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Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

O Último Conjurado, de Isabel Ricardo

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Pontuação: 4*

 

Este foi o terceio livro que li no âmbito do projeto Ler os Nossos, organizado pela Cláudia do blog a mulher que ama livros. Escolhi este livro de entre os três que tenho da coleção A História de Portugal em Romances, guiada pela sua classificação, mais elevada em relação aos outros dois, no Goodreads.

Confesso que iniciei o livro sem grandes espetativas e, logo nas primeiras páginas, pensei que seria uma leitura aborrecida, com conteúdo histórico escrito de forma condensada. No entanto, enganei-me.

- Um dia, D.Sebastião há-de voltar no seu cavalo branco para arrancar o país desta escória que nos governa!

Esta é uma das primeiras falas deste livro, que tem lugar sessenta anos após a batalha de Alcácer-Quibir, onde o jovem rei de Portugal D.Sebastião desapareceu. O trono acabou por cair nas mãos do então rei de Espanha, D. Filipe IV de Espanha, D. Filipe I de Portugal, dando inicio à dinastia Filipina.

D. Pedro de Castro, D. Diogo de Vasconcelos e D. Afonso de Menezes são três personagens fictícias que integram um grupo de conjurados que tentam arranjar soluções para que Portugal volte a ser o que era antes. Juntos, integram grande parte do livro, embora tenham também as suas aventuras individuais, levando-nos assim a conhecer esta parte da nossa História, numa leitura mais leve e cheia de momentos descontraídos.

O capitão Gualdim é um dos principais personagens, um justiceiro que desempenha um papel semelhante ao dos conhecidos Zorro ou Robin dos Bosques, tentando defender os mais fracos dos ataques dos mais fortes, sempre escondendo a sua identidade com a sua máscara. É a pedra no sapato dos terríveis espanhóis e um empecilho nos planos dos seus servidores.

Existem ainda as belas donzelas do reino, como é o caso de D. Laura de Noronha, também ela uma parte importante do livro, ou D.Teresa, uma personagem que desempanha cenários bastante desesperantes.

No decorrer da história a miséria de Portugal na altura é muito bem representada, tal como o domínio espanhol cada vez mais agressivo. Os conjurados retratados no livro representam o grupo clandestino formado no final da dinastia filipina, responsável pela restauração da independência de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640.

Eu gostei muito de ler este livro, apesar de ser um tradicional romance em que os bons são mesmo bons e ficam com as donzelas e os maus são mesmo maus e acabam derrotados e sem nada, aprendi imenso sobre esta época que o nosso país atravessou e levou-me até a pesquisar mais sobre o assunto, enriquecendo o meu conhecimento da nossa História.

 

Personagens preferidas: D. Pedro de Castro; D. Laura de Noronha

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Curiosidade: A expressão popular "Ficar a ver navios" deriva da atitude dos portugueses que, na altura, ficavam a ver chegar os navios a partir dos pontos mais altos da cidade, sempre à espera que D.Sebastião retornasse no seu cavalo branco para salvar Portugal dos espanhóis.

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