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O Barão de Lavos, de Abel Botelho

Domingo, 03.12.17

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Abel Botelho não é um escritor muito conhecido. Português, viveu entre finais do séc. XIX e início do séc. XX. Escreveu vários livros de poesia, peças de teatro e romances, onde se insere O Barão de Lavos.

 

Ouvi falar deste livro recentemente, neste vídeo do Hugo, no canal O Aprendiz de Leitor.

 

Em conjunto com outros quatro, O Barão de Lavos pertence a uma série escrita por Abel Botelho e denominada Patologia Social, a parte da sua obra que representa o Neo-realismo, ou seja, a observação fiel da realidade e caracterização de fenómenos sociais que eram comuns na época. Neste caso, o pano de fundo será Lisboa, a capital de Portugal e cidade de maior prestígio. Os temas predominantes neste conjunto de livros são a homossexualidade, a prostituição, luta da classe proletária, o adultério e a política.

 

Centra-se na história de Sebastião de Castro e Noronha, o nosso protagonista e Barão de Lavos. Excêntrico, nobre e descendente de duas das famílias mais influentes do país, tem a obsessão de encontrar o corpo perfeito e de o desenhar, procurando em zonas apinhadas de gente, como é o caso do circo.

 

"Dezenas de rapazes, de mulheres, de rapariguitas mesmo, tinham vindo àquela casa poisar perante a sua obstinação doentia. Perscrutinava ele na rua uma mulher fácil ou um garoto complacente que lhe parecesse deviam ter aquele desvio anatómico? ... Não os largava enquanto não conseguisse, a impulso de astúcia e de dinheiro, conduzi-los à Rua da Rosa e analisar-lhes a nudez."

 

Assim, encontra Eugénio, um efebo de 15 anos e desprezado pelos pais que dorme em qualquer esquina, com quem inicia uma relação e ao qual arranja uma das suas casas para viver. À medida que o tempo passa, o Barão vai ficando cada vez mais à mercê de Eugénio, que o explora financeiramente e o vai deixando mais pobre a cada dia.

 

Publicado em 1891, este é o primeiro livro da série que referi acima e retrata a homossexualidade e apresenta cenas de pedofilia, embora eu pense que na altura o objetivo do autor era apenas apresentar o primeiro tema, uma vez que os dois eram dissociáveis no séc. XIX. A homossexualidade não é apresentada como sendo natural, mas como uma doença, causada pela situação familiar ou pelas vivências sociais, e que não pode ter outro desfecho além da degeneração e destruição de quem a pratica.

 

Imagino que a publicação desta obra tenha causado grande escândalo no seio da sociedade conservadora da altura, tendo em conta os temas tabu que aborda.

 

Não é um livro recomendado para aqueles que fogem de descrições longas e detalhadas. Muitas aparecem neste volume. No entanto, a história vale a pena, o tom de crítica social encontra-se em cada capítulo. Além disso, é um livro que se encontra facilmente em formato digital, pelo que vale sempre a pena tentar conhecê-lo.

 

Ler os Nossos: um projeto da Cláudia, do blog e canal a mulher que ama livros.

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TBR | Dezembro

Sexta-feira, 01.12.17

Para Dezembro escolhi poucas leituras, que espero que sejam boas e prazerosas.

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Memórias das Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez

Vencedor do Nobel da Literatura em 1982. Dele, já li o livro O Amor nos Tempos de Cólera e na altura achei um pouco aborrecido. Este que vou ler este mês é muito pequenino e penso que a sua leitura vai correr bem. Irá inserir-se na etapa nove do projeto A Volta ao Mundo em Livros, que consiste em ler livros escritos por autores colombianos.

 

A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós

O clássico escolhido pelo Clube dos Clássicos Vivos para os meses de Novembro e Dezembro. Espero gostar. Do autor apenas li, também para o Clube em Janeiro, O Crime do Padre Amaro e gostei. Já tinha visto o filme e as diferenças conquistaram-me. Vou ler este no Kobo.

 

Dezanove Minutos, de Jody Picoult

Mais uma leitura do Projeto Um ano com Jodi. Vou ler no Kobo em PT-BR e espero gostar.

