Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Dezembro 2017

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31







Harry Potter e a Câmara dos Segredos, de J. K. Rowling

Sexta-feira, 27.10.17

DSCF3888.JPG

A minha segunda leitura para o projeto Pottermania. Mais uma entrada em Hogwarts e neste mundo que cresceu comigo. Foi uma releitura, claro. Reencontrei a Ginny e o pequeno Dobby. Conhecemos a rede de Pó de Floo.

 

Neste segundo livro assistimos às tentativas desastrosas de Dobby para salvar a vida a Harry. Tentativas essas que o fazem por exemplo perdeu o comboio para Hogwarts, uma vez que esbarram contra uma passagem fechada. O carro mágico, enfeitiçado por Mr. Weasley entra em ação e leva-os a voar até Hogwarts e a uma série de castigos e gritadores. Perde todos os seus ossos quando é atingido por uma bludger que sem qualquer razão aparente se foca nele, e quando mais tarde o bonito professor Lockart o tenta ajudar com os seus ossos partidos.

 

"A CÂRMARA DOS SEGREDOS FOI ABERTA.

INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO."

 

Estranhas mensagens aparecem nas paredes do castelo, enquanto vários ataques são sofridos pelos feiticeiros que descendem de Muggles. Mas quem está por detrás de todos estes ataques? E por que motivo consegue Harry ouvir uma voz vinda das paredes, uma voz que mais ninguém parece perceber?

Somos introduzidos ao termo "busca-pé", que mais tarde também conhecemos por "cepatorta". Familiarizamo-nos com a linguagem das serpentes, o serpentês e com o termo Sangue de Lama, uma ofensa proferida contra os feiticeiros nascidos no ceio de famílias Muggles.

"Sigam as aranhas", diz-nos o Hagrid. Mas onde isso nos levará?

O segundo ano de Harry parece ser recheado de novas aventuras. O relacionamento de Harry com Ginny intensifica-se, criam-se laços que não poderão ser destruídos.

Mais um ano se passa, os nossos heróis continuam as suas aventuras e unem-se cada vez mais. O universo de Harry Potter prende-nos e não nos larga.

Não há muito mais a dizer. É uma história que marca num todo. Cada livro nos aproxima mais das personagens que o integram. Vamos conhecendo as outras personagens, mas secundárias que o trio principal, mas igualmente importantes.

 

"São as tuas escolhas, Harry, que mostram quem de facto tu és, mais do que as tuas capacidades."

 

O filme é considerado o mais fiel ao livro de todos os de Harry Potter. Eu concordo que está bastante fiel, ressalvando o facto de que vi a versão estendida, pelo que não senti falta por exemplo da cena na Borgin & Burkes, quando o Harry fica escondido no armário a ouvir a conversa entre Lucius e o proprietário da loja.

O contacto entre a Ginny e o Harry poderia ter sido muito mais aprofundado, faltou a cena do postal de S. Valentim por exemplo, mas penso que todos concordam que a Ginny nunca teve o prestígio que merecia nos filmes que foram feitos.

 

Opiniões anteriores:

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Vermelho e o Negro, de Stendahl

Segunda-feira, 23.10.17

DSCF3863.JPG

 

Stendhal é um pseudónimo de Henri-Marie Beyle, que escreveu no século XIX sob a capa de vários outros e que publicou apenas um livro com o seu nome verdadeiro. Louis Alexandre Bombet ou Anastasius Serpière são alguns dos pseudónimos que utilizou antes de Stendhal.

 

Este livro passa-se em França, no período da Restauração antes da Revolução de 1830, e traz-nos a história de Julien Sorel. O nosso protagonista é um jovem inteligente e ambicioso, nascido em Verrières no ceio de uma família pobre. Filho de um carpinteiro e desprezado por estes e pelos seus irmãos devido à sua tendência para os livros, a paixão por Napoleão Bonaparte, e falta de jeito nos trabalhos árduos.

 

"Nada podia ser mais antipático ao velho Sorel; talvez tivesse perdoado a Julien a sua compleição franzina, pouco adequada aos trabalhos que exigem força e tão diferente da corpulência dos filhos mais velhos; mas aquela mania de ler era-lhe odiosa, tanto mais que ele próprio não sabia ler."

