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Small Great Things, de Jodi Picoult

Sábado, 14.10.17

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"But in spite of the ideology that split us into factions, we'd all come together one day of the year to celebrate: April 20, the birthday of Adolf Hitler."

(Mas apesar das ideologias que nos separaram, todos nos reuníamos um dia por ano para celebrar: 20 de Abril, o aniversário de Adolf Hitler.)

 

Li este livro no mês de Setembro, para mais uma etapa do projeto Um ano com a Jodi. Esta foi também a minha primeira leitura em inglês e correu muito bem.

Este livro traz-nos a história de Ruth, mãe de Edison e viúva de um homem que morreu na guerra; uma enfermeira obstetra com mais de 20 anos de experiência a trabalhar num hospital de Connecticut. Tudo corre bem, até ao dia em que o bebé de Brit e Turk nasce e Ruth tem a tarefa de tratar dele. Depois de algum tempo em que Ruth sente o ambiente pesado do quarto enquanto trata do pequeno Davis, Turk pede-lhe que chame a sua supervisora e não a deixa tocar mais no filho.

Brit e Turk são dois supremacistas e acreditam que os brancos são superiores às pessoas de qualquer outra origem racial. Pertencem a um grupo de pessoas que se juntam para promover o poder dos brancos.

 

"We turned toward each other. I looked her in the eye, unwavering, as we recited the Fourteen Words, the mantra David Lane created when he was running the Order: We must secure the existence of our people and a future for White children."

(Virámo-nos um para o outro. Eu olhei-a nos olhos, inabalável, enquanto recitavamos as Quatorze Palavras, o mantra que David Lane criou quando liderava a Ordem: devemos garantir a existência do nosso povo e um futuro para as crianças Brancas.)

 

Ruth é afro-americana e acaba por ser impedida de tocar naquele bebé, de fazer o seu trabalho e a sua função, num ato de racismo imenso, sem que ninguém pertencente à casa onde trabalha à mais de duas décadas a defenda ou apoie.

É um livro muito bem escrito que retrata várias formas de racismo, focando também muito pormenorizadamente o racismo passivo, o aceitar, o assistir e o não fazer nada. Prende logo desde as primeiras páginas, com personagens cheias de camadas e muito bem construídas.

Cada capítulo é narrado segundo o ponto de vista de cada uma de três personagens: Ruth, a nossa protagonista agro-americana; Turk, o nosso pai supremacista branco; e Kennedy, uma advogada que segue uma vida normal, e representa grande percentagem da da população branca, não se considerando racista.

O final é muito coerente, sem dramatismos, nada do que esperava vindo da Jodi. Foi melhor assim. 

Um livro muito bom que nos mostra que, mesmo sem o percebermos, todos nós temos comportamentos perconceituosos em certas alturas. Recomendo.

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Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Segunda-feira, 09.10.17

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Reli o primeiro livro. Pela enésima vez. Este é o primeiro livro de uma história que me marcou, me acompanhou e cresceu comigo.

Conta a história que já todos conhecem: Harry Potter, um jovem de 11 anos, recebe a sua carta para entrar na melhor escola de magia e feitiçaria - Hogwarts - e viver num mundo do qual nunca tinha ouvido falar. Os melhores anos da sua vida começam aqui, quando se afasta dos Dursley, os tios com quem vive e que parecem nutrir um ódio genuíno por ele. Nunca lhe contaram nada acerca da vida dos seus pais, que eram ambos feiticeiros, dizendo-lhe apenas que tinham morrido num acidente de automóvel.

Este ano, Harry Potter descobre finalmente o significado e os valores das palavras amizade e família, enquanto vive experiências únicas na companhia dos seus novos amigos - Ron Weasley e Hermione Granger.

Neste primeiro volume são-nos introduzidas as personagens principais e os locais mágicos mais frequentados.

Sou uma Potterhead, assumo, e tinha de voltar a este mundo. Voltarei mais vezes, claro. Para a próxima vez quero ler em inglês, sem traduções.

J. K. Rowling conseguiu criar um mundo onde entramos e facilmente nos perdemos. Não parece possível ter sido rejeitada tantas vezes. Tem uma capacidade enorme de transmitir para a sua escrita valores e sentimentos, através desta história que tanto encanta como ensina.

Foi maravilhoso voltar a entrar neste mundo e reencontrar-me com as personagens que me são tão familiares.

O primeiro livro é apenas o início e não é o melhor, mas um livro que tanto significado tem para mim e que tanto me marcou não podia ter menos que as cinco estrelas, mesmo tendo passado todos estes anos. É um livro introdutório, que nos dá a conhecer um universo diferente do nosso e que nunca mais iremos deixar. Tanto tempo esperei pela minha carta que nunca chegou.

Em questões de tradução, não está nada boa. Li este mesmo exemplar tantas vezes mas só agora, em adulta, dei por esta falha. Acredito que muito foi perdido do original para este. É também por isso que quero reler em inglês.

 

 

O filme está razoavelmente fiel ao livro. Existem várias cenas diferentes, mas nenhuma delas muda o curso dos acontecimentos. Os atores eram tão novos e isso transparece imenso. Continuo a gostar, claro. Irei sempre amar este mundo.

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BEDA #29: O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry

Terça-feira, 29.08.17

 

"Os homens já não têm tempo para conhecer o que quer que seja. Compram coisas feitas nos comerciantes. Mas como não existem comerciantes de amigos, os homens já não têm amigos."

  

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É um livro que quase toda a gente leu ainda em criança. Eu li-o agora, pela primeira vez. Já muito foi dito sobre ele, pelo que não me irei alongar.

Escrever livros infantis, ao contrário do que possamos imaginar, não é tarefa fácil. Significa conseguir escrever uma história que consiga captar a atenção dos mais pequenos e ainda que agrade aos crescidos.

Este é um livro muito bem escrito que nos mostra a perceção do mundo aos olhos de uma criança. Esta criança mostra-nos o quão ridículas podem ser as coisas que os adultos dizem e fazem. 

Aprendemos a ser criativos e a ver para além das primeiras impressões através do seu desenho de um elefante dentro de uma jibóia, que todos os crescidos pensaram que era um chapéu.

A sermos bons e fiéis para quem confia em nós, como o principezinho sempre foi para com a sua rosa.

A escrita é muito cativante e fluída. As ilustrações são lindas e acompanham-nos ao longo de todo o livro. Um livro obrigatório e recomendado para todas as idades, embora eu tenha pena de não ter tido a oportunidade de o ler em criança.

 

"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."

 

"Tornaste-te para sempre responsável por aquilo que cativaste."

 

"Corremos o risco de chorar um pouco se nos deixarmos cativar."

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BEDA #25: O Terceiro Gémeo, de Ken Follett

Sexta-feira, 25.08.17

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A cientista Jeannie Ferrami estuda gémeos e avalia através destes de que forma a tendência para a violência e agressão pode nascer com o indivíduo e depender da sua herança genética ou depender do meio onde são criados. Para isso, procura gémeos univitelinos (os comummente chamados de gémeos verdadeiros), mais particularmente gémeos separados à nascença.

Durante a sua investigação, depara-se com um caso singular: dois homens aparentemente gémeos univitelinos e perfeitos para a sua investigação, já que um deles se encontra preso e outro a estudar direito na universidade, são filhos de mães diferentes e nasceram em dias e hospitais diferentes. 

Será apenas um simples caso de adoção em que os pais optaram por não contar ao filho ou estará ela prestes a descobrir algo muito mais grandioso?

Este foi o meu primeiro contacto com o autor e fiquei bastante contente por conhecê-lo e por ler este livro. A sua escrita cativante e fluída, porém simples, prendeu-me desde as primeiras páginas. Quero certamente ler mais livros de Ken Follett.

São retratados vários temas ao longo do livro, cada um com a sua porção de importância para a história, que tornam a leitura muito interessante. Alzhaimer e a sua repercussão na família do doente, assédio sexual e violação, preconceito racial e social, eugenia ou corrupção no meio académico são alguns deles. O tema mais interessante e importante para a história só é referido mais perto do final, pelo que não o vou revelar para não estragar a leitura a ninguém, mas asseguro que vale a pena.

Há ainda lugar para o romance, a nossa protagonista acaba por se apaixonar por um dos gémeos inscritos para a sua investigação, no entanto esta relação é interessante de analisar e não estraga em nada o livro.

As personagens são muito bem construídas, com problemas de vida reais que formam pequenas histórias paralelas à trama principal.

Aviso-vos, não guardem as emoções para o fim, o final não é de todo a parte mais emocionante do livro nem está muito trabalhado, ou talvez esta opinião se deva ao facto de todo o livro ser igualmente bom.

A escolha do título é interessante, quem leu vai perceber, quem não leu não pode deixar de descobrir. É um livro que recomendo vivamente.

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BEDA #17: O Luto de Elias Gro

Quinta-feira, 17.08.17

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"As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largarmos. Esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentarmos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causámos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa."

 

Este é o oitavo romance de João Tordo e o primeiro da minha lista de leituras do autor. É também o primeiro dos três livros pertencentes à Trilogia dos Lugares sem Nome.

O nosso narrador e protagonista, do qual não conhecemos o nome, encontra-se completamente entregue ao álcool depois da perda de uma filha e de uma separação dolorosa. Refugia-se num farol de uma pequena ilha perdida no atlântico, da qual também não sabemos o nome, mas onde "viviam menos de cem pessoas e que, na época balnear, os turistas a visitavam em grupos muito pequenos"

Aqui encontra personagens inesperadas que o levam a descobrir mais sobre aquela ilha perdida. A sua busca pela solidão é interrompida por um pastor que decide trazer à tona uma casa perdida no fundo do mar, uma criança curiosa de onze anos que sabe de cor os nomes de todos os ossos do corpo humano ou um escritor dinamarquês que já faleceu mas deixou para trás os seus diários.

Solidão, luto, isolamento, dor ou perda são alguns dos temas tão bem retratados neste livro.

É um dos livros mais filosóficos que já li e penso ainda não ter crescido o suficiente para entender toda a mensagem que este tenta passar.

Talvez por ser tão poderosa, custou-me entrar e habituar-me à escrita do autor. Muitíssimo rica, digna de um bom escritor português. Ora vejam:

 

"Mais tarde, durante os meus passeios, repararia nas plantações imensas de girassóis que se abriam à luz e se fechavam quando a noite se punha; repararia nas nuvens brancas que, por vezes, voavam tão baixo que pareciam servir de chapéu àquele pedaço de terra; repararia que, do lado ocidental, numa encosta que conduzia aos casebres e esquifes dos pescadores, havia um cemitério onde os habitantes enterravam os seus; e repararia na igreja, embora essa fosse uma visão difícil, com a qual lutei durante muito tempo.

Demorámos muito a atravessar a ilha. O carro morria a cada duzentos ou trezentos metros, e Heinrich tornava a rodar a chave na ignição e o motor ressuscitava. A certa altura, apontou para o lado direito. À distância, assentes num vale, aglomeravam-se vinte e cinco ou trinta casas azuis e vermelhas, algumas brancas, de telhados em tesoura, dispostas num misterioso ordenamento que parecia não contemplar um centro. Algumas casas estavam voltadas para o mar; outras na direcção da estrada que conduzia à vila; outras ainda, de aspecto mais antigo, encarrilavam a norte, apontadas ao afunilamento da terra, onde o verde ia cedendo lugar à areia, e esta, por sua vez, conduzia a uma fileira de rochas que eram engolidas pelas águas."

 

Quero um dia reler, com mais maturidade, e perceber tudo o que este livro pode transmitir.

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BEDA #13: Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult

Domingo, 13.08.17

"Nasci porque um cientista conseguiu ligar os óvulos da minha mãe e os espermatozóides do meu pai para criar uma combinação específica de material genético precioso."

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Este foi mais um livro para o projeto Um Ano com a Jodi.

Brian e Sara têm uma família feliz e equilibrada com os seus dois filhos: Jesse e Kate. Aos três anos de idade, Kate é diagnosticada com LPA - Leucemia Promielocítica Aguda - uma variação rara da Leucemia com muitas complicações e probabilidade de sobrevivência muito baixa.

Para salvar a sua filha Kate, os seus pais decidem criar um bebé geneticamente compatível com ela para poderem utilizar as células do cordão umbilical e assim ajudar a Kate, o que dá origem ao nascimento da Anna.

O que começou por ser apenas uma doação de células do cordão umbilical sem qualquer interferência com a qualidade de vida da Anna, depressa se tornou em transfusões, transplantes e cirurgias frequentes. Aos treze anos de idade, Anna já tem um historial médico bem recheado sem nunca ter precisado ela própria de cuidados médicos.

Quando Kate é diagnosticada desta vez com insuficiencia renal, os pais dizem a Anna que esta terá de doar um rim à irmã. E é então que Anna decide dizer não, e instaura um processo legal contra os pais pelo direito do seu próprio corpo.

É um livro emocionante que nos mostra a história de uma família que vive diariamente com um problema sem solução. São-nos ainda revelados vários detalhes sobre esta doença e sobre as suas complicações, nota-se que foi feito um estudo prévio à escrita do livro.

Levanta várias questões complexas e aborda os já habituais temas controversos da ética e da moral que várias vezes se encontram nos livros desta autora - pelo menos naqueles que já li. Se por um lado a vida de Kate está em risco e só a irmã a pode salvar, por outro lado temos a Anna a enfrentar uma luta que não é sua, arriscando também ela a sua própria vida.

Os capítulos são divididos por pontos de vista dos personagem. Cada capítulo vai sendo contado da perspetiva de uma pessoa apenas, e essa pessoa vai variando. A escrita é simples e direta.

O final é surpreendente e imprevisível; trágico, tal como aconteceu no primeiro livro que li dela.

Recomendo.

 

 

Vi o filme recentemente. Achei que foi uma boa adaptação, embora várias partes do livro tenham sido alteradas. Senti falta do Jesse rebelde e perturbado do livro. A dor daquela família também considero melhor representada no livro. O final também foi alterado, é mais esperado e não é tão trágico.

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BEDA #9: O Enígma das Cartas Anónimas, de Agatha Christie

Quarta-feira, 09.08.17

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Este é o quarto livro que leio da Agatha Christie e continua sem me desiludir.

Neste livro conhecemos Jerry Burton, um homem que após um acidente grave é aconselhado pelo seu médico a refugiar-se num local sossegado, sem as distrações habituais da família ou dos amigos. E é isso que ele faz, ou pensa fazer, quando decide ir para a aldeia de Lymstock, na companhia da sua irmã Joana. A paz e sossego que ele esperava evaporam-se nos primeiros dias, quando recebe uma estranha carta com algumas acusações sobre ele e a irmã.

Inicialmente não lhe dá importância, pensando que é apenas algum habitante daquela aldeia que os considera intrusos. A trama começa a ganhar vida quando Jerry descobre que não foi o único a receber uma carta daquele género; aliás quase toda a aldeia já recebeu pelo menos uma. Quando uma mulher é encontrada morta em sua casa com uma carta amarrotada ao lado, já todos procuram saber quem é o misterioso autor daquelas histórias.

Afinal que mistérios esconde a pequena aldeia de Lymstock?

A ajuda chegará da conhecida Miss Marple, que aparece de visita a uma amiga habitante da aldeia e acaba por desvendar o caso.

Este é um livro com uma escrita muito acessível, que se lê muito rapidamente e que nos leva sempre a querer ler mais na ânsia de descobrir o enigma. O Jerry é o nosso narrador, e desvenda-nos os seus pensamentos e as suas perspetivas ao longo da história. 

Não consegui descobrir quem era o culpado antes de o ler. Os meus palpites saíram todos ao lado.

É pena que a personagem Jane Marple tenha aparecido já no final do livro, mesmo assim foi uma leitura interessante.

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BEDA #5: O Rouxinol, de Kristin Hannah

Sábado, 05.08.17

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O Rouxinol é um livro maravilhoso, que retrata a França na Segunda Guerra Mundial.

Isabelle e Vianne são irmãs. A primeira juntou-se à resistência, conspira contra a rendição da França e luta pelo regresso do país que conheceu. A segunda luta para manter a família unida enquanto espera pelo regresso do marido da guerra; e foi obrigada a receber soldados nazis debaixo do seu teto enquanto ajuda crianças judias como pode.

O pai destas duas irmãs foi um soldado na Primeira Grande Guerra que ficou marcado por tudo aquilo que presenciou, e desistiu de tomar conta das filhas quando a mulher sofreu uma morte prematura.

O ambiente vivido em França quando esta foi atacada pelas tropas alemãs após a falha da linha Maginot é muito bem descrito. Conseguimos sentir o medo da população de perto. Temos contacto com a França Livre e com a França Ocupada. Travamos uma luta interna, tal como a travaram aqueles que lá estiveram: ética vs. sobrevivência.

É várias vezes referido o nome de Edith Cavell, uma enfermeira britânica que tratava soldados sem se importar com as suas nacionalidades. Foi acusada de traição por ajudar aliados a chegar à zona neutra da Holanda e condenada à morte, mas nunca foi esquecida.

"Patriotism is not enough, I must have no hate in my heart" é uma das suas frases mais conhecidas.

Este livro é uma homenagem às sobreviventes da Segunda Guerra, que por tanto passaram. Mulheres como Vianne e mulheres como Isabelle. Mulheres que arriscaram a vida pelo seu país. Traz-nos a união de um período histórico trágico e doloroso com mulheres fortes que fazem tudo para proteger aqueles que amam e aquilo em que acreditam.

Um livro cheio de personagens marcantes e histórias de vida fortes.

Recomendo sem qualquer reserva.

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Sou o Número Quatro, de Pittacus Lore

Segunda-feira, 17.07.17

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Sou o Número Quatro é o primeiro livro de uma série entitulada Os Legados de Lorien, escrita por Pittacus Lore, um pseudónio dos escritores americanos Jobie Hughes e James Frey.

É um livro de ação e ficção científica, que fala sobre um tema que nunca tinha lido: extra-terrestres. Esteve no top de vendas dos EUA durante 18 semanas seguidas e foi a base para um filme que não chegou a ter muito sucesso.

John Smith é o número quatro dos nove lorianos que escaparam do seu planeta - Lorien - quando este se encontrava sob o ataque do vizinho Magadore. Estes nove jovens, juntamente com os seus guardiãos, refugiaram-se no planeta Terra, e estão protegidos por um encantamente que apenas permite que os mogadorianos os eliminem segundo a ordem estabelecida. Três deles já foram descobertos e neste livro conhecemos a perspetiva daquele que é o número quatro.

É um livro cheio de ação e reviravoltas e ainda com um espaço destinado ao amor jovem. A escrita é clara e direta, lê-se muito bem e esperamos sempre pelo que vem a seguir. O final é aberto claro, a convidar a leitura do segundo volume.

 

Adaptação cinematográfica

Em relação ao filme, vi-o algum tempo depois de ler o livro. A ação desenrola-se muito rapidamente, talvez até demais, e muitas das cenas do livro foram condensadas naquela hora e meia. Não se percebe bem de onde surgem os acontecimentos e, ao contrário do livro, não temos nada que nos explique o que vai acontecendo. Não gostei tanto.

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Compaixão, de Jodi Picoult

Terça-feira, 11.07.17

"Se o amor da sua vida lhe pedisse ajuda para morrer, que faria? Quando é que o amor ultrapassa os limites da obrigação moral? E o que é que significa amar verdadeiramente alguém?"

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ATENÇÃO: Alguns spoilers.

 

Este foi o segundo livro que li da autora e o primeiro livro do projeto Um ano com a Jodi, organizado pela Dora, pela Elisa e pela Isaura. Como já é normal na autora, ela traz-nos mais um tema controverso. 

Jamie MacDonald sufoca a sua mulher, Maggie, com uma almofada e apresenta-se na polícia. Maggie sofria de uma doença prolongada e não tinha qualquer tipo de esperança em recuperar.

A premissa do livro é muito interessante, e faz-nos pensar num tema que divide muitas opiniões: a Eutanásia. A Eutanásia é o ato de tirar a vida a alguém que sofre de uma doença incurável, e este livro leva-nos a pensar se esta será uma morte cruel ou um ato de compaixão, e questiona aquilo que é moralmente correto.

Por estas razões o livro torna-se interessante nos primeiros capítulos, quando queremos ver este tema mais explorado. No entanto, à medida que a leitura vai avançando, esse interesse vai-se perdendo cada vez mais. A premissa do livro, que sugere uma exploração entre a crueldade e a compaixão de se praticar a eutanásia, vai-se perdendo à medida que as páginas vão passando.

O tema promissor que a capa do livro nos promete perde-se pelo caminho e passa a ser um livro de reflexão sobre o amor, as formas de amar e o "70-30", que representam "alguém que ama e alguém que se deixa amar". 

Allie e Cam são um casal que também tem uma presença muito acentuada no livro. Namorados desde o liceu, ou lá perto, casados há anos, felizes? talvez. Depois aparece Mia, a assistente de Allie que vai acabar por encadear Cam.

Talvez o objetivo da autora fosse comparar o casamento de Jamie e Maggie que tinha tudo para ser perfeito e acabou depressa demais, com o casamento cheio de problemas de Cam e Allie, que apesar de tudo continua. Dois temas com tanto para escrever não poderiam ser encaixados no mesmo livro. Eutanásia e Adultério. Penso que daria um livro muito melhor se a autora se focasse apenas no primeiro.

Não simpatizei com nenhuma das personagens, um Cam antiquado onde tudo tem de ser como ele quer, uma Mia que não sabe bem o que quer, uma Allie completamente cega que não vê o que está mesmo à frente dos olhos dela. Quase no final, a Allie parece que se revolta, que pensa nela e por ela, no que ela quer e não no que ele quer, mas passado uns dias tudo volta atrás. Foi uma desilusão no meio daquela última réstia de esperança.

A escrita da autora é muito fluída e fácil de ler, no entanto existem algumas partes que a tornam aborrecida, como é exemplo a quantidade de vezes que são referidas as tradições da Escócia, que acabam por não interessar nada para a história, ou a excessiva referência às flores e àquilo que representa cada uma.

O final é onde a ação se torna mais dinâmica, no entanto acho que acaba por ser demasiado rápido.

Não me marcou. Não recomendo.

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