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Stranger Things | 1ª temporada

Quarta-feira, 21.02.18

Comecei este mês a ver a série mais falada dos últimos meses: Stranger Things. Hoje venho falar um bocadinho da primeira temporada, sem spoilers.

 

Uma distribuição da Netflix, escrita pelos irmãos Matt e Ross Duffer, com produção de Shawn Levy, estreou a 15 de Julho de 2016. A primeira temporada teve oito episódios e enquadra-se nos génereos Ficção Científica e Terror.

 

A trama é baseada em algum do trabalho de Stephen King, passa-se em Hawkins, numa pequena cidade norte-americana onde todos se conhecem, e  inicia quando um miúdo desaparece sem deixar qualquer rasto.

 

É também, embora pareça estranho, baseada em factos reais. Mais precisamente no projeto Montauk, um assunto secreto do governo norte-americano, desenvolvido em Camp Hero, do qual existem rumores de várias experiências perigosas em seres humanos durante o período da Guerra Fria. Diz-se que várias pessoas, incluindo crianças, eram torturadas com o objetivo de atingirem certas capacidades psíquicas e técnicas de guerra psicológica, tendo ainda sido testadas viagens no tempo e interespaciais.

 

Com um roteiro muito bem escrito, efeitos especiais muito bons e referências importantes de cultura que passam quase despercebidas, acaba por nos prender a atenção de forma viciante. É uma caixinha de cultura da época e traz-nos jogos de "role playing", crianças a andar de bicicleta sozinhas na rua ou "walkie-talkies". The Clash, Scorpions, Bon Jovi, Queen, Mettallica, Cyndi Lauper, The Police, são alguns dos nomes que embalam a trilha sonora da série, focada nos anos 80.  Filmes como O Senhor dos Anéis, E.T., Star Wars são várias vezes referidos.

 

Confesso que o primeiro episódio não me convenceu completamente, mas valeu a pena continuar. As personagens são envolventes e cativantes e o elenco é bastante afinado apesar de na sua maioria ser pouco conhecido. A pequena atriz Millie Bobby Brown é quem mais se destaca, sendo que esta primeira temporada se foca imenso na sua personagem.

 

Nesta série não existem excessos, não encontramos cenas só para encher nem temos de esperar até ao final da temporada para ver alguma ação. Todos os episódios são bons e importantes.

 

Uma vantagem desta série é que cada temporada tem a sua própria história, assim não temos de esperar meses (ou às vezes anos) para saber o que irá acontecer depois. Mesmo assim, o final não é completamente fechado, existe algum mistério para dar azo à imaginação.

 

Vejam a série, vale a pena e as temporadas têm poucos episódios. Deixo o trailer da primeira:

 

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10 excertos de Jane Eyre

Domingo, 18.02.18

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"Eu acho que a vida é demasiado curta para ser passada a alimentar animosidades ou a recordar injustiças."

 

"Mesmo que o mundo inteiro te odiasse e te julgasse uma mã pessoa, desde que a tua consciência aprovasse a tua conduta e te libertasse de qualquer culpa, terias sempre uma amiga."

 

"(...) o tempo mitiga os desejos de vingança e aquieta os impulsos de fúria ou repulsa."

 

"(...) não há felicidade que se compare a sentirmos que somos amados pelos nossos semelhantes e que a nossa presença é para eles uma fonte de conforto."

 

"É como se eu tivesse um cordel algures debaixo das costelas do lado esquerdo, apertado com um nó tão cego ao ponto de ser impossível de desatar a um cordel semelhante situado na zona correspondente do seu corpo franzino. E se aquele canal tempestuoso mais cerca de trezentos quilómetros de terra se interpusesse entre nós dois, tenho medo de que esse cordel de ligação se parta, e depois há qualquer coisa dentro de mim que me diz que eu ficaria a sangrar por dentro."

 

"Porventura acha que sou algum autómato? Uma máquina destituída de sentimentos? E que estou disposta a deixar que me arranquem o naco de pão da boca e me despejem da taça a gota de água que me é indispensável à vida? Porventura acha que, lá por eu ser pobre, feira, apagada e baixa, não tenho alma e coração? Pois olhe que está muito enganado... Tenho uma alma tão grande quanto a sua e um coração tão forte quanto o seu! E, tivesse-me Deus dotado dalguma beleza e de muito dinheiro, e pode ter a certeza de que o senhor teria tanta dificuldade em deixar-me como eu tenho em deixá-lo neste momento. Não lhe estou a falar com a linguagem dos costumes, das convenções nem sequer da carne mortal... É o meu espírito a dirigir-se ao seu espírito, como se ambos já tivéssemos pela sepultura e nos encontrássemos agora aos pés de Deus, como iguais que somos!"