 

Apesar destes fatores, ele tem no entanto pretensões de subir na vida. Ele sonha integrar-se na alta sociedade e tenta-o de duas formas; através do serviço a casas de famílias importantes e através da sua entrada no seminário. Apesar de deixar o seu rasto por onde passa e conquistar jovens em qualquer lado, ele não se contenta com as raparigas que servem a mesma família que ele. Pensa mais alto e quer a atenção da senhora para quem trabalha. Será que consegue? Será que sobe realmente na vida? E a que custo? São questões que vamos vendo respondidas ao longo da narrativa.

 

O ritmo de leitura começa por ser bastante rápido e fluido, queremos saber sempre o que Julien fará de seguida. No entanto, começou a tornar-se aborrecido antes de chegar a meio e comecei a deixá-lo de lado. As descrições são imensas e a ação cai drasticamente. Mais perto do fim voltou ao ritmo inicial.

Senti falta de algumas notas de tradução na minha edição, sei por certo que várias referências me passaram ao lado.

 

O nome que o autor escolheu para o livro não foi completamente compreendido. A maioria pensa que o negro é a cor da batina e representa o clero. Quanto ao vermelho, muitos pensam ser a cor dos antigos uniformes militares franceses; outros pensam ser a cor da paixão que move o nosso protagonista.

 

Julien Sorel é sem dúvida uma grande personagem e o melhor do livro. É extremamente bem construído e cheio de camadas que descobrimos a cada nova peripécia. Talento e ambição natos, recorrendo a tanta hipocrisia sobre uns e enganando tantos outros.

 

A escrita do autor é primorosa. Neste livro, é um narrador presente que quase se torna numa personagem, comentado os acontecimentos à medida que estes se vão desenrolando. Conseguiu contruir um personagem extremamente complexo, mas dos melhores que podemos encontrar, com grande mestria.

 

O final é fabuloso. Vale a pena passar por todas as partes aborrecidas e encontrar aquele final. Talvez não seja o que esperámos durante todo o livro, mas ao chegar lá percebemos que não poderia ser de outra forma.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

Small Great Things, de Jodi Picoult

Sábado, 14.10.17

DSCF3870.JPG

 

"But in spite of the ideology that split us into factions, we'd all come together one day of the year to celebrate: April 20, the birthday of Adolf Hitler."

(Mas apesar das ideologias que nos separaram, todos nos reuníamos um dia por ano para celebrar: 20 de Abril, o aniversário de Adolf Hitler.)

 

Li este livro no mês de Setembro, para mais uma etapa do projeto Um ano com a Jodi. Esta foi também a minha primeira leitura em inglês e correu muito bem.

Este livro traz-nos a história de Ruth, mãe de Edison e viúva de um homem que morreu na guerra; uma enfermeira obstetra com mais de 20 anos de experiência a trabalhar num hospital de Connecticut. Tudo corre bem, até ao dia em que o bebé de Brit e Turk nasce e Ruth tem a tarefa de tratar dele. Depois de algum tempo em que Ruth sente o ambiente pesado do quarto enquanto trata do pequeno Davis, Turk pede-lhe que chame a sua supervisora e não a deixa tocar mais no filho.

Brit e Turk são dois supremacistas e acreditam que os brancos são superiores às pessoas de qualquer outra origem racial. Pertencem a um grupo de pessoas que se juntam para promover o poder dos brancos.

 

"We turned toward each other. I looked her in the eye, unwavering, as we recited the Fourteen Words, the mantra David Lane created when he was running the Order: We must secure the existence of our people and a future for White children."

(Virámo-nos um para o outro. Eu olhei-a nos olhos, inabalável, enquanto recitavamos as Quatorze Palavras, o mantra que David Lane criou quando liderava a Ordem: devemos garantir a existência do nosso povo e um futuro para as crianças Brancas.)

 

Ruth é afro-americana e acaba por ser impedida de tocar naquele bebé, de fazer o seu trabalho e a sua função, num ato de racismo imenso, sem que ninguém pertencente à casa onde trabalha há mais de duas décadas a defenda ou apoie.