 

Contos Completos, dos Irmão Grimm

Vou começar o meu Projeto Grimm este mês com cinco contos. Espero gostar e ter material suficiente para colocar mini-opiniões de cada um. Já li lá pelo meio "A Gata Borralheira" e vi que se não são as versões originais, são bem lá perto. Não recomendado para crianças, definitivamente.

 

E vocês, o que vão ler em Dezembro? Contem-me tudo nos comentários!

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As Intermitências da Morte, de José Saramago

Quinta-feira, 30.11.17

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José Saramago foi o único escritor português galardoado com o Nobel da Literatura, em 1998. Foi merecido. Escreveu vários romances, crónicas, contos e até alguns livros de poesia e contos infantis.

 

As Intermitências da Morte foi o terceiro livro que li do autor, tendo lido já há alguns anos Caim e, mais recentemente, Ensaio Sobre a Cegeira.

 

Este livro fala da morte.

 

"No dia seguinte ninguém morreu."

 

A frase inicial desta obra é um ponto de partida que nos deixa desde logo intrigados. A partir daqui Saramago relata-nos, no seu estilo carregado de ironia e sarcasmo, as reações da sociedade e de quem a governa, da igreja e do clero, dos hospitais, das agencias funerárias e até das seguradoras ao súbito desaparecimento da morte.

 

Várias reflexões podem ser feitas ao longo desta leitura, onde Saramago vai divagando acerca da importância da vida e da morte e da forma como as duas se conjugam.

 

Os moribundos, ou seja, aqueles que não podem morrer mas estão em tal estado que também não têm condições para viver, são constantemente focados. As discussões e problemas que criam para a família e as soluções que acabam por se encontrar são bastante escrutinadas, num tom de crítica social acentuado a cada palavra.

 

Em páginas mais avançadas, as personagens deixam de ser tão subjetivas e passam a ser bem definidas, apesar de nunca termos acesso a um nome próprio. O autor foca aqui a morte e o violoncelista, um personagem fulcral na história.

 

A morte acaba por ser humanizada e igualada a todos nós. Todas nós, pois aqui a morte é representada como uma personagem feminina.

 

A escrita do autor já me era familiar e não passei por aquele característico período de adaptação. A forma como ele escrevia, apenas usando como pontuação alguns pontos finais e muitas vírgulas, poderá não ser adaptada a todos mas, como ele próprio disse uma vez, é a forma como as pessoas falam, a forma como as histórias são contadas.

 

O final do livro é maravilhoso. Se tinha dúvidas entre as quatro e as cinco estrelas, este final dissipou-as de vez.

 

Leiam este livro. Leiam Saramago. Leiam os nossos.

 

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TAG | Clube dos Clássicos Vivos

Terça-feira, 28.11.17

A Cláudia e a Carolina, moderadoras do Clube dos Clássicos Vivos, criaram esta TAG para os membros do clube. Aqui ficam as minhas respostas.

 

1. Há quanto tempo estás no Clube dos Clássicos Vivos?

Estou no grupo do Goodreads desde Outubro de 2015. No entanto, a primeira leitura que fiz em conjunto com o grupo foi apenas em Abril de 2016 com O Monte dos Vendavais. Entretanto a partir de Agosto de 2016 o Clube entrou numa pausa e voltou apenas em 2017. Desde aí, tenho participado em todas as leituras.

 

2. O que mais gostas no Clube e o que menos gostas?

Adoro a interação e a troca de ideias à medida que as leituras acontecem. Gosto muito dos encontros, embora não consiga ir a todos. O que menos gosto, que pode ser apenas falta de jeito da minha parte, é o facto de ser muito difícil encontrar as discussões ou polls que quero. Aparece-me tudo desorganizado, em vez de aparecer certinho por data.

 

3.Tens alguma sugestão para o clube? Qual?

A ideia do passaporte é muito gira. Poderia existir um tópico no grupo para os membros sugerirem futuras leituras. Os segundos lugares irem a votação também é uma oportunidade para ser escolhido um deles.

 

4. De todos os clássicos lidos no Clube qual foi a leitura mais surpreendente e a aquela que mais te desiludiu?

A leitura que mais me surpreendeu foi logo a primeira. O Monte dos Vendavais. Emily Brontë. Adorei esta leitura, adorei as personagens, tudo.

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A leitura que mais me desiludiu foi uma que fiz não li em conjunto com os restantes membros, pois não tinha o livro na altura, mas li mais tarde quando o comprei. Orlando. Virginia Woolf. Estava à espera de gostar bastante. Mas não gostei nada. A escrita da autora não é para mim, chatinha e aborrecida. Não penso pegar em nenhum livro dela em breve.

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5. Houve algum clássico que te fez mudar a percepção de clássico? Qual? 

Sim. Lolita, de Vladimir Nabokov. Também não li em conjunto com o clube, mas pus a leitura em dia assim que arranjei o livro. Não sei se não foi o primeiro clássico que li. Talvez tenha sido. E gostei muito, apesar de esperar aquela leitura chata associada aos clássicos.

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6. Que clássico recomendariam a alguém para começar a ler clássicos?

Vou recomendar Dom Casmurro, de Machado de Assis. Uma leitura que flui muito rapidamente, uma história que encanta e uma escrita que cativa. Penso ser impossível achá-lo aborrecido.

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7.Qual foi a personagem mais interessante e a personagem mais irritante que conheceste nas leituras do clube?

A personagem mais interessante que conheci com as leituras do clube foi sem dúvida a Holly Golightly. Criada por Truman Capote, em A Boneca de Luxo, é uma personagem tão bem construída e cheia de adjetivos que a caracterizam. A personagem faz o livro e torna-o tão especial.

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Uma das personagens mais irritantes foi a Daisy Buchanan, em O Grande Gatsby. A personagem mais mesquinha e irritante que Fitgerald criou neste livro. Fútil e superficial. Egoísta. Nociva. Não merece o amor do nosso querido Jay.

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8. Indica dois Clássicos que gostavas de ver no Clube 

Gostava de ver no clube O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Também seria interessante ver O Conde de Monte Cristo, preciso de um incentivo para este calhamaço.

 

9. Indica dois dos teus Clássicos preferidos de sempre. 

Não tenho uma bagagem muito grande de clássicos lidos. Portanto, vou ter de voltar a mencionar livros de que já falei acima. Vou indicar O Monte dos Vendavais e Lolita.

 

10. Onde gostavas que houvesse um encontro? 

Em Leiria, claro. Talvez seja em breve, vamos ver. Se for, espero que corra muito bem e que puxe as meninas de Lisboa aqui mais para o centro! Por outro lado, também seria interessante visitar outros locais espalhados pelo país, ligados de alguma forma à literatura ou a autores que lemos.

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Uma Melodia Inesperada, de Jodi Picoult

Sábado, 25.11.17

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Esta foi mais uma leitura para o projeto "Um ano com a Jodi".

 

Zoe Baxter tem apenas um sonho: ser mãe. Os seus problemas de infertilidade, aliados aos dos seu marido, Max Baxter, tornam este sonho difícil de realizar. Após várias tentativas falhadas de fertilização in vitro e vários abortos, Zoe sofre várias desilusões e a tragédia acaba com a pouca felicidade que tinha.

 

Vanessa é psicóloga numa escola. A certa altura, propõe a Zoe trabalhar com uma das alunas, Lucy, que se encontra com uma depressão, após várias tentativas de suicídio.

 

Os temas deste livro são fortes. A moralidade e a ética estão, como sempre, presentes. Temos por um lado a Igreja da Glória Eterna, extremamente conservadora. Por outro lado, temos temas como a homossexualidade e a depressão.

 

A terapia musical também é um tema muito interessante presente neste livro. A utilização da música em contexto clínico, que tem como objetivo ajudar pacientes com problemas de saúde mental.

 

O final é previsível. Algumas pontas foram deixadas soltas, o que me deixou aborrecida. No geral, é uma leitura agradável.

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Dom Casmurro, de Machado de Assis

Quarta-feira, 22.11.17

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Machado de Assis foi um escritor brasileiro, considerado por muitos um dos maiores nomes da literatura brasileira. Dom Casmurro é um dos seus muitos títulos, publicado em 1899. Nunca tinha lido nada do autor, sendo portanto este o primeiro contacto que tive com a sua escrita. Foi o clássico escolhido para o Clube dos Clássicos Vivos, nos meses de Setembro e Outubro.

 

Traz-nos a história de Bentinho, apenas sob a sua perspetiva, que se apaixona por Capitu durante a adolescência. A sua mãe prometeu que ele iria para o seminário e Bentinho inicialmente aceitou bem a ideia, mas este amor pela sua amiga de infância vem colocar uma série de dúvidas na sua cabeça.

 

Fala-nos de ciúme e tem nuances não conclusivas de traição, que criam várias discussões entre os amantes deste clássico. A narração na primeira pessoa torna a história parcial e subjetiva, podendo levar a diferentes interpretações.

 

Este livro é dividido em capítulos muito curtos, o que nos proporciona um ritmo de leitura rápido. A história é envolvente e a escrita do autor cativante.

 

O título do livro é desvendado logo no primeiro capítulo.

 

"Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando!"

 

As personagens são na sua maioria interessantes e importantes para a história. Bento Santiago, ou Bentinho, é um homem solitário, ingénuo e sensível, criado apenas pela sua mãe extremamente protetora. Capitolina, ou Capitu, é dona de uma personalidade forte, muito inteligente e extrovertida, o completo oposto de Bentinho.

 

Os locais assinalados são narrados detalhadamente, levando-nos a imaginar o cenário com bastante pormenor.

 

Apesar de todas as dúvidas, divergências e opiniões diversas, Dom Casmurro é um clássico da literatura brasileira que merece ser lido.

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Harry Potter e os Talismãs da Morte, de J. K. Rowling

Domingo, 19.11.17

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E finalmente, chegou a opinião do último livro desta maravilhosa série que tantos marcou na minha geração, incluindo eu própria.

 

Começamos por nos despedir dos Dursley, que viajam para a segurança de uma casa protegida pela Ordem, muito perto da data em que Harry completará os 17 anos, atingindo assim a maioridade e quebrando o encantamento criado pela sua mãe, quando se sacrificou para o salvar, e continuado pela sua tia, de cada vez que o aceitava em sua casa para passar os Verões.

 

Duas mortes dolorosas são anunciadas logo nas primeiras páginas, deixando-nos desde o início com o coração nas mãos. O clima de perigo continua e mantêm-se praticamente durante todo o livro. Várias outras mortes serão anunciadas ao longo das restantes páginas.

 

A profecia que conhecemos no quinto livro paira agora sobre a cabeça de Harry e guia todos os seus passos. Afinal "nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver".

 

A jornada começada por Dumbledore é agora continuada por Harry, sempre na companhia dos seus grandes amigos Ron e Hermione. No entanto, a procura por Horcruxes vai-se tornando cada vez mais difícil e as formas de os destruir são escassas. Quem poderá ajudá-los?

 

As amizades são postas à prova, a luta está cada vez mais próxima. A morte aparece, uma e outra vez. J. K. Rowling, porquê?

 

E os Talismãs da morte, que dão o título ao livro? Aquele que os reunir será o Senhor da Morte, mas será que são reais ou apenas um conto para crianças?

 

Muitos são os mistérios que vão aparecendo ao longo da história, muitas as revelações que são feitas. Várias pontas soltas são unidas. Percebemos coisas que antes não entendíamos.

 

A pior parte é ser o fim. O fim desta história mágica que cresceu comigo e com tantos outros e que me acompanhou durante toda a minha adolescência.

 

 

 

Nos filmes, apesar de serem dois, várias cenas foram cortadas. Senti falta de conhecer a sala comum dos Ravenclaw, com o seu complicado enigma para resolver à entrada. Também faltaram os elfos domésticos, liderados por Kreacher, a lutar contra os devoradores da morte na Batalha de Hogwarts, sem que ninguém lhe ordenasse. Faltou a história de Dumbledore.

Mas enfim, não se pode negar a qualidade óbvia destas adaptações.

 

"Era uma vez três irmãos que caminhavam por uma estrada solitária e sinuosa ao crepúsculo.

A certa altura, os irmãos chegaram a um rio demasiado fundo para passar a pé e demasiado perigoso para atravessar a nado. Contudo, esses irmãos eram exímios em artes mágicas, por isso limitaram-se a agitar as varinhas e fizeram aparecer uma ponte sobre as aguas traiçoeiras. Iam a meio desta quando encontraram o caminho bloqueado por uma figura encapuzada.

E a Morte falou-lhes. Estava zangada por ter sido defraudada em três novas vítimas, pois normalmente os viajantes afogavam-se no rio. Mas a Morte era astuta. Fingiu felicitar os três irmãos pela sua magia e disse que cada um deles havia ganho um prémio por ter sido suficientemente esperto para a evitar.

E assim, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu uma varinha mais poderosa que todas as que existissem: uma varinha que vencesse sempre os duelos, uma varinha digna de um feiticeiro que vencera a Morte! Portanto a Morte foi até um velho sabugueiro na margem do rio, moldou uma varinha de um ramo tombado e deu-a ao irmão mais velho.
Depois, o segundo irmão, que era um homem arrogante, decidiu que queria humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de trazer outros de volta da Morte. Então a Morte pegou numa pedra da margem do rio e deu-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra teria o poder de fazer regressar os mortos.
E depois a Morte perguntou ao terceiro irmão, o mais jovem, do que gostaria ele. O irmão mais novo era o mais humilde e também o mais sensato dos irmãos, e não confiava na Morte. Por isso, pediu qualquer coisa que lhe permitisse sair daquele local sem ser seguido pela Morte. E esta, muito contrariada, entregou-lhe o seu próprio Manto de Invisibilidade.
Depois a Morte afastou-se e permitiu que os três irmãos prosseguissem o seu caminho, e eles assim fizeram, falando com espanto a aventura que tinham vivido, e admirando os presentes da Morte.
A seu tempo, os irmãos separaram-se, seguindo cada um o seu destino.
O primeiro irmão continuou a viajar durante uma semana ou mais e, ao chegar a uma vila distante, foi procurar um outro feiticeiro com quem tinha desavenças. Naturalmente, com a Varinha do Sabugueiro como arma, não podia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Abandonando o inimigo morto estendido no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem onde se gabou, alto e bom som, da poderosa varinha que arrancara à própria Morte, e que o tornava invencível.
Nessa mesma noite, outro feiticeiro aproximou-se silenciosamente do irmão mais velho, que se achava estendido na sua cama, encharcando em vinho. O ladrão roubou a varinha e, à cautela, cortou o pescoço ao irmão mais velho.
E assim a Morte levou consigo o irmão mais velho.
Entretanto, o segundo irmão viajara para sua casa, onde vivia sozinho. Aí, pegou na pedra que tinha o poder de fazer regressar os mortos, e fê-la girar três vezes na mão. Para seu espanto e satisfação, a figura da rapariga que em tempos esperava desposar, antes da sua morte prematura, apareceu imediatamente diante dele.
No entanto, ela estava triste e fria, separada dele como que por um véu. Embora tivesse voltado ao mundo mortal, não pertencia verdadeiramente ali, e sofria. Por fim, o segundo irmão, louco de saudades não mitigadas, suicidou-se para se juntar verdadeiramente com ela.
E assim a Morte levou consigo o segundo irmão.
Mas embora procurasse durante muitos anos o terceiro irmão, a Morte nunca conseguiu encontra-lo. Só ao atingir uma idade provecta é que o irmão mais novo tirou finalmente o Manto de Invisibilidade e o deu ao seu filho. E então acolheu a Morte como uma velha amiga, e foi com ela satisfeito e, como iguais, abandonaram esta vida."

 

 

 

Opiniões anteriores:

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, de J. K. Rowling

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, de J.K.Rowling

Harry Potter e o Cálice de Fogo, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling

Harry Potter e o Príncipe Misterioso, de J. K. Rowling

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Harry Potter e o Príncipe Misterioso, de J. K. Rowling

Quinta-feira, 16.11.17

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Chegámos à sexta leitura da saga Harry Potter. Voldemort voltou mesmo e já não há especulações sobre o seu regresso. Já nem o Ministério da Magia o pode negar.

Harry volta à escola para o seu sexto ano a aprender magia, onde pensa não conseguir prosseguir o seu sonho de se tornar Auror, uma vez que teve apenas um Excede as Expetativas no seu exame do ano anterior e o professor Snape não aceita menos que Brilhantes nas suas turmas do sexto ano. No entanto, o novo professor Horace Slughorn aceita alunos que tenham tirado EE nos seus NPF's.

 

Snape, o antigo professor de Poções, encontra-se agora com outro cargo na escola de magia de Hogwarts, mas será isto um bom presságio?

 

De entre os muitos mistérios que vão aparecendo ao longo do ano, Harry encontra-se na posse de um livro revelador de poderosos e perigosos feitiços. Na parte inferior da contracapa apenas se lê "Este Livro é Pertença do Príncipe Meio-Sangue". Mas quem será realmente este príncipe? E por que motivo escreveu todos aqueles feitiços num livro de estudo?

 

Várias revelações são feitas, o passado de Lord Voldemort é descortinado, desde o tempo em que era ainda conhecido por Tom Riddle.

 

A relação de Harry e Ginny evolui, torna-se mais forte. Nada disto aparece no filme.

 

Novas referências são adicionadas a este já tão vasto mundo mágico. O Juramento Inquebrável, um encantamento que sela uma promessa de um feiticeiro a outro, sendo que se a mesma não for cumprida, quem falhou morre.

 

Encontramos a Amortencia, a poção de amor mais forte do mundo, que tem um cheiro diferente para cada um conforme aquilo que mais nos atrai.

 

Horcrux. Um objeto criado por magia negra, que guarda um pedaço da alma do feiticeiro que o criou. Para conseguir criar um, é necessário cometer um crime que vai contra a Natureza e que mutila a alma: matar um ser humano. Quando um Horcrux é feito, o feiticeiro que o criou fica protegido contra a morte, e mesmo que o seu corpo seja destruído, a sua alma permanecerá viva.

 

O clima pesado e negro iniciado nos livros anteriores continua e torna-se cada vez pior. 

 

 

O filme. Bem, nem sei o que dizer. É sem dúvida o pior de todos, em questões de adaptação. Vários episódios importantes foram cortados, enquanto muitas cenas desnecessárias foram adicionadas.

 

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Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling

Segunda-feira, 13.11.17

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O final do livro anterior veio mudar forçosamente a linha desta história. Afinal, Lord Voldemort voltou a erguer-se, agora em carne e osso, tal como Harry testemunhou. No entanto, o Ministério da Magia não acreditou nele e nega o regresso do feiticeiro negro. 

 

A narrativa começa em Privet Drive, onde Harry passa a maior parte dos seus Verões, na casa dos tios Petúnia e Vernon. Longe de tudo e todos, não sabe o que anda Voldemort a tramar ou o que está a ser feito para o travar. O seu primo, Dudley, e o próprio Harry, são emboscados num beco por dois Dementors, e Harry vê-se obrigado a quebrar as regras da escola e usar magia para se defender. 

 

Do outro lado, Voldemort e os seus fiéis seguidores encontram-se a reunir forças e a preparar o seu regresso ao poder, mesmo debaixo das barbas do Ministério, onde já se infiltraram.

 

Apesar da recusa do Ministro da Magia em aceitar o regresso do feiticeiro mais temido de todos os tempos, uma sociedade secreta, conhecida por Ordem da Fénix e criada por Dumbledore nos tempos da primeira guerra, voltou a juntar-se e luta agora nas sombras contra os estragos dos Devoradores da Morte, protegendo aqueles que precisam de proteção e ajudando aqueles que precisam de ser ajudados.

 

O regresso à escola é marcado pela presença de uma nova professora de Defesa contra as Artes Negras, Dolores Umbridge. Uma mulherzinha pequena e atarracada, enviada pelo Ministério, sádica e desprezível, que não permite o uso de magia nas suas aulas, insistindo que não existe nenhum perigo a ser combatido. No entanto, os alunos que querem realmente aprender não ficam quietos e treinam magia às escondidas.

 

Neste que é o maior volume de toda a série, J. K. Rowling mostra-nos o papel da política no mundo dos feiticeiros, muito falada ao longo da história.

 

A narrativa é ligeiramente mais morosa, mas nunca aborrecida ou maçadora. Apenas existem pormenores mágicos que precisam de atenção e de descrições mais detalhadas.

 

As personagens continuam a ser fenomenais. Sempre bem construídas e sempre a surpreender, crescem e mostram mais das suas muitas camadas. Neville Longbotton foi uma agradável surpresa. Luna Lovegood é uma nova personagem encantadora, que vive com a imaginação a trabalhar ao máximo. Bellatrix Lestrange, uma das mais fiéis devoradoras da morte, é-nos também apresentada, deixando o caos à sua passagem.

 

A morte também é representada. J. K. Rowling deixa-nos com o coração apertado quando nos leva uma das personagens preferidas deste mundo mágico, que ainda tinha tanto para mostrar. Mas a vida não é justa, nem aqui no mundo dos Muggles, nem lá no mundo dos feiticeiros.

 

 

O filme tem muitas diferenças. Várias personagens foram cortadas e várias cenas também. Neville assume também o papel de Dobby, fazendo as falas que deveriam pertencer ao elfo. A amiga de Cho, Marietta, que no livro também pertence ao exército de Dumbledore, é cortada. Cho assume as suas falas e ações, adaptadas à sua personagem. Não sei se este não é o filme com mais diferenças.

 

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Harry Potter e o Cálice de Fogo, de J. K. Rowling

Sexta-feira, 10.11.17

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Um jogo de Quidditch profissional. O famoso seeker Viktor Krum deslumbra os fãs em cima da sua vassoura. Mas a noite chega e aparecem figuras encapuzadas.

 

"- MORSMORDRE!"

 

A marca negra aparece no céu. A mesma marca que, há tantos anos atrás, desesperava os feiticeiros que a encontravam a pairar por cima das suas casas. A marca que significa morte.

 

Conhecemos as maldições imperdoáveis, que são três e puníveis com pena pesada em Azkaban. Sabemos agora o significado do clarão verde que o nosso herói de vez em quando vê.

 

Os elfos domésticos também têm um grande destaque neste volume. Criaturas que servem os feiticeiros, fazendo todas as tarefas domésticas e tudo aquilo que os amos lhes ordenarem. Vivem vidas miseráveis e são mal tratados. A maior parte deles. Mas há quem não concorde com a exploração destes seres mágicos, e assim vemos nascer a B.A.B.E. - Brigada de Apoio ao Bem-Estar dos Elfos.

 

O torneio dos três feiticeiros regressa. Há muito tempo atrás, três escolas de feitiçaria juntavam-se periodicamente para competir em alguns desafios definidos por um júri competente e eleger a melhor escola de magia. Este ano a tradição voltou. Hogwarts, Durmstrang e Beauxbattons voltam a encontrar-se e a eleger campeões para as representarem. O que poderá correr mal? É o que vamos descobrindo.

 

O primeiro grande volume desta série é marcado pela ação do princípio ao fim. Começamos logo com uma novidade: o enredo não se prende apenas com a perspetiva do Harry. Que outros pontos de vista iremos conhecer?

 

O ambiente sinistro iniciado no terceiro volume adensa-se ainda mais. Maldições imperdoáveis. Tortura. Morte.

 

Um livro extremamente cativante, um enredo perfeito e um final que nos deixa sedentos por mais.

 

"É estranho, mas quando receamos tanto uma coisa que daríamos tudo para fazer o tempo andar mais devagar, este tem a mania de andar mais depressa."

 

"Se queres conhecer o carácter de um homem, vê como ele trata os seus inferiores, não os seus iguais."

 

"A compreensão é o primeiro passo para a aceitação e só com aceitação poderá haver recuperação."

 

"Adormecer a dor durante um tempo torná-la-á pior quando finalmente a sentires."

 

 

O filme tem, como sempre, as suas diferenças. Gira tudo muito à volta do torneiro, o que não acontece no livro, em que as tarefas são espaçadas e muito acontece pelo meio. Algumas cenas e magias interessantes são deixadas de fora, como é exemplo o fumo que vira o mundo de quem por ele passa ao contrário, que aparece numa das tarefas do torneio.

No entanto, vale a pena ver, claro.

 

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