 

"Eu não sou pássaro nenhum, e não há rede capaz de me prender. Sou um ser humano livre, dotado de vontade própria, (...)"

 

"(...) que necessidade há de viver no Passado quando o Presente se nos apresenta muito mais seguro... e o Futuro, muito mais radioso?"

 

"Os preconceitos, como é bem sabido, são mais difíceis de erradicar de um solo que nunca foi arado ou fertilizado por meio da educação, ficam tão enraizados como ervas daninhas entre as pedras."

 

"Eu não sou pessoa de grande orgulho em circunstâncias destas: prefiro sempre a alegria à dignidade."

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Os Anagramas de Varsóvia | Richard Zimler

Quinta-feira, 15.02.18

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Richard Zimler é um escritor, jornalista e professor norte-americano, que se mudou para o Porto em 1990. Tem publicados vários romances, contos e livros infantis.

 

Este é o primeiro livro que leio do autor e tem como pano de fundo um gueto judeu da capital da Polónia, no ano de 1940, altura da Segunda Guerra Mundial.

 

Erik Cohen é um velho psiquiatra que, após a ocupação alemã, é obrigado a mudar-se para esta pequena área judaica de Varsóvia e a viver em casa da sua sobrinha Stefa com ela e o seu filho Adam. A certa altura, Erik encontra Heniek e conta-lhe a sua história. Daí nasce então o manuscrito Os Anagramas de Varsóvia, um registo das conversas entre Erik e Heniek, que este último conseguiu perservar até ao final da guerra e posteriormente partilhar com outros. Todos os nomes citados ao longo das suas páginas são anagramas construídos a partir das letras dos verdadeiros, daí o título deste manuscrito.

 

A miséria e a precariedade sentidos naquele gueto são palpáveis. O medo e a incerteza são comuns, mas também encontramos o amor e a esperança, sentimentos que frequentemente testemunhamos ao logo da leitura.

 

Este livro relembra-nos a época do Holocausto de uma forma diferente, uma vez que se trata de um thriller histórico. A componente policial tornou a leitua de um tema tão forte e pesado como o Holocausto numa leitura mais leve e distanciada. A vida dos judeus naquele gueto, o poder dos Nazis ou a indiferença dos polacos está lá, mas de uma forma mais leve do que estamos habituados.

 

No final, e apesar de bem construída, é uma história simples e a resolução do mistério que acompanha a maior arte das páginas não é muito surpreendente. Em suma, posso dizer que gostei, embora não tenha amado.

 

"De pé na escuridão, imaginei que, se oferecesse a minha vida a Deus, talvez ele poupasse alguém que quisesse viver - uma criança, com décadas de vida pela frente. Mas, mesmo que conseguisse covencer o Senhor a fazer esse negócio comigo, como decidir quem merecia mais?"

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TBR | Fevereiro

Domingo, 04.02.18

Fevereiro é um mês pequenino, no entanto espero ter boas leituras. Escolhi três livros para ler ao longo do mês.

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Vou ler Jane Eyre, de Charlotte Brontë, o clássico escolhido para o Clube dos Clássicos Vivos. Tenho espetativas relativamente altas em relação a ele. Espero gostar.

 

Num género completamente diferente quero ler O Hipnotista, de Lars Kepler, uma leitura que irá contar para o projeto A Volta ao Mundo em Livros que, este trimestre, elegeu a Suécia como etapa.

 

Por útimo, um livro pequenino mas não menos grandioso, O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Uma das compras da Feira do Livro 2017 que ainda não li, será este mês.

 

Não escolhi nenhum autor português. Infelizmente, dei-me conta de que não tenho praticamente nada de autores portugueses nas minhas estantes. Sugiram-me livros portugueses nos comentários, sim?

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De Mês a Mês | Janeiro

Quinta-feira, 01.02.18

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A TBR que defini para Janeiro foi cumprida.

 

Terminei a leitura de A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós. Não foi uma leitura tão boa quanto gostaria. Já postei opinião, aqui. O encontro do Clube dos Clássicos Vivos para falar sobre esta obra ocorreu cá em Leiria e foi maravilhoso.