É um livro muito bem escrito que retrata várias formas de racismo, focando também muito pormenorizadamente o racismo passivo, o aceitar, o assistir e o não fazer nada. Prende logo desde as primeiras páginas, com personagens cheias de camadas e muito bem construídas.

Cada capítulo é narrado segundo o ponto de vista de cada uma de três personagens: Ruth, a nossa protagonista afro-americana; Turk, o nosso pai supremacista branco; e Kennedy, uma advogada que segue uma vida normal, e representa grande percentagem da população branca, não se considerando racista.

O final é muito coerente, sem dramatismos, nada do que esperava vindo da Jodi. Foi melhor assim. 

Um livro muito bom que nos mostra que, mesmo sem o percebermos, todos nós temos comportamentos perconceituosos em certas alturas. Recomendo.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Segunda-feira, 09.10.17

DSCF3854.JPG

 

 

Reli o primeiro livro. Pela enésima vez. Este é o primeiro livro de uma história que me marcou, me acompanhou e cresceu comigo.

Conta a história que já todos conhecem: Harry Potter, um jovem de 11 anos, recebe a sua carta para entrar na melhor escola de magia e feitiçaria - Hogwarts - e viver num mundo do qual nunca tinha ouvido falar. Os melhores anos da sua vida começam aqui, quando se afasta dos Dursley, os tios com quem vive e que parecem nutrir um ódio genuíno por ele. Nunca lhe contaram nada acerca da vida dos seus pais, que eram ambos feiticeiros, dizendo-lhe apenas que tinham morrido num acidente de automóvel.

Este ano, Harry Potter descobre finalmente o significado e os valores das palavras amizade e família, enquanto vive experiências únicas na companhia dos seus novos amigos - Ron Weasley e Hermione Granger.

Neste primeiro volume são-nos introduzidas as personagens principais e os locais mágicos mais frequentados.

Sou uma Potterhead, assumo, e tinha de voltar a este mundo. Voltarei mais vezes, claro. Para a próxima vez quero ler em inglês, sem traduções.

J. K. Rowling conseguiu criar um mundo onde entramos e facilmente nos perdemos. Não parece possível ter sido rejeitada tantas vezes. Tem uma capacidade enorme de transmitir para a sua escrita valores e sentimentos, através desta história que tanto encanta como ensina.

Foi maravilhoso voltar a entrar neste mundo e reencontrar-me com as personagens que me são tão familiares.

O primeiro livro é apenas o início e não é o melhor, mas um livro que tanto significado tem para mim e que tanto me marcou não podia ter menos que as cinco estrelas, mesmo tendo passado todos estes anos. É um livro introdutório, que nos dá a conhecer um universo diferente do nosso e que nunca mais iremos deixar. Tanto tempo esperei pela minha carta que nunca chegou.

Em questões de tradução, não está nada boa. Li este mesmo exemplar tantas vezes mas só agora, em adulta, dei por esta falha. Acredito que muito foi perdido do original para este. É também por isso que quero reler em inglês.

 

 

O filme está razoavelmente fiel ao livro. Existem várias cenas diferentes, mas nenhuma delas muda o curso dos acontecimentos. Os atores eram tão novos e isso transparece imenso. Continuo a gostar, claro. Irei sempre amar este mundo.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

BEDA #29: O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry

Terça-feira, 29.08.17

 

"Os homens já não têm tempo para conhecer o que quer que seja. Compram coisas feitas nos comerciantes. Mas como não existem comerciantes de amigos, os homens já não têm amigos."

  

Webp.net-resizeimage (13).jpg

 

É um livro que quase toda a gente leu ainda em criança. Eu li-o agora, pela primeira vez. Já muito foi dito sobre ele, pelo que não me irei alongar.

Escrever livros infantis, ao contrário do que possamos imaginar, não é tarefa fácil. Significa conseguir escrever uma história que consiga captar a atenção dos mais pequenos e ainda que agrade aos crescidos.

Este é um livro muito bem escrito que nos mostra a perceção do mundo aos olhos de uma criança. Esta criança mostra-nos o quão ridículas podem ser as coisas que os adultos dizem e fazem. 

