Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins

Os Jogos da Fome.JPG

 

 

O primeiro de uma trilogia que já quase todos conhecem. Eu já tinha visto o filme, ainda não tinha lido o livro.

Passado em Panem, um país que surgiu das cinzas da América do Norte, e situado num futuro pós apocalítico depois de os distritos se rebelaram contra a capital resultando disto apenas a destruição do distrito 13.

De forma a mostrar que os restantes distritos estão completamente à sua mercê, o Capitólio organiza todos os anos os chamados Jogos da Fome, em que cada um dos 12 distritos restantes terá de doar um rapaz e uma rapariga com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos . Estes jovens são chamados tributos e serão lançados numa arena onde têm de lutar até à morte e de onde apenas um deles poderá sair com vida.

Uma permissa e um conceito interessante que a autora desenvolveu com grande mestria. 

É um livro narrado na primeira pessoa, o que nos permite entrar na mente de Katniss Everdeen, a rapariga que se voluntaria para os jogos, de forma a tomar o lugar da nomeada Primrose Everdeen, sua irmã.

A escrita é muito fluida e prática e o livro agarra-nos até ao final. O final não foi a melhor parte, embora o facto de já ter visto o filme possa ter estragado toda a surpresa.

Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-lo | J.K.Rowling + Adaptação Cinematográfica

Monstros Fantásticos & Onde Encontrá-los.JPG

 

Pontuação: 4*

 

Este livro trouxe-me um pequeno regresso ao mundo de Harry Potter. As personagens são diferentes e o livro conta histórias passadas muitos anos antes da saga, mas a magia está lá.

Este é um livro escrito por Newt Scamander que todos os feiticeiros têm em sua casa e que utilizam para os ajudar a lidar com qualquer tipo de monstro. Este livro é então um dicionário de monstros onde aparecem as suas características, os sítios onde se pode encontrar cada um e onde são classificados numa escala de um a cinco segundo o seu nível de perigosidade. Explica-nos ainda o que é um monstro, como foi decidido se cada ser seria ou não classificado como tal e mostra-nos algumas histórias relacionadas com os conhecimentos dos Muggles sobre eles.

As receitas dos exemplares vendidos deste livro revertem a favor da organização Comic Relief, que luta contra a pobreza principalmete do Reino Unido e de Países Africanos.

 

 

ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA

Pontuação: 5*

 

Como seria de esperar, este primeiro filme é apenas baseado neste livro - era difícil fazer um filme sobre um dicionário de montros. É, no entanto, dos raros casos em que gostei ainda mais do filme.

Newt Scamander, maravilhosamente representado no ecrã por Eddie Redmayne, está ainda a meio da sua pesquisa para realizar o seu livro e anda com uma mala cheia de monstros atrás.

Adorei cada minuto do filme, cada segundo de magia e cada instante de lembrança de um mundo com o qual cresci.

Revi no personagem Credence uma clara presença da J.K.Rowling, representando ele a falta de amor e as consequências que daí advêm. Outro dos valores mais prezados na saga de J.K. é a amizade, presente neste filme através das personagens Newt, Tina, Queenie e Jacob.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, de Jack Thorne, John Thiffany & J. K. Rowling

"A oitava história. Dezanove anos depois."

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.JPG

 Pontuação: 3*

 

Pois é, o mundo de Harry Potter voltou, quase uma década após o lançamento do último livro da saga. Em formato diferente, escrito por Jack Thorne com o apoio de John Tiffany, chega-nos este livro que não é um romance, mas sim um guião da peça de teatro.

O mundo de Harry Potter foi o que me despertou para a leitura e esta saga é aquela que mais vezes li. Como tal, apesar de não ser uma continuação escrita pela autora e de ser apenas baseado na sua obra, não podia deixar de ler este oitavo livro.

É um livro completamente diferente de toda a saga, com um formato e enredo começado do zero. A escrita é diferente, a maior parte são diálogos e os capítulos são divididos em atos e cenas. Por este motivo, tornou-se uma leitura fácil e rápida que terminei em apenas um dia.

A personagem principal passa a ser o filho de Harry - Albus Severus - que tal como o pai enfrenta vários desafios durante o seu percurso escolar. Carregado com o pesado apelido do pai, Albus vê a vida dificultada pelas espetativas que todos parecem ter sobre ele, refletindo-se ainda na criação e no desenvolvimento de amizades verdadeiras.

Achei o título do livro um pouco exagerado, não considerei Albus uma "criança amaldiçoada", apenas um miúdo que tenta singrar e fazer melhor num mundo onde o pai é o herói que acabou com os anos de terror de Voldemort.

J. K. Rowling fez uma falta enorme neste volume, em certas alturas parece que Jack Thorne não conhece bem o mundo criado pela autora atribuindo aos personagens criados por ela palavras e ações que estes nunca tomariam. Além disso, em certos pontos onde se referenciavam acontecimentos anteriores, estes ligavam-se aos filmes e não aos livros, o que constituiu um ponto negativo, do meu ponto de vista.

Em suma, apesar de ser menos do que esperava, não foi uma experiência em vão. Este livro consegue, em vários momentos, levar-nos de volta ao mundo que já conhecemos e que adoramos e dar-nos um cheirinho do que experienciamos há quase dez anos atrás.

 

Personagens preferidas: Scorpio Malfoy

Uma Morte Súbita, de J. K. Rowling

 DSCF2550.JPG

Este é o primeiro livro para adultos de J. K. Rowling, a autora dos livros que marcaram a minha geração. No entanto, neste livro não vemos nada do que existia no mundo de magia de Harry Potter.

É um estilo literário completamente diferente, em que não existe um personagem principal mas sim uma cidade inteira com iguais quantidades de importância na história. É difícil escrever um livro com diversas histórias paralelas, que acompanha uma enorme diversidade de personagens ao mesmo tempo e que, no final, se encontram e interagem em conjunto. A personalidade de cada uma das personagens tem de ser bastante trabalhada e a sua história individual interessante. E é isto que este livro nos traz.

A história da cidade e dos habitantes de Pagford, que revelam as suas maiores características após a morte do homem que era o elo de ligação entre todos. Cada um mostra o seu lado mais mesquinho, temos acesso aos pensamentos e às visões de todos os personagens, todos e cada um sedentos de poder. Dá para pensar na falta que o mundo tem de pessoas boas e genuínas.

Com tantos personagens, é difícil para o leitor assimilá-los todos ao mesmo tempo, e só com a continuação da leitura isso se verifica. Muitos temas são apresentados ao longo do livro, falando principalmente da política da cidade, mas retratando ainda assuntos como bullying, adultério, consumo de drogas, violação, entre muitos mais.

Achei os adolencentes melhores personagens que os adultos, melhor construídos e com lutas interiores mais interessantes. As descrições das personagens não são tanto dadas pelo narrador, vamo-nos apercebendo delas através dos seus pensamentos e das suas ações.

Não existe um final fechado para todas as personagens, o destino da maioria delas fica em aberto, o que não é necessariamente uma coisa má. Dos personagens que o têm, é sem dúvida um final chocante e que dá que pensar. Gostei, embora não estivesse de todo à espera.

 

Personagens preferidas: Krystal Weedon, Sukhvinder Jawanda

 

Pontuação: 4*

Os Contos de Beedle, o Bardo, de J. K.Rowling

DSCF2525.JPG

 

 

Pontuação: 4*

 

Este é o livro referido no último volume da saga Harry Potter, como uma herança de Dumbledore para Hermione, e traz-nos as histórias infantis criadas para feiticeiros, em muito semelhantes aos nossos tradicionais contos de fadas.

Beedle leva-nos de volta ao mundo de magia de Harry Potter através de cinco pequenos contos, conhecidos por todos os pequenos feiticeiros de Hogwarts, e agora acessíveis a todos os Muggles uma vez que contêm notas explicativas da autora.

No final de cada conto, podemos ainda ler as ideias e os comentários do próprio Dumbledore, que ocupam aproximadamente metade do livro e foram encontradas após a sua morte, que nos chamam a atenção para detalhes dos contos, como é exemplo a completa exclusão dos Muggles ou apenas o seu papel como vilões. Tal como nos nossos tradicionais contos de fadas, ainda que este livro reúna os contos originais, estes foram também sendo mudados ao longo do tempo, de forma a se tornarem mais adequados para as crianças.

Cada uma destas histórias traz consigo uma lição de moral em que, tal como nos contos de fadas que já conhecemos, a virtude é por norma premiada e o mal é castigado”. Ao contrário do que se poderia pensar, a magia não é assim tão poderosa, sendo os valores dos personagens aquilo que prevalece e ganha. 

Um exemplo é o conto que aparece no último livro, e também no filme, da saga Harry Potter. N' "O Contos dos Três Irmãos", o irmão mais novo ao encontrar-se frente a frente com a Morte, não tenta enganá-la nem humilhá-la, apenas pede algo que o tire dali sem ser perseguido por ela. Este é o único dos irmãos com um final feliz, que ao contrário dos outros dois,  "acolheu a Morte como uma velha amiga, e foi com ela satisfeito e, como iguais, abandonaram esta vida".

Várias são as questões trazidas pelos contos, entre elas o amor, a tolerância e a morte, mostrando sempre que a magia não resolve todos os problemas e uma das suas limitações é não ser possível restituir a vida.

 

É um bom livro, que se lê num instante e que aconselho, principalmente mas não só, aos fãs de Harry Potter.

 

Deixo aqui o último conto do livro, e o único que aparece totalmente descrito no filme:

 

 

Crítica: Beleza Assassina - Chelsea Cain

Beleza Assassina.JPG

 

 

 

 

Título: Beleza Assassina

Autor: Chelsea Cain

Editora: Porto Editora

1ª Edição: 2009

Nº de Páginas: 360

 

 

 

Sinopse: “Após dez anos no encalço de Gretchen Lowell, o detective Archie Sheridan é raptado e torturado durante dez dias pela lindíssima serial killer. Mas, no final, ela decide, misteriosamente, libertá-lo e entregar-se às autoridades.
Gretchen é condenada a prisão perpétua, enquanto Archie é condenado a outro tipo de prisão: viciado em vários medicamentos, não é capaz de regressar à sua antiga vida e não consegue esquecer aqueles dez dias de tortura... nem Gretchen.
Quando outro assassino começa a raptar e assassinar raparigas adolescentes de Portland, Archie é convidado a voltar ao activo e a liderar a equipa que vai investigar os crimes recentes.
A nova investigação dará início a um jogo mortal entre Archie, o novo assassino e... Gretchen Lowell.”

 

Opinião: Tal como diz na capa, é sem dúvida "um thriller arrepiante" com várias passagens capazes de impressionar os leitores mais sensíveis, e que nos fazem pensar se há algum limite para a obscuridade da mente humana.

Archie é o detetive que investigou, há dois anos atrás, o caso apelidado de "Beleza Assassina". Durante a sua investigação, este é raptado e torturado por Gretchen, uma assassina fria e calculista que, durante dez dias, utiliza as técnicas mais violentas e humilhantes imagináveis, com o objetivo de no final e depois de muito tormento o matar. No entanto, ela acaba por decidir salvar-lhe a vida e entregar-se às autoridades.

Gretchen é a melhor personagem do livro. Uma mulher muito atraente e muito perigosa, com tudo o que é preciso para a sua personagem. É fria, cruel e sádica. Consegue levar as suas vítimas a ultrapassar todos os limites só para a agradar.

Archie também nos fascina com a sua luta e com os seus vícios. Muito perspicaz, vive no entanto numa prisão psicológica, entre a vida antes e depois de Gretchen.

A relação entre estes dois personagens é o que nos agarra ao livro do princípio ao fim. Entre Archie e Gretchen desenvolve-se uma relação perturbada e doentia, de cumplicidade e dependência submissa.

O livro desenvolve-se em duas fases: por um lado temos o caso de um raptor, assassino e violador, que aterroriza atualmente a cidade. Este, na minha opinião, com um enredo muito mais frágil, sem qualquer termo de comparação com a relação que descrevi anteriormente. 

Por outro lado, vamos tendo uma visão do que aconteceu há dois anos atrás, através de flash-backs que nos vão desvendando a complexa relação entre Archie e Gretchen.

Gostei do livro, um bom policial, mas que no final deixa várias coisas em aberto. Chelsea Cain já escreveu sequelas deste livro, mas (penso eu) nenhuma delas foi editada em Portugal.