 

Passei depois à leitura de A Contadora de Histórias, de Jodi Picoult. Como expliquei na opinião que fiz do livro, gostei mas não foi uma leitura perfeita. Tinha espetativas elevadas, o que não ajudou.

 

Depois li um autor português do qual ainda não conhecia nenhum livro. Valter Hugo Mãe, com Homens Imprudentemente Poéticos. Reconheço que é um bom livro e que está bem escrito, mas não me convenceu.

 

Por fim, iniciei a leitura de Os Anagramas de Varsóvia, de Richard Zimler. Gostei, embora esperasse gostar mais. Talvez tenha sido a junção desta época associada ao Holocausto com um thriller. Foi o primeiro thriller histórico que li e não adorei.

 

Em questões de livros novos adicionados à estante foram dois.

Os Anagramas de Varsóvia, de Richard Zimler, a primeira compra do ano, logo nos primeiros dias.

Jane Eyre, de Charlotte Brontë, uma oferta e a primeira escolha do ano no Clube dos Clássicos Vivos.

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Homens Imprudentemente Poéticos | Valter Hugo Mãe

Terça-feira, 30.01.18

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Valter Hugo Mãe é o nome artístico do escritor, editor, artista plástico, apresentador e cantor Valter Hugo Lemos. É um português nascido em Angola, na cidade de Saurimo. Já ganhou vários prémios, entre eles o de Melhor Romance do Ano, em 2012.

 

Homens Imprudentemente Poéticos é o seu último romance, publicado em 2016 pela Porto Editora. Retrata a história de uma pequena aldeia do Japão antigo e gira em torno da inimizade estabelecida entre dois vizinhos.

 

Ao escrever esta história, o autor visitou o local que mais foca ao longo das suas páginas: Aokigahara, também conhecida como a Floresta dos Suicidas. As estatísticas mostram que neste local se suicidam centenas de pessoas a cada ano, um ato que as autoridades locais tentam desencorajar mas que continua a existir, tornando a floresta no segundo local mais comum no mundo.

 

Os primeiros capítulos destinam-se à apresentação de cada uma das personagens principais. O artesão Ítaro, criador de leques, possui uma habilidade que tanto pode ser considerada conveniente como angustiante - a previsão do futuro. O oleiro Saburo, que vive com a mulher, a senhora Fuyu. A senhora Kame é a criada que já pertence à família, a figura maternal que sofre as dificuldades desta família como se fosse a sua. Matsu, a irmã de Ítaro, uma menina cega que tem uma perceção sensível do mundo e das coisas, vive no meio de sonhos e tem uma enorme gratidão pela vida. 

 

"Para Matsu as montanhas podiam fazer promontórios que se suspendessem sobre as aldeias. Braços de pedra que se levantavam entre as nuvens e sombreavam as aldeias. Explicavam-lhe que os cumes demoravam estações inteiras, podiam caminhar primaveras completas para lhes chegar ao cimo, e talvez nem chegassem, porque os homens faziam outra vida diferente da de poder voar. Mas a jovem imaginava o que ouvia segundo o seu próprio tremendismo, por isso julgava que o lugar mais alto das montanhas era uma extremidade de pedra que se alcandorava, coisa de conflituar com as nuvens e os pássaros maiores. Diferente de serem os homens voadores, ela inventava que seriam as montanhas terras capazes de pairar."

 

Ao longo do livro vamos conhecendo as razões que foram separando os dois vizinhos inimigos ao mesmo tempo que nos deparamos com temas fortes como a morte e o suicidio, o amor e a ausência dele, a perda ou o ódio.

 

É um bom livro, mas infelizmente não consegui que me enchesse as medidas. Foi o primeiro que li do autor e as opiniões que li variam bastante. Várias pessoas acham o melhor de Valter Hugo Mãe, outras acham que foi o pior. Vou ler mais livros da sua obra e formar a minha opinião. Neste livro, fico-me pelas três estrelas, espero atingir mais em leituras futuras.