Aprendemos a ser criativos e a ver para além das primeiras impressões através do seu desenho de um elefante dentro de uma jibóia, que todos os crescidos pensaram que era um chapéu.

A sermos bons e fiéis para quem confia em nós, como o principezinho sempre foi para com a sua rosa.

A escrita é muito cativante e fluída. As ilustrações são lindas e acompanham-nos ao longo de todo o livro. Um livro obrigatório e recomendado para todas as idades, embora eu tenha pena de não ter tido a oportunidade de o ler em criança.

 

"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."

 

"Tornaste-te para sempre responsável por aquilo que cativaste."

 

"Corremos o risco de chorar um pouco se nos deixarmos cativar."

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

BEDA #25: O Terceiro Gémeo, de Ken Follett

Sexta-feira, 25.08.17

DSCF3764.JPG

 

A cientista Jeannie Ferrami estuda gémeos e avalia através destes de que forma a tendência para a violência e agressão pode nascer com o indivíduo e depender da sua herança genética ou depender do meio onde são criados. Para isso, procura gémeos univitelinos (os comummente chamados de gémeos verdadeiros), mais particularmente gémeos separados à nascença.

Durante a sua investigação, depara-se com um caso singular: dois homens aparentemente gémeos univitelinos e perfeitos para a sua investigação, já que um deles se encontra preso e outro a estudar direito na universidade, são filhos de mães diferentes e nasceram em dias e hospitais diferentes. 

Será apenas um simples caso de adoção em que os pais optaram por não contar ao filho ou estará ela prestes a descobrir algo muito mais grandioso?

Este foi o meu primeiro contacto com o autor e fiquei bastante contente por conhecê-lo e por ler este livro. A sua escrita cativante e fluída, porém simples, prendeu-me desde as primeiras páginas. Quero certamente ler mais livros de Ken Follett.

São retratados vários temas ao longo do livro, cada um com a sua porção de importância para a história, que tornam a leitura muito interessante. Alzhaimer e a sua repercussão na família do doente, assédio sexual e violação, preconceito racial e social, eugenia ou corrupção no meio académico são alguns deles. O tema mais interessante e importante para a história só é referido mais perto do final, pelo que não o vou revelar para não estragar a leitura a ninguém, mas asseguro que vale a pena.

Há ainda lugar para o romance, a nossa protagonista acaba por se apaixonar por um dos gémeos inscritos para a sua investigação, no entanto esta relação é interessante de analisar e não estraga em nada o livro.

As personagens são muito bem construídas, com problemas de vida reais que formam pequenas histórias paralelas à trama principal.

Aviso-vos, não guardem as emoções para o fim, o final não é de todo a parte mais emocionante do livro nem está muito trabalhado, ou talvez esta opinião se deva ao facto de todo o livro ser igualmente bom.

A escolha do título é interessante, quem leu vai perceber, quem não leu não pode deixar de descobrir. É um livro que recomendo vivamente.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

BEDA #17: O Luto de Elias Gro

Quinta-feira, 17.08.17

Webp.net-resizeimage (3).jpg

 

 

"As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largarmos. Esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentarmos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causámos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa."

 

Este é o oitavo romance de João Tordo e o primeiro da minha lista de leituras do autor. É também o primeiro dos três livros pertencentes à Trilogia dos Lugares sem Nome.

O nosso narrador e protagonista, do qual não conhecemos o nome, encontra-se completamente entregue ao álcool depois da perda de uma filha e de uma separação dolorosa. Refugia-se num farol de uma pequena ilha perdida no atlântico, da qual também não sabemos o nome, mas onde "viviam menos de cem pessoas e que, na época balnear, os turistas a visitavam em grupos muito pequenos"

Aqui encontra personagens inesperadas que o levam a descobrir mais sobre aquela ilha perdida. A sua busca pela solidão é interrompida por um pastor que decide trazer à tona uma casa perdida no fundo do mar, uma criança curiosa de onze anos que sabe de cor os nomes de todos os ossos do corpo humano ou um escritor dinamarquês que já faleceu mas deixou para trás os seus diários.

