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Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

De Mês a Mês | Novembro + Ler os Nossos | Resumo

No passado mês não adquiri novos livros. Li quatro dos que já tinha, todos de autores portugueses.

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O projeto Ler os Nossos, que consistia em ler livros de autores nacionais durante o mês de Novembro, terminou na passada quarta feira. Propus-me a ler três livros para este projeto, acabando por ler quatro, se bem que o último terminei-o já no feriado de dia 1 de Dezembro.

Ensaio Sobre a Cegueira foi o primeiro livro e adorei voltar a ler José Saramago, quero continuar a ler livros dele. Dei cinco estrelas.

A Filha do Papa foi o segundo livro que li para o projeto e o primeiro que li do autor. Embora não seja dos meus géneros literários preferidos gostei, dei quatro estrelas.

O Último Conjurado foi uma estreia tanto com a autora como com a coleção A História de Portugal em Romances. Este livro fez-me ver ainda mais como os romances históricos são dos meus preferidos. Dei quatro estrelas.

Céu em Fogo é um clássico pertencente à coleção da Relógio d'Água e reune oito novelas do escritor Mário de Sá-Carneiro. Também foi o meu primeiro livro do autor e senti-o quase como uma biografia. Dei três estrelas.

 

Este projeto trouxe-me boas experiências, boas leituras e a possibilidade de conhecer novos blogs e canais interessantes ligados à literatura. "Obrigou-me" a ler livros que se calhar não iria ler tão cedo e que estavam na minha estante à espera da sua vez. Que a Cláudia continue com estas ótimas ideias!

Descobri que adoro este tipo de projetos e de partilha pelo que, em 2017, tentarei arranjar ideias para projetos deste género aqui no blog. Espero que participem comigo*

Céu em Fogo, de Mário de Sá-Carneiro

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Pontuação: 3* 

 

Esta é uma obra do escritor Mário de Sá Carneiro, composta por oito contos/novelas.

Não é um livro fácil de ler. A escrita difícil torna a leitura mais lenta, sendo necessária uma grande atenção. Os contos mais longos tornam-se difíceis de acompanhar, como é o caso do primeiro - A Grande Sombra - e do último - Ressurreição.

Os que gostei mais foram o segundo - Mistério - e o sétimo - O Fixador de Instantes.

No entanto, todos eles têm características muito semelhantes. Estados de demência, esquizofrenia ou loucura aparecem constantemente enquadrados. Os sentimentos de ódio do eu, morte e suícidio também são uma constante. A dor e o sentimento de não fazer falta, de ser dispensável aparecem em quase todos.

É difícil não pensar numa biografia, e talvez até seja uma. Ainda para mais se pensarmos que o autor se suicidou logo pelos 26 anos, deixando a vida toda por viver.

As florestas, via-as de algodão em rama, polícromas, com lantejoulas, como os brinquedos de Àrvore de Natal; seriam de água as montanhas; os rios de pedras preciosas, e, sobre eles, em arcos de luar, grandes montes de estrelas.

A Grande Sombra

 

Que desconforto! A sua alma era uma casa enorme, no inverno, com a mobília atravancada, forrada de sarapilheiras, e as janelas abertas por onde o vento se engolfava sibilante... e muito pó, sobretudo muito pó,em grandes rimas de livros e manuscritos.

Mistério

O Último Conjurado, de Isabel Ricardo

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Pontuação: 4*

 

Este foi o terceio livro que li no âmbito do projeto Ler os Nossos, organizado pela Cláudia do blog a mulher que ama livros. Escolhi este livro de entre os três que tenho da coleção A História de Portugal em Romances, guiada pela sua classificação, mais elevada em relação aos outros dois, no Goodreads.

Confesso que iniciei o livro sem grandes espetativas e, logo nas primeiras páginas, pensei que seria uma leitura aborrecida, com conteúdo histórico escrito de forma condensada. No entanto, enganei-me.

- Um dia, D.Sebastião há-de voltar no seu cavalo branco para arrancar o país desta escória que nos governa!

Esta é uma das primeiras falas deste livro, que tem lugar sessenta anos após a batalha de Alcácer-Quibir, onde o jovem rei de Portugal D.Sebastião desapareceu. O trono acabou por cair nas mãos do então rei de Espanha, D. Filipe IV de Espanha, D. Filipe I de Portugal, dando inicio à dinastia Filipina.

D. Pedro de Castro, D. Diogo de Vasconcelos e D. Afonso de Menezes são três personagens fictícias que integram um grupo de conjurados que tentam arranjar soluções para que Portugal volte a ser o que era antes. Juntos, integram grande parte do livro, embora tenham também as suas aventuras individuais, levando-nos assim a conhecer esta parte da nossa História, numa leitura mais leve e cheia de momentos descontraídos.

O capitão Gualdim é um dos principais personagens, um justiceiro que desempenha um papel semelhante ao dos conhecidos Zorro ou Robin dos Bosques, tentando defender os mais fracos dos ataques dos mais fortes, sempre escondendo a sua identidade com a sua máscara. É a pedra no sapato dos terríveis espanhóis e um empecilho nos planos dos seus servidores.

Existem ainda as belas donzelas do reino, como é o caso de D. Laura de Noronha, também ela uma parte importante do livro, ou D.Teresa, uma personagem que desempanha cenários bastante desesperantes.

No decorrer da história a miséria de Portugal na altura é muito bem representada, tal como o domínio espanhol cada vez mais agressivo. Os conjurados retratados no livro representam o grupo clandestino formado no final da dinastia filipina, responsável pela restauração da independência de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640.

Eu gostei muito de ler este livro, apesar de ser um tradicional romance em que os bons são mesmo bons e ficam com as donzelas e os maus são mesmo maus e acabam derrotados e sem nada, aprendi imenso sobre esta época que o nosso país atravessou e levou-me até a pesquisar mais sobre o assunto, enriquecendo o meu conhecimento da nossa História.

 

Personagens preferidas: D. Pedro de Castro; D. Laura de Noronha

__

 

Curiosidade: A expressão popular "Ficar a ver navios" deriva da atitude dos portugueses que, na altura, ficavam a ver chegar os navios a partir dos pontos mais altos da cidade, sempre à espera que D.Sebastião retornasse no seu cavalo branco para salvar Portugal dos espanhóis.

Ler os nossos: TBR

Terminei ontem o último livro da TBR a que me propus para o projeto Ler os Nossos, do qual postarei opinião em breve.

Como ainda faltam alguns dias para terminar o mês decidi acrescentar mais um livro à lista - Céu em Fogo, de Mário de Sá Carneiro.

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 Aproveito para dizer que esta experiência está a ter um efeito bastante positivo. Li bons livros e conheci novos bons autores. Este novo livro também é uma estreia, nunca li nada do autor.

A Filha do Papa, de Luís Miguel Rocha

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Pontuação: 4*

 

Terminei hoje o segundo livro escolhido para o projeto Ler os Nossos.

Este livro é um thriller que inicia quando Niklas, um jovem padre, é raptado, sendo deixado no local um pedido de resgate diferente do habitual e escrito num post-it. De seguida, vários personagens envolvidos em assuntos do Vaticano vão sendo assassinados, um de cada vez. Paralelamente, um jornalista do New York Times está a investigar um dos segredos guardados no Vaticano, tendo ido diretamente à "Toca do Lobo" pedir explicações e exclarecimentos, o que não abona a seu favor. A história principal desenvolve-se à volta do Papa Pio XII, e dos motivos que, segundo o autor, levaram à rejeição da sua beatificação.

Este foi o meu primeiro contacto com o autor e iniciei-o sem grandes expetativas, sendo que este não é dos meus géneros literários preferidos. No entanto, acabei por gostei do livro.

Entrar na história não é fácil, pois logo nos primeiros capítulos é-nos fornecida uma grande quantidade de informação e personagens. No entanto, assim que conseguimos assimilar todas estas novas informações, a história torna-se envolvente e viciante e a leitura bastante fácil e rápida.

A meio do livro a história torna-se mais parada e a expetativa por novos acontecimentos demora a ser saciada.

No entanto, o surpreendente final compensa sem dúvida este ponto, não estava à espera deste desfecho o que foi uma surpresa muito bem recebida.

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Se podes olhar, vê.

Se podes ver, repara.

 

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Pontuação: 5*

 

Terminei o primeiro livro para o Projeto Ler os Nossos, do qual falei aqui. É o segundo que leio do autor, adorei o primeiro - Caim - e adorei ainda mais este.

Como desde a leitura do primeiro livro de Saramago já se passaram vários anos, quando iniciei a leitura deste tive de voltar a habituar-me à sua escrita sem parágrafos nem travessões de diálogo. No entanto, após esta pequena entrave ter sido dominada, a leitura tornou-se fluida e bastante compulsiva.

Passado num tempo e numa cidade não definidos,o que torna este livro intemporal, tudo começa quando um homem parado num semáforo há espera da luz verde perde a visão sem qualquer motivo aparente. Esta cegueira era descrita pelo homem como vendo tudo branco, uma cegueira diferente de todas as que se conhecem. Este então designado por mal branco alastra-se e afeta as pessoas que travaram contacto com o primeiro cego, tornando-se posteriormente numa epidemia.

O enredo é violento e a história é pesada e desesperante. Traz cenas fortes e capazes de revolver o estômago. Saramago mostra a face mais obscura da sociedade, que mesmo ao vivenciar uma situação caótica como a descrita neste livro, ainda tenta vergar os mais fracos às suas próprias vontades.

Para além de não existir um tempo e um local certo, também as personagens são desprovidas de nomes próprios. Nesta obra existem, como personagens principais, para além do primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta e o rapazinho estrábico. 

Todos os pormenores do livro nos mostram que o tempo, o sítio e o nome dos personagens são irrelevantes, pois alterando qualquer um dos três o resultado seria o mesmo.

Esta cegueira é uma metáfora que o autor criou para demonstrar que muitas vezes não conseguimos ver por trás do que aparece à superfície nem para além do preconceito e que "o essencial é invisível aos olhos", ou seja, aquilo que é importante não é perceptível apenas com a visão. É um livro que fala das necessidades mais básicas da humanidade, de instintos de sobrevivência e que nos traz algo em que pensar e perspetivas muito interessantes.

O cenário apocalíptico que o autor criou e a mensagem que o livro traz, faz deste um livro fascinante.

 

Personagens preferidas: a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta

Ler os nossos

Ler os nossos é um projeto da Cláudia d' a mulher que ama livros que consiste em ler pelo menos um livro de um autor nacional durante o mês de Novembro. Dentro deste projeto há ainda um outro projeto - Ler Saramago - que, tal como o nome indica, consiste em ler livros de José Saramago.

Podem ver o vídeo da Cláudia sobre o projeto aqui.

Eu vou participar, tendo com isto me apercebido que tenho pouquíssimos livros de autores portugueses, o que me entristeceu. No entanto, escolhi alguns deles, de diferentes estilos literários, que vos vou mostrar de seguida.

Para o projeto Ler Saramago vou ler o livro Ensaio Sobre a Cegueira. Vai ser o segundo livro do autor e estou com grandes espetativas. Vai ser o primeiro que vou ler.

 

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Um livro, que está na estante à espera da sua vez há bastante tempo e que vou ler para este desafio é A Filha do Papa. Li algumas críticas muito boas e acabei por me decidir a lê-lo.

 

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O último livro vai ser um romance histórico que trouxe da Feira do Livro do Porto este ano da coleção A História de Portugal em Romances - O Último Conjurado, de Isabel Ricardo.

 

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E pronto, é esta a minha pequena lista de livros para este projeto, que espero que corra lindamente. Não conheço nenhum dos livros e, exceptuando Saramago do qual já li um livro, não conheço nada sobre os autores, os livros ou o estilo de escrita de cada um.