 

Como curiosidade, vi numa notícia que neste livro o autor não utilizou uma única vez a palavra "não". Deixo a resposta que deu quando questionado sobre o assunto:

"A palavra Não sublinha um traço impróprio no Japão, porque difere da relação cerimoniosa que estabelecem uns com os outros. Os japoneses evitam dizer por norma Não e optam por uma expressão para essa negativa que, traduzida à letra, terá o significado de "isso é difícil". Por isso, várias vezes no romance as personagens respondem deste modo. O que é uma negativa educada, com que dão a entender ao interlocutor que o que lhe é pedido é impossível de fazer, mas sem o hostilizar."

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The Storyteller | Jodi Picoult

Quarta-feira, 24.01.18

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Publicado em 2013, e traduzido em Portugal para "A Contadora de Histórias", este livro traz até nós um tema muito triste: o Holocausto. Retrata algumas das muitas coisas que se passaram num campo de concentração específico e, talvez, o mais falado: Auschwitz.

 

É narrado na primeira pessoa pela voz de quatro personagens e engloba dois tempos distintos: o passado e o presente.

 

Sage é uma mulher de 25 anos, padeira de profissão e adora o que faz. Tem uma auto-estima muito baixa devido a um acidente do qual fez parte e que acabou por lhe deixar uma cicatriz na cara. É a voz do presente, do que se passa atualmente.

 

Leo fala também no presente. Trabalha no FBI e faz parte das suas funções perseguir e condenar ex-soldados nazis.

 

Josef é um nonagenário e ex-soldado das SS, que conta do seu ponto de vista como era a vida dos soldados, falando de assuntos como as seleções que eram feitas antes de lhes serem atribuídos os cargos.

 

Minka é a voz do passado, a voz dos horrores vividos antes e durante Auschwitz, uma mulher judia e uma sobrevivente do Holocausto. É também a avó de Sage.

 

"On that day I had also noticed a new sign on the restaurant. Psy i Żydzi nie pozwolone. No dogs or Jews allowed."

 

A pesquisa para este livro foi muito bem feita, os pormenores históricos são contados de forma muito real. Adorei os capítulos da personagem Minka, as partes passadas em Auschwitz, as descrições e a história que se vai desenrolando. É de ficar com o coração apertado.

 

Faz-nos refletir. É essencialmente um livro sobre perdão e sobre a nossa capacidade de perdoar os outros ou de nos perdoarmos a nós próprios. Por muito que leiamos sobre o tema, ou que assistamos a documentários, há sempre espaço para o choque e a tristeza que nos invadem ao depararmo-nos mais uma vez com este tema. Tal crueldade humana vai sempre surpreender e ser difícil, se não impossível, de compreender.

 

As histórias são várias, umas dentro das outras. A história passada no presente, algumas partes da vida da Sage ou do Leo não gostei tanto. Nem consegui simpatizar com o Leo, apesar de ter gostado da Sage. Há uma outra história da qual também gostei, que é aquela que a Minka inventa e escreve e sonha partilhar.

 

O twist final que a autora deciciu dar também não me agradou particularmente e acabou por ser um pouco previsível.

 

Talvez para primeira leitura da Jodi seja um livro de cinco estrelas, mas após várias leituras chegamos à conclusão que a fórmula não varia muito de livro para livro. Teria gostado mais se a autora se focasse mais nas memórias da Minka e do Josef.

 

Deixo um excerto do qual gostei e que partilho agora convosco:

 

"In Heaven and Hell, people sit at banquet tables filled with amazing food, but no one could bend their elbows. In Hell, everyone starves because they can't feed themselves. In Heaven, everyone's stuffed, because they don't have to bend their elbows to feed each other."

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A Ilustre Casa de Ramires | Eça de Queirós

Sábado, 20.01.18

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Eça de Queirós é um dos mais importantes e conhecidos nomes da literatura portuguesa. A sua obra mais conhecida e aclamada é Os Maias, publicada em 1888.

 

Do escritor, apenas tinha lido O Crime do Padre Amaro e gostei da crítica que encontrei. A Ilustre Casa de Ramires é então o segundo livro que leio do autor e não gostei tanto. Publicada em 1900. Foi escrito de forma paralela, ou seja, existem várias histórias a decorrer ao mesmo tempo.

 

Temos por um lado a história de Gonçalo Mendes Ramires, um fidalgo pertencente a uma das linhagens mais antigas, uma família nobre e cheia de tradições, que ambiciona entrar na política e fazer carreira, passada no século XIX. À medida que vai conseguindo atingir este objetivo, vê-se envolto numa série de dúvidas acerca da sua honra e honestidade, que poderão pôr em causa tudo aquilo que a sua família sempre defendeu.

 

Por outro lado, temos uma história escrita pelo nosso protagonista Gonçalinho, acerca dos seus antepassados, passada no século XIII. O protagonista aqui é Tructesindo Ramires, um homem que procura vingança pela morte do seu filho morto em uma emboscada por um suposto amigo da família.

 

As personagens são personificações reais e adequadas à altura. Atuais, ainda nos dias de hoje.

O Gonçalinho, o fidalgo empobrecido que quer ser superior mas por outro lado mostra-se fraco e de caráter muito débil.

A Gracinha, pequenina e frágil, pele clara e cabelos negros compridos. Frágil e passiva, deixa-se seduzir facilmente.

André Cavaleiro, o Dom Juan da zona. Bem educado, de cabelos ondulados e bigodes fartos. Seduz Gracinha, já depois de casada.

As irmãs Lousadas, a personificação de duas coscuvilheiras da aldeia, como todos certamente conhecem.

"Secas, escuras e gariulas como cigarras, desde longos anos, em Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as tecedeiras de todas as intrigas."

 

O início do livro é bastante aborrecido, fala das conquistas dos antigos Ramires e é difícil de passar. Depois a história começa a fluir melhor. Álem destas primeiras partes, a história de Tructesindo também é difícil de passar e, no meu entender, não acrecenta grande coisa ao livro. Sempre que Gonçalo começa a narrar a história dos seus antepassados, é necessário estar muito atento à leitura para perceber a diferença, caso contrário acabamos por nos baralhar e ter de voltar atrás, como me aconteceu várias vezes.

 

Não seria a minha primeira recomendação para primeira leitura de Eça, gostei mais de O Crime do Padre Amaro. Mas para quem quer completar a obra de Eça, avancem sem medos. Já sabem, as primeiras páginas custam a passar, por isso nada de desistir.

 

Deixo algumas fotografias do encontro do Clube dos Clássicos Vivos que aconteceu em Leiria no dia 13 de Janeiro, para discutir esta obra:

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1 ano 12 livros: As compras de 2017

Sexta-feira, 12.01.18

No início do ano propus-me comprar apenas 12 livros. Correu bem. Em baixo, mostro-vos todos os livros que comprei e falo um bocadinho acerca de cada um deles.

 

1. O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós

O primeiro livro do ano para o Clube dos Clássicos Vivos. Li-o logo em Janeiro, podem ler a minha opinião sobre ele aqui. Publicado em 1875, causou grande polémica e protestos por parte da Igreja Católica, fortemente criticada nas suas páginas. A corrupção, os jogos de aparência e a falsa fé são dos temas mais abordados por Eça neste livro. Gostei.

 

2. Paris é uma Festa, de Ernest Hermingway

A segunda compra do ano veio dois meses depois, também para o Clube dos Clássicos Vivos. Opinião aqui. Infelizmente, este livro não me deslumbrou por aí além. Gostei, não amei. Fala de Paris, memórias reais ou fictícias sobre as ruas, os cafés e as pessoas.

 

3. Tudo, tudo... e Nós, de Nicola Yoon

Este livro comprei influenciada por todo o hype que se formou à volta dele. O final vem estragar um pouco uma história que poderia ter sido maravilhosa. No entanto, li-o e gostei, como podem ler aqui. Com ele descobri uma doença da qual nunca tinha ouvido falar, a SCID ou Imunodeficiencia Combinada Grave, em que basicamente o sistema imunológico não desenvolve e uma pessoa pode criar alergias a tudo.

 

4. Breakfast at Tiffany's (A Boneca de Luxo), de Truman Capote

Mais um para o Clube dos Clássicos Vivos. Adorei a personagem Holly Golightly. A história não é muito desenvolvida, todo o livro gira apenas à volta desta personagem que marca quem a conhece. Gostei, embora no final fique aquele sabor a pouco. A minha opinião aqui.

 

5. O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway

Uma compra que fiz na Feira do Livro, em Lisboa. É um dos poucos que ainda não li. No entanto, tenho bastante curiosidade e espero ler em breve.

 

6. Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac

Mais uma compra da Feira do Livro de Lisboa e mais um que ainda não li. Já li várias opiniões positivas acerca dele e isso despertou-me o interesse. Também espero que seja uma leitura para desfrutar em breve.

 

7. O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry

Comprado também na Feira do Livro, era uma das minhas falhas literárias. Agora já não é. Li-o e gostei bastante desta história tão fofinha que tanto encanta como ensina. Opinião aqui.

 

8. Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult

Um livro que comprei em segunda mão, para o projeto Um ano com a Jodi. É um dos mais falados da autora e decidi que devia comprá-lo. Gostei. No entanto, depois de ter lido vários outros dela, cheguei à conclusão que não é nem de perto o melhor deles. A minha opinião aqui.

 

9. O Vermelho e o Negro, de Stendhal

Mais um livro para o Clube dos Clássicos Vivos. Demorei bastante para conseguir terminá-lo, a trama tem algumas partes bastante aborrecidas que se vão alargando por diversas páginas. O final vale a pena. Opinião aqui.

 

10. Contos Completos, dos Irmãos Grimm

Este livro veio também da Feira do Livro, mas chegou cá a casa algum tempo depois. Já o comecei, no entanto irei demorar algum tempo a terminá-lo. Não sabia que as histórias eram as originais, mas isso foi uma agradável surpresa. Logo que chegou, desfolhei-o até encontrar uma história minha conhecida e li A Gata Borralheira (ou A Cinderela). Descobri que afinal não me era familiar. Opinião dos primeiros cinco contos aqui.

 

11. As Intermitências da Morte, de José Saramago

Um livro que inseri no projeto Ler os Nossos. Saramago não desilude, continuarei a apostar nele. Fala da morte e do que aconteceria se esta deixasse de existir. O tom de crítica seu característico também está sempre presente. O final é fabuloso. Falei mais sobre ele aqui.

 

E pronto. Estas foram as minhas compras ao longo do ano, portei-me muito bem. Comprei onze livros, já li oito e comecei um. Este ano não penso fazer nenhum tipo de desafio deste género. Quero continuar a comprar com consciência e tentar que sejam apenas livros que espero ler em breve.

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Os livros de 2017

Segunda-feira, 08.01.18

Em 2017 li um total de 43 livros, um número bastante aceitável e, sem querer mentir, penso que foi um record.

Tive várias leituras muito boas, mas também tive leituras menos boas.

 

Como melhores do ano, temos:

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

Adorei este livro, que já estava à espera na estante há demasiado tempo. Tinha espetativas altas, mas não me desiludi. Vivi cada momento com a pequena Liesel, uma menina que ama os livros mesmo quando à sua volta se passam coisas tão terríveis. A literatura também pode ser uma terapia. Também gostei do filme.

 

O Rouxinol, de Kristin Hannah

Outro livro passado na altura da Segunda Guerra Mundial. França, na altura em que a linha Maginot falha e o país é invadido pelas tropas alemãs. Mulheres fortes. Cenas chocantes e momentos dolorosos. Um livro marcante.

 

As Intermitências da Morte, de José Saramago

Um livro carregado da ironia a que Saramago sempre nos habituou. O tema é a morte, numa altura em que esta decide desaparecer e deixar de atuar num país. As repercursões desta decisão da morte são exploradas até ao infinito. E o final é maravilhoso.

 

Dezanove Minutos, de Jodi Picoult

Um livro que marco muito pelo tema que aborda: o bullying. Identifiquei-me tanto com certas situações que este livro acabou por me marcar e ser uma das melhores leituras do ano.

 

Harry Potter e os Talismãs da Morte, de J. K. Rowling

Não apenas este, mas todos os livros da saga. Como já sabia que iria acontecer. São livros que me marcaram durante a adolescencia e me irão acompanhar para sempre. Vou reler muitas mais vezes.

 

Agora vamos às leituras menos boas:

Orlando, de Virginia Woolf

Não consegui entrar bem na história, não gostei da escrita. Estava desejosa por chegar ao fim. Não voltei a ler Virginia Woolf e não sei quando irei voltar.

 

Compaixão, de Jodi Picoult

Um livro com uma permissa muito boa, mas que não desenvolva da forma esperada. Histórias paralelas que não acrescentam nada são adicionadas, acabando por ser mais desenvolvidas que a história principal.

 

Oníria, de Joana Santos Silva

Um livro de poesia. Não encontrei a paixão nem o sentimento que espero encontrar na poesia. Não me transmitiu qualquer sentimento e ficou muito abaixo das espetativas, que já não eram elevadas.

 

Foi, no geral, um bom ano. Espero que 2018 seja ainda melhor!

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