Solidão, luto, isolamento, dor ou perda são alguns dos temas tão bem retratados neste livro.

É um dos livros mais filosóficos que já li e penso ainda não ter crescido o suficiente para entender toda a mensagem que este tenta passar.

Talvez por ser tão poderosa, custou-me entrar e habituar-me à escrita do autor. Muitíssimo rica, digna de um bom escritor português. Ora vejam:

 

"Mais tarde, durante os meus passeios, repararia nas plantações imensas de girassóis que se abriam à luz e se fechavam quando a noite se punha; repararia nas nuvens brancas que, por vezes, voavam tão baixo que pareciam servir de chapéu àquele pedaço de terra; repararia que, do lado ocidental, numa encosta que conduzia aos casebres e esquifes dos pescadores, havia um cemitério onde os habitantes enterravam os seus; e repararia na igreja, embora essa fosse uma visão difícil, com a qual lutei durante muito tempo.

Demorámos muito a atravessar a ilha. O carro morria a cada duzentos ou trezentos metros, e Heinrich tornava a rodar a chave na ignição e o motor ressuscitava. A certa altura, apontou para o lado direito. À distância, assentes num vale, aglomeravam-se vinte e cinco ou trinta casas azuis e vermelhas, algumas brancas, de telhados em tesoura, dispostas num misterioso ordenamento que parecia não contemplar um centro. Algumas casas estavam voltadas para o mar; outras na direcção da estrada que conduzia à vila; outras ainda, de aspecto mais antigo, encarrilavam a norte, apontadas ao afunilamento da terra, onde o verde ia cedendo lugar à areia, e esta, por sua vez, conduzia a uma fileira de rochas que eram engolidas pelas águas."

 

Quero um dia reler, com mais maturidade, e perceber tudo o que este livro pode transmitir.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

BEDA #13: Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult

Domingo, 13.08.17

"Nasci porque um cientista conseguiu ligar os óvulos da minha mãe e os espermatozóides do meu pai para criar uma combinação específica de material genético precioso."

DSCF3548 - Cópia - Cópia.JPG

 

 

Este foi mais um livro para o projeto Um Ano com a Jodi.

Brian e Sara têm uma família feliz e equilibrada com os seus dois filhos: Jesse e Kate. Aos três anos de idade, Kate é diagnosticada com LPA - Leucemia Promielocítica Aguda - uma variação rara da Leucemia com muitas complicações e probabilidade de sobrevivência muito baixa.

Para salvar a sua filha Kate, os seus pais decidem criar um bebé geneticamente compatível com ela para poderem utilizar as células do cordão umbilical e assim ajudar a Kate, o que dá origem ao nascimento da Anna.

O que começou por ser apenas uma doação de células do cordão umbilical sem qualquer interferência com a qualidade de vida da Anna, depressa se tornou em transfusões, transplantes e cirurgias frequentes. Aos treze anos de idade, Anna já tem um historial médico bem recheado sem nunca ter precisado ela própria de cuidados médicos.

Quando Kate é diagnosticada desta vez com insuficiencia renal, os pais dizem a Anna que esta terá de doar um rim à irmã. E é então que Anna decide dizer não, e instaura um processo legal contra os pais pelo direito do seu próprio corpo.

É um livro emocionante que nos mostra a história de uma família que vive diariamente com um problema sem solução. São-nos ainda revelados vários detalhes sobre esta doença e sobre as suas complicações, nota-se que foi feito um estudo prévio à escrita do livro.

Levanta várias questões complexas e aborda os já habituais temas controversos da ética e da moral que várias vezes se encontram nos livros desta autora - pelo menos naqueles que já li. Se por um lado a vida de Kate está em risco e só a irmã a pode salvar, por outro lado temos a Anna a enfrentar uma luta que não é sua, arriscando também ela a sua própria vida.

Os capítulos são divididos por pontos de vista dos personagem. Cada capítulo vai sendo contado da perspetiva de uma pessoa apenas, e essa pessoa vai variando. A escrita é simples e direta.

O final é surpreendente e imprevisível; trágico, tal como aconteceu no primeiro livro que li dela.

Recomendo.

 

 

Vi o filme recentemente. Achei que foi uma boa adaptação, embora várias partes do livro tenham sido alteradas. Senti falta do Jesse rebelde e perturbado do livro. A dor daquela família também considero melhor representada no livro. O final também foi alterado, é mais esperado e não é tão trágico.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

BEDA #9: O Enígma das Cartas Anónimas, de Agatha Christie

Quarta-feira, 09.08.17

DSCF3659.JPG

 

 

Este é o quarto livro que leio da Agatha Christie e continua sem me desiludir.

Neste livro conhecemos Jerry Burton, um homem que após um acidente grave é aconselhado pelo seu médico a refugiar-se num local sossegado, sem as distrações habituais da família ou dos amigos. E é isso que ele faz, ou pensa fazer, quando decide ir para a aldeia de Lymstock, na companhia da sua irmã Joana. A paz e sossego que ele esperava evaporam-se nos primeiros dias, quando recebe uma estranha carta com algumas acusações sobre ele e a irmã.

Inicialmente não lhe dá importância, pensando que é apenas algum habitante daquela aldeia que os considera intrusos. A trama começa a ganhar vida quando Jerry descobre que não foi o único a receber uma carta daquele género; aliás quase toda a aldeia já recebeu pelo menos uma. Quando uma mulher é encontrada morta em sua casa com uma carta amarrotada ao lado, já todos procuram saber quem é o misterioso autor daquelas histórias.

Afinal que mistérios esconde a pequena aldeia de Lymstock?

A ajuda chegará da conhecida Miss Marple, que aparece de visita a uma amiga habitante da aldeia e acaba por desvendar o caso.

Este é um livro com uma escrita muito acessível, que se lê muito rapidamente e que nos leva sempre a querer ler mais na ânsia de descobrir o enigma. O Jerry é o nosso narrador, e desvenda-nos os seus pensamentos e as suas perspetivas ao longo da história. 

Não consegui descobrir quem era o culpado antes de o ler. Os meus palpites saíram todos ao lado.

É pena que a personagem Jane Marple tenha aparecido já no final do livro, mesmo assim foi uma leitura interessante.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)

BEDA #5: O Rouxinol, de Kristin Hannah

Sábado, 05.08.17

DSCF3567.JPG

 

 

 

O Rouxinol é um livro maravilhoso, que retrata a França na Segunda Guerra Mundial.

Isabelle e Vianne são irmãs. A primeira juntou-se à resistência, conspira contra a rendição da França e luta pelo regresso do país que conheceu. A segunda luta para manter a família unida enquanto espera pelo regresso do marido da guerra; e foi obrigada a receber soldados nazis debaixo do seu teto enquanto ajuda crianças judias como pode.

O pai destas duas irmãs foi um soldado na Primeira Grande Guerra que ficou marcado por tudo aquilo que presenciou, e desistiu de tomar conta das filhas quando a mulher sofreu uma morte prematura.

O ambiente vivido em França quando esta foi atacada pelas tropas alemãs após a falha da linha Maginot é muito bem descrito. Conseguimos sentir o medo da população de perto. Temos contacto com a França Livre e com a França Ocupada. Travamos uma luta interna, tal como a travaram aqueles que lá estiveram: ética vs. sobrevivência.

É várias vezes referido o nome de Edith Cavell, uma enfermeira britânica que tratava soldados sem se importar com as suas nacionalidades. Foi acusada de traição por ajudar aliados a chegar à zona neutra da Holanda e condenada à morte, mas nunca foi esquecida.

"Patriotism is not enough, I must have no hate in my heart" é uma das suas frases mais conhecidas.

Este livro é uma homenagem às sobreviventes da Segunda Guerra, que por tanto passaram. Mulheres como Vianne e mulheres como Isabelle. Mulheres que arriscaram a vida pelo seu país. Traz-nos a união de um período histórico trágico e doloroso com mulheres fortes que fazem tudo para proteger aqueles que amam e aquilo em que acreditam.

Um livro cheio de personagens marcantes e histórias de vida fortes.

Recomendo sem qualquer reserva.

Goodreads - Facebook - Instagram

Autoria e outros dados (tags, etc)





Leituras do Momento: