele e a irmã.

Inicialmente não lhe dá importância, pensando que é apenas algum habitante daquela aldeia que os considera intrusos. A trama começa a ganhar vida quando Jerry descobre que não foi o único a receber uma carta daquele género; aliás quase toda a aldeia já recebeu pelo menos uma. Quando uma mulher é encontrada morta em sua casa com uma carta amarrotada ao lado, já todos procuram saber quem é o misterioso autor daquelas histórias.

Afinal que mistérios esconde a pequena aldeia de Lymstock?

A ajuda chegará da conhecida Miss Marple, que aparece de visita a uma amiga habitante da aldeia e acaba por desvendar o caso.

Este é um livro com uma escrita muito acessível, que se lê muito rapidamente e que nos leva sempre a querer ler mais na ânsia de descobrir o enigma. O Jerry é o nosso narrador, e desvenda-nos os seus pensamentos e as suas perspetivas ao longo da história. 

Não consegui descobrir quem era o culpado antes de o ler. Os meus palpites saíram todos ao lado.

É pena que a personagem Jane Marple tenha aparecido já no final do livro, mesmo assim foi uma leitura interessante.

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BEDA #5: O Rouxinol, de Kristin Hannah

Sábado, 05.08.17

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O Rouxinol é um livro maravilhoso, que retrata a França na Segunda Guerra Mundial.

Isabelle e Vianne são irmãs. A primeira juntou-se à resistência, conspira contra a rendição da França e luta pelo regresso do país que conheceu. A segunda luta para manter a família unida enquanto espera pelo regresso do marido da guerra; e foi obrigada a receber soldados nazis debaixo do seu teto enquanto ajuda crianças judias como pode.

O pai destas duas irmãs foi um soldado na Primeira Grande Guerra que ficou marcado por tudo aquilo que presenciou, e desistiu de tomar conta das filhas quando a mulher sofreu uma morte prematura.

O ambiente vivido em França quando esta foi atacada pelas tropas alemãs após a falha da linha Maginot é muito bem descrito. Conseguimos sentir o medo da população de perto. Temos contacto com a França Livre e com a França Ocupada. Travamos uma luta interna, tal como a travaram aqueles que lá estiveram: ética vs. sobrevivência.

É várias vezes referido o nome de Edith Cavell, uma enfermeira britânica que tratava soldados sem se importar com as suas nacionalidades. Foi acusada de traição por ajudar aliados a chegar à zona neutra da Holanda e condenada à morte, mas nunca foi esquecida.

"Patriotism is not enough, I must have no hate in my heart" é uma das suas frases mais conhecidas.

Este livro é uma homenagem às sobreviventes da Segunda Guerra, que por tanto passaram. Mulheres como Vianne e mulheres como Isabelle. Mulheres que arriscaram a vida pelo seu país. Traz-nos a união de um período histórico trágico e doloroso com mulheres fortes que fazem tudo para proteger aqueles que amam e aquilo em que acreditam.

Um livro cheio de personagens marcantes e histórias de vida fortes.

Recomendo sem qualquer reserva.

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Sou o Número Quatro, de Pittacus Lore

Segunda-feira, 17.07.17

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Sou o Número Quatro é o primeiro livro de uma série entitulada Os Legados de Lorien, escrita por Pittacus Lore, um pseudónio dos escritores americanos Jobie Hughes e James Frey.

É um livro de ação e ficção científica, que fala sobre um tema que nunca tinha lido: extra-terrestres. Esteve no top de vendas dos EUA durante 18 semanas seguidas e foi a base para um filme que não chegou a ter muito sucesso.

John Smith é o número quatro dos nove lorianos que escaparam do seu planeta - Lorien - quando este se encontrava sob o ataque do vizinho Magadore. Estes nove jovens, juntamente com os seus guardiãos, refugiaram-se no planeta Terra, e estão protegidos por um encantamente que apenas permite que os mogadorianos os eliminem segundo a ordem estabelecida. Três deles já foram descobertos e neste livro conhecemos a perspetiva daquele que é o número quatro.

É um livro cheio de ação e reviravoltas e ainda com um espaço destinado ao amor jovem. A escrita é clara e direta, lê-se muito bem e esperamos sempre pelo que vem a seguir. O final é aberto claro, a convidar a leitura do segundo volume.

 

Adaptação cinematográfica

Em relação ao filme, vi-o algum tempo depois de ler o livro. A ação desenrola-se muito rapidamente, talvez até demais, e muitas das cenas do livro foram condensadas naquela hora e meia. Não se percebe bem de onde surgem os acontecimentos e, ao contrário do livro, não temos nada que nos explique o que vai acontecendo. Não gostei tanto.

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Compaixão, de Jodi Picoult

Terça-feira, 11.07.17

"Se o amor da sua vida lhe pedisse ajuda para morrer, que faria? Quando é que o amor ultrapassa os limites da obrigação moral? E o que é que significa amar verdadeiramente alguém?"

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ATENÇÃO: Alguns spoilers.

 

Este foi o segundo livro que li da autora e o primeiro livro do projeto Um ano com a Jodi, organizado pela Dora, pela Elisa e pela Isaura. Como já é normal na autora, ela traz-nos mais um tema controverso. 

Jamie MacDonald sufoca a sua mulher, Maggie, com uma almofada e apresenta-se na polícia. Maggie sofria de uma doença prolongada e não tinha qualquer tipo de esperança em recuperar.

A premissa do livro é muito interessante, e faz-nos pensar num tema que divide muitas opiniões: a Eutanásia. A Eutanásia é o ato de tirar a vida a alguém que sofre de uma doença incurável, e este livro leva-nos a pensar se esta será uma morte cruel ou um ato de compaixão, e questiona aquilo que é moralmente correto.

Por estas razões o livro torna-se interessante nos primeiros capítulos, quando queremos ver este tema mais explorado. No entanto, à medida que a leitura vai avançando, esse interesse vai-se perdendo cada vez mais. A premissa do livro, que sugere uma exploração entre a crueldade e a compaixão de se praticar a eutanásia, vai-se perdendo à medida que as páginas vão passando.

O tema promissor que a capa do livro nos promete perde-se pelo caminho e passa a ser um livro de reflexão sobre o amor, as formas de amar e o "70-30", que representam "alguém que ama e alguém que se deixa amar". 

Allie e Cam são um casal que também tem uma presença muito acentuada no livro. Namorados desde o liceu, ou lá perto, casados há anos, felizes? talvez. Depois aparece Mia, a assistente de Allie que vai acabar por encadear Cam.

Talvez o objetivo da autora fosse comparar o casamento de Jamie e Maggie que tinha tudo para ser perfeito e acabou depressa demais, com o casamento cheio de problemas de Cam e Allie, que apesar de tudo continua. Dois temas com tanto para escrever não poderiam ser encaixados no mesmo livro. Eutanásia e Adultério. Penso que daria um livro muito melhor se a autora se focasse apenas no primeiro.

Não simpatizei com nenhuma das personagens, um Cam antiquado onde tudo tem de ser como ele quer, uma Mia que não sabe bem o que quer, uma Allie completamente cega que não vê o que está mesmo à frente dos olhos dela. Quase no final, a Allie parece que se revolta, que pensa nela e por ela, no que ela quer e não no que ele quer, mas passado uns dias tudo volta atrás. Foi uma desilusão no meio daquela última réstia de esperança.

A escrita da autora é muito fluída e fácil de ler, no entanto existem algumas partes que a tornam aborrecida, como é exemplo a quantidade de vezes que são referidas as tradições da Escócia, que acabam por não interessar nada para a história, ou a excessiva referência às flores e àquilo que representa cada uma.

O final é onde a ação se torna mais dinâmica, no entanto acho que acaba por ser demasiado rápido.

Não me marcou. Não recomendo.

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O Artesão, de Carla Antunes

Segunda-feira, 26.06.17

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Este livro foi publicado em Março deste ano, com uma capa linda, e foi o livro de estreia da autora.

Como pano de fundo temos a Serra da Estrela e acompanhamos de perto a vida de uma vila pacata, escondida no meio da Serra, sem telefones, que se isola no Inverno quando a neve tapa todos os acessos.

A personagem principal é Nina, que vive no Covão, longe da aldeia. Nina foi abandonada em bebé à porta da igreja, até Sam a ir buscar e passar a tomar conta dela. A relação deles nunca foi fácil, no entanto, já em adulta, Nina prescinde das várias coisas associadas à juventude para tomar conta dele.

Gostei de ler este livro, houve com certeza ideias que poderiam ter sido mais trabalhadas, mas para um primeiro livro está muito bem, ainda por cima de uma autora portuguesa.

A história agarrou-me depois de alguns capítulos, quando a ação começou e a história ganhou formas. Houve várias reviravoltas e queria sempre saber o que iria acontecer a seguir, como as personagens iriam reagir ou como a história se iria desenrolar.

O ponto negativo é o facto de carecer de alguma revisão, houve certas alturas em que as frases não faziam sentido e isso é algo que pode ser facilmente evitado. 

O final não é atribulado, é calmo e reconfortante. Terminou pacificamente, como eu achei que iria terminar, é intuitivo mas isso não o torna frustrante. Neste livro, era assim que tinha de ser. A ação está no decorrer do livro.

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Breakfast at Tiffany's (Boneca de Luxo), de Truman Capote

Quinta-feira, 22.06.17

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Esta foi uma leitura para o Clube dos Clássicos Vivos. Foi um livro falado e debatido num encontro na feira do livro, mas infelizmente não consegui acompanhar a maior parte da discussão.

Tomar o pequeno-almoço na famosa Tiffany & Co era um dos sonhos da nossa protagonista, Holly Golightly, uma jovem atriz com um passado sofrido que foge para Nova Iorque e passa a viver uma vida de luxo.

 

"Nunca me vou habituar a nada, e quem se habituar mais vale estar morto."

 

Louca, ingénua, sedutora, vulnerável ou inconsequente são alguns dos adjetivos que caracterizam Holly, uma mulher que vive rodeada de gente mas que foge das verdadeiras amizades. Joe, o dono de um bar onde Holly costumava ir, e nosso narrador são os únicos que parecem preocupar-se com a jovem, ao contrário de todos os outros nova-iorquinos que apenas querem relações fúteis e curtas.

Holly é um "animal selvagem" que não se prende a ninguém e que anda continuamente "em viagem" à procura do seu sítio, da sua casa, que provavelmente nunca irá encontrar.

 

"Mas não podemos confiar o coração a um animall selvagem: quanto mais lhe damos, mais forte fica até ter força suficiente para largar a correr para a floresta. Ou voar para uma árvore. E depois para uma árvore mais alta. E depois para o céu."

 

Todos os seus pertences estão arrumados em caixas espalhadas pela casa, criando uma sensação de solidão permanente em torno da personagem.

 

"Eu não quero ter nada até saber que encontrei um sítio onde eu e as coisas nos completamos. Ainda não sei muito bem quando é que isso será. Mas sei como vai ser. (...) Como o Tiffany´s."

 

Muita gente viu representado neste livro, através da personagem Holly, a prostituição no século XIX, embora eu não possa dizer que tenha sentido isso. 

Este livro não tem uma história marcante, mas sim personagens marcantes. O que nos prende a atenção e o que nos faz querer continuar a ler é esta personagem maravilhosa criada por Capote com grande mestria. Holly Golighly é o livro. Um livro curtinho, e que no final nos deixa a querer ler mais, mas um ótimo livro. 

A escrita é muito limpa, objetiva e fácil de acompanhar. Muito simples, mas de uma forma que nos encadeia e prende.

Depois de ler o livro, decidi ver o filme. Não esperem que seja como o livro, porque não é. É baseado no livro sim, mas as diferenças são enormes. Gostei do filme também, embora tenha de ser visto fora do contexto do livro para se poder aproveitar. A personagem principal é mais doce e deixa-se levar mais facilmente pelas pessoas do que no livro. O nosso narrador ganha nome: Paul. É diferente, mas é bom e gostei da atriz Audrey no papel de Holly.

 

 

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História da Menina Perdida, de Elena Ferrante

Terça-feira, 13.06.17

"Esta manhã ponho o cansaço de lado e sento-me de novo à secretária. Agora que estou perto do ponto mais doloroso da nossa história, quero procurar na página um equilíbrio entre mim e ela que não consegui encontrar na vida, nem tão-pouco entre mim e mim." 

 

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O quarto livro da tetralogia napolitana. Acabou. Cheguei ao fim desta série maravilhosa e senti a mágoa da separação. Este livro foi vencedor do Prémio Livro do Ano Bertrand, que distingue “uma obra em prosa, seja romance, conto ou novela, editada no nosso país ao longo do último ano” e contou com mais de 20 mil votos. Não estou surpreendida.

O terceiro volume terminou com um dilema a decorrer na cabeça de Lenú e dava já para antecipar algumas das tragédias que o último volume iria trazer. 

Um dos muitos temas que a série aborda, os limites entre todos os 'cargos' que a mulher ocupa como esposa, trabalhadora, amante ou mãe, continua neste volume e as dificuldades de Lenú em conjugar todos eles são muito evidentes.

Há medida que o tempo vai avançando também nos damos conta de como se alterou a forma como são vistas as mulheres. Lenú representa uma mulher mais reprimida, que apesar de defender o feminismo não o aplica, continuando submissa à imagem de um homem, não se sente confiante com o que vai conquistando. E depois as suas filhas, muito mais confortáveis com o mundo em que vivem e muito mais seguras de si.

Lila é uma mulher forte, que se consegue adaptar, vencer e tornar-se numa pessoa importante sem nunca sair do seu bairro. A sua história não é bonita e envolve muito sofrimento, que sentimos juntamente com ela.

Neste livro também sentimos muito de perto a perda e a morte. As pessoas envelhecem, adoecem e existem vários momentos de sofrimento e tristeza ao longo do livro. Somos obrigados a dizer adeus a várias personagens.

No final, tudo voltou ao início, recomeçou, não foi um final fechado, muitas pontas foram deixadas em aberto por esta autora que se tornou a preferida de muita gente, incluindo eu própria.

Irei certamente ler mais livros dela, e em breve. Esta foi uma série maravilhosa, que todos deveriam ler e que espero um dia reler.

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Tudo, Tudo e Nós, de Nicola Yoon

Quarta-feira, 17.05.17

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Madeline Whittier é uma rapariga que acaba de chegar aos seus 18 anos. Toda a sua vida foi passada longe do resto do mundo porque ela vive com uma doença, designada SCID, ou seja, imunodeficiencia combinada grave. O seu sistema imunológico não se desenvolve e Madeline cria alergias a qualquer coisa e, de forma a evitar isso, vive fechada em casa desde pequena.

Os seus dias são muito monótonos, tem aulas pelo Skype, lê livros e à noite joga jogos com a mãe. É então que a casa ao lado é ocupada por uma família e Madeline conhece Olly. A partir daí, tudo fica diferente.

Comprei este livro no mês passado com a intenção de o ler antes de sair o filme. É um YA, um livro leve e que se lê muito rápido, dei por mim a querer ler sempre mais. A história é muito envolvente e a escrita simples e fluida.

É um livro lindo, não só a história como o próprio livro, cheio de excertos e imagens ou notas da protagonista. Fala-nos de amor, de risco e de força de viver. Traz-nos também contacto com depressão e violencia doméstica.

Nas últimas páginas houve uma reviravolta que não esperava e que me impediu de dar as cinco estrelas, no entanto não deixou de ser um livro que adorei ler.

 

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