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Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

Mente Literária

"A leitura é como uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida." Kertész , Imre.

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Se podes olhar, vê.

Se podes ver, repara.

 

Ensaio Sobre a Cegueira.JPG

 

Pontuação: 5*

 

Terminei o primeiro livro para o Projeto Ler os Nossos, do qual falei aqui. É o segundo que leio do autor, adorei o primeiro - Caim - e adorei ainda mais este.

Como desde a leitura do primeiro livro de Saramago já se passaram vários anos, quando iniciei a leitura deste tive de voltar a habituar-me à sua escrita sem parágrafos nem travessões de diálogo. No entanto, após esta pequena entrave ter sido dominada, a leitura tornou-se fluida e bastante compulsiva.

Passado num tempo e numa cidade não definidos,o que torna este livro intemporal, tudo começa quando um homem parado num semáforo há espera da luz verde perde a visão sem qualquer motivo aparente. Esta cegueira era descrita pelo homem como vendo tudo branco, uma cegueira diferente de todas as que se conhecem. Este então designado por mal branco alastra-se e afeta as pessoas que travaram contacto com o primeiro cego, tornando-se posteriormente numa epidemia.

O enredo é violento e a história é pesada e desesperante. Traz cenas fortes e capazes de revolver o estômago. Saramago mostra a face mais obscura da sociedade, que mesmo ao vivenciar uma situação caótica como a descrita neste livro, ainda tenta vergar os mais fracos às suas próprias vontades.

Para além de não existir um tempo e um local certo, também as personagens são desprovidas de nomes próprios. Nesta obra existem, como personagens principais, para além do primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta e o rapazinho estrábico. 

Todos os pormenores do livro nos mostram que o tempo, o sítio e o nome dos personagens são irrelevantes, pois alterando qualquer um dos três o resultado seria o mesmo.

Esta cegueira é uma metáfora que o autor criou para demonstrar que muitas vezes não conseguimos ver por trás do que aparece à superfície nem para além do preconceito e que "o essencial é invisível aos olhos", ou seja, aquilo que é importante não é perceptível apenas com a visão. É um livro que fala das necessidades mais básicas da humanidade, de instintos de sobrevivência e que nos traz algo em que pensar e perspetivas muito interessantes.

O cenário apocalíptico que o autor criou e a mensagem que o livro traz, faz deste um livro fascinante.

 

Personagens preferidas: a